The Japan Times - Colômbia faz guinada à direita e elege milionário pró-Trump presidente

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Colômbia faz guinada à direita e elege milionário pró-Trump presidente
Colômbia faz guinada à direita e elege milionário pró-Trump presidente / foto: Vanexa Romero - AFP

Colômbia faz guinada à direita e elege milionário pró-Trump presidente

O candidato da extrema direita Abelardo de la Espriella, apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi eleito neste domingo presidente da Colômbia, ao derrotar por uma pequena margem o candidato da esquerda, segundo a contagem preliminar da autoridade eleitoral.

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Em uma das votações mais acirradas da História, o jurista De la Espriella, que não tem experiência na política, venceu no segundo turno por 49,7% dos votos o senador Iván Cepeda (48,5%), aliado de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia.

Nas ruas de Bogotá e de outras cidades do país, ouviam-se assobios e buzinas. "Estamos todos felizes, queremos esta mudança para o país. Foram quatro anos em que o meu setor da construção foi muito afetado", disse à AFP o engenheiro civil Raúl Vásquez, 41, em Barranquilla, reduto político de De la Espriella.

De nacionalidades colombiana e americana, De la Espriella tomará posse em 7 de agosto, com um programa de governo que antecipa uma guinada radical à direita, com um corte de 40% no tamanho do Estado, a construção de megaprisões, o porte de armas por civis e uma ofensiva sem trégua contra os grupos armados com o apoio de Israel e Estados Unidos.

O direitista se consolidou como um fenômeno político com um discurso contra o sistema. Ele disse à AFP que vai buscar o apoio de Trump e de Israel para atacar os guerrilheiros com bombardeios e fumigações de narcocultivos, no maior produtor mundial de cocaína.

Em transmissão ao vivo no X, De la Espriella disse que Trump manifestou seu apoio após o anúncio do resultado do segundo turno: "Falei há poucos minutos com o presidente dos Estados Unidos e ele expressou seu apoio, seu reconhecimento à nossa vitória."

De la Espriella também angariou votos como "inimigo" da esquerda, diante da falta de progresso nas negociações com as máfias, e em um contexto de tensão com os Estados Unidos.

Iván Cepeda disse que não aceitará a derrota antes da apuração final, que levará dias, e que vai contestar 33 mil mesas eleitorais. "Depois que as verificações correspondentes forem feitas, reconheceremos o resultado oficial", declarou, diante de centenas de apoiadores.

A assinatura do acordo de paz com a guerrilha das Farc em 2016 trouxe alguns anos de calma à Colômbia. Mas, uma década depois, a campanha foi marcada pela violência, que incluiu o assassinato de um candidato à Presidência.

De la Espriella culpou Petro, a quem chama de "chefe da máfia" e ameaçou levar à Justiça dos Estados Unidos. O advogado, que se autodenomina "El Tigre", disse à AFP que buscará apoio de Trump e de Israel para lançar uma ofensiva de 90 dias contra a guerrilha, com bombardeios e fumigação de plantações de drogas no maior produtor de cocaína do mundo.

"Nenhum deles é capaz de solucionar o problema da violência", disse à AFP Hermes Ortega, agricultor e guia turístico na região de Putumayo, preocupado porque o conflito espantou os visitantes.

O discurso do direitista em favor de Washington, das forças de ordem e dos empresários se assemelha ao de outros líderes de direita da região, como o salvadorenho Nayib Bukele e o argentino Javier Milei. Ele se tornou um fenômeno político com uma campanha que adotou símbolos que remetem à identidade nacional, como a camisa da Seleção, e entrevistas nas quais exibe seu talento como cantor ou a vida de luxo que levava na Itália.

"Ele se conecta com um eleitorado que já está cansado da insegurança e que precisa de soluções de choque", mas também encarna um modelo "inspirador" de "empresário que construiu sua fortuna", explicou Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana.

O direitista também é criticado por seus comentários machistas e homofóbicos, e por defender paramilitares e narcotraficantes como advogado.

O presidente Gustavo Petro, que não reconheceu o resultado do primeiro turno, também vencido pelo opositor, disse hoje que respeitará apenas a apuração consolidada. "Não se pode proclamar nenhum presidente. A realidade nos mostra um país partido ao meio", publicou no X.

Y.Mori--JT