Cancro do pâncreas causou mais de duas mil mortes em Portugal num ano
O cancro do pâncreas poderá tornar-se, até 2035, a segunda principal causa de morte por cancro em Portugal e no mundo. O alerta foi deixado a terça-feira pela presidente do Clube Português do Pâncreas (CPP), Alexandra Fernandes, que chama a atenção para a agressividade da doença e para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
O cancro do pâncreas poderá tornar-se, até 2035, a segunda principal causa de morte por cancro em Portugal e no mundo. O alerta foi deixado a terça-feira pela presidente do Clube Português do Pâncreas (CPP), Alexandra Fernandes, que chama a atenção para a agressividade da doença e para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Em Portugal, foram diagnosticados 2.191 novos casos em 2024 e registadas 2.051 mortes, números que colocam este tumor como o sexto mais fatal no país.
«É importante que as pessoas reconheçam os fatores de risco associados» à doença, sublinha a médica gastrenterologista, citada em comunicado. Os dados revelados pela especialista mostram a dimensão do desafio: a taxa de sobrevivência global aos cinco anos é de apenas 13%. Quando o tumor é detetado precocemente, essa percentagem sobe para 44%, mas cai para 3% quando a doença já se disseminou.
Quanto ao tipo mais comum de cancro do pâncreas é o adenocarcinoma ductal pancreático, responsável por acima de 90% dos casos. Trata-se de um tumor particularmente agressivo, cujos sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças digestivas. Entre os sinais a que a população deve estar atenta estão:
Dor abdominal, que pode irradiar para as costas; Perda de peso inexplicável;
Alterações digestivas, como indigestão, vómitos ou diarreia; Aparecimento súbito ou agravamento da diabetes;
Icterícia, que provoca uma coloração amarelada da pele e dos olhos. A presença destes sintomas não significa necessariamente que exista cancro do pâncreas, mas justifica uma avaliação médica, sobretudo quando são persistentes ou surgem sem explicação aparente.
Além da idade e da predisposição genética, o Clube Português do Pâncreas identifica vários fatores de risco relacionados com o estilo de vida. Quanto ao tabagismo, a obesidade e o excesso de peso estão entre os principais fatores associados à doença. A diabetes e a pancreatite crónica são também apontadas, sendo esta última frequentemente relacionada com o consumo crónico de álcool e os hábitos tabágicos.
A alimentação pode igualmente ter influência, com o CPP a destacar dietas ricas em açúcares refinados, gorduras, carnes vermelhas e produtos processados. Para reforçar a sensibilização da população, o CPP vai lançar uma campanha nacional de consciencialização com o mote «O tempo de agir é agora».
Quanto à iniciativa decorrerá nas redes sociais e procura alertar para a prevenção, os fatores de risco e a importância de reconhecer os sinais da doença. A campanha está associada ao Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, assinalado a 19 de novembro. O Clube Português do Pâncreas é uma secção especializada da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, associação científica sem fins lucrativos e de utilidade pública que promove o desenvolvimento da saúde digestiva desde 1989.
T.Ueda--JT