Irã nega negociações com EUA após anúncio de Trump sobre novas conversações
O Irã negou negociações com os Estados Unidos, depois que o presidente Donald Trump anunciou que nesta segunda-feira (3) começariam novas conversações para acabar com a guerra, que entra em seu sexto mês.
A declaração do Ministério das Relações Exteriores iraniano aconteceu algumas horas após o mandatário americano afirmar à imprensa que havia decidido não atacar a República Islâmica para retomar a via diplomática.
Washington e Teerã estão em guerra desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, mas foram registrados períodos de relativa calma graças às negociações diplomáticas intermitentes.
Após a retomada dos ataques no mês passado, aumentou o temor de uma nova intensificação dos combates.
Trump havia ameaçado atingir o Irã com "muita força" e, segundo a imprensa, cogitava novos ataques, inclusive contra infraestruturas do setor de energia. Mas o republicano recuou da ameaça no sábado, ao afirmar que um projeto de acordo já estava sobre a mesa.
Nesta segunda-feira, no entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã negou qualquer negociação em curso.
"Atualmente não estamos negociando com os Estados Unidos. Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz", declarou o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei, durante uma entrevista coletiva.
A rota estratégica é um dos principais obstáculos nos esforços para dar fim ao conflito. O Irã fechou o corredor comercial e abre fogo contra navios mercantes que tentam atravessar a via.
Antes da guerra, a passagem pelo estreito era livre, mas agora Teerã insiste em manter o controle e cobrar pedágios, algo que o governo dos Estados Unidos rejeita.
No domingo, Baqaei declarou à televisão estatal que um acordo estava prestes a ser fechado com Omã, situado no lado oposto do estreito, sobre uma nova rota de trânsito em Ormuz.
"Estamos prestes a chegar a um acordo sobre uma rota aceitável para ambas as partes — nem a rota do norte nem a do sul —, respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo nossos interesses nacionais e nossa segurança", declarou.
O porta-voz insistiu, no entanto, que o acordo não implicava a reabertura do estreito, por onde, antes da guerra, transitavam 20% do petróleo e gás comercializados no planeta.
- Ameaças -
Trump afirmou à imprensa no domingo que as novas conversas com o Irã abordariam a situação em Ormuz e, em última instância, a desnuclearização de Teerã.
O presidente republicano ressaltou, no início do conflito, que a guerra era necessária para conter o programa nuclear iraniano. Teerã insiste que seu programa é exclusivamente de natureza civil.
"Agora, o que estamos fazendo é conversar com eles por meio de negociações. Isso começa amanhã (segunda-feira) à tarde", afirmou, sem revelar detalhes sobre o local do encontro ou sobre os participantes.
Trump também disse que tanto o Irã quanto Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar - os três parceiros dos Estados Unidos na região - pediram que adiasse os ataques, que segundo ele teriam sido "os maiores desde a Segunda Guerra Mundial".
A imprensa iraniana negou que Teerã tenha solicitado a Washington que não atacasse o país.
Esta não é a primeira vez que Trump anuncia a iminência de um acordo para concluir a guerra, para depois retomar os combates.
Um pacto de cessar-fogo anterior, que incluía a reabertura do Estreito de Ormuz, fracassou. Desde então, o Irã reforçou o controle sobre a via marítima.
Os preços do petróleo caíram na manhã de segunda-feira na abertura dos mercados asiáticos, depois que Trump anunciou as novas negociações. O preço do Brent do Mar do Norte, referência do mercado mundial de petróleo, recuava mais de 5%, a 82 dólares por barril.
- "Pontos de vista" -
O deputado iraniano Hassan Qashqavi, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento, informou no domingo que mediadores estavam tentando reativar o memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã estabelecido em junho.
O acordo não foi concebido como um pacto de paz definitivo, e sim como uma etapa prévia para negociações sobre um acordo integral, embora incluísse dispositivos sobre Ormuz.
"Eles sabem que a questão principal e, na verdade, a chave do assunto neste momento é o tema do Estreito de Ormuz. Então, sim, há uma troca de pontos de vista", disse Qashqavi.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou na rede social X que "devemos nos esforçar para obrigar o inimigo a manter o compromisso com aquilo que assinou".
Y.Watanabe--JT