The Japan Times - Sob a sombra do 8/01, Lula ignora os 60 anos do golpe militar

EUR -
AED 4.095701
AFN 72.480008
ALL 90.882712
AMD 401.805034
ANG 1.995737
AOA 1023.635334
ARS 1721.721299
AUD 1.622157
AWG 2.007127
AZN 1.900047
BAM 1.951697
BBD 2.245579
BDT 138.86805
BGN 1.948955
BHD 0.420772
BIF 3356.362879
BMD 1.115071
BND 1.428792
BOB 13.374482
BRL 6.138357
BSD 1.114956
BTN 104.659009
BWP 15.359741
BYN 3.339105
BYR 21855.38619
BZD 2.242466
CAD 1.573756
CDF 2586.964483
CHF 0.914881
CLF 0.027698
CLP 1090.127033
CNY 7.444774
CNH 7.440667
COP 3625.685911
CRC 505.646021
CUC 1.115071
CUP 26.76054
CVE 110.842372
CZK 24.346956
DJF 198.170808
DKK 7.480457
DOP 67.740985
DZD 152.081196
EGP 59.957114
ERN 16.726061
ETB 179.75372
FJD 2.514764
FKP 0.833961
GBP 0.834821
GEL 2.893653
GGP 0.833961
GHS 13.029646
GIP 0.833961
GMD 83.077063
GNF 9876.743229
GTQ 8.520088
GYD 233.749058
HKD 8.744552
HNL 30.190584
HRK 7.547925
HTG 146.132606
HUF 363.51345
IDR 20192.258205
ILS 3.552538
IMP 0.833961
INR 104.869336
IQD 1688.217076
IRR 2108992.359359
ISK 136.919964
JEP 0.833961
JMD 176.947992
JOD 0.790629
JPY 176.744329
KES 144.903869
KGS 97.510486
KHR 4549.488945
KMF 492.86165
KPW 1003.563608
KRW 1520.737678
KWD 0.346765
KYD 0.929309
KZT 499.776184
LAK 25094.667032
LBP 99854.583719
LKR 370.763872
LRD 189.90075
LSL 18.465996
LTL 3.292514
LVL 0.674496
LYD 7.170329
MAD 10.880307
MDL 19.93044
MGA 5123.750363
MKD 61.556144
MMK 2341.311039
MNT 4015.078679
MOP 9.000882
MRU 44.882019
MUR 52.442198
MVR 17.176258
MWK 1936.878232
MXN 20.768572
MYR 4.528864
MZN 71.257178
NAD 18.465992
NGN 1502.23485
NIO 40.823159
NOK 10.548462
NPR 167.454215
NZD 2.010586
OMR 0.428348
PAB 1.115031
PEN 3.838635
PGK 5.008941
PHP 70.369926
PKR 308.456482
PLN 4.399568
PYG 6968.50605
QAR 4.062245
RON 5.343646
RSD 117.7359
RUB 91.352798
RWF 1644.729318
SAR 4.18675
SBD 8.974739
SCR 15.631155
SDG 670.719139
SEK 11.033072
SGD 1.430194
SHP 0.835103
SLE 25.591287
SLL 23382.48045
SOS 637.267002
SRD 41.908265
STD 23079.712667
STN 24.8382
SVC 9.75549
SYP 14498.149201
SZL 18.465983
THB 37.411034
TJS 10.285553
TMT 3.902748
TND 3.329048
TOP 2.684822
TRY 55.9111
TTD 7.561104
TWD 36.546782
TZS 2946.578434
UAH 50.509358
UGX 4560.432794
USD 1.115071
UYU 44.855697
UZS 13380.84906
VES 999.456181
VND 28526.296796
VUV 133.25575
WST 3.108617
XAF 655.957
XAG 0.021465
XAU 0.000274244363
XCD 3.013535
XCG 2.009331
XDR 0.788413
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 263.853652
ZAR 18.419263
ZMK 10036.978597
ZMW 22.65679
ZWL 359.052318
SSP 6406.644798
MXV 2.336546
Sob a sombra do 8/01, Lula ignora os 60 anos do golpe militar
Sob a sombra do 8/01, Lula ignora os 60 anos do golpe militar / foto: Ricardo STUCKERT - BRAZILIAN PRESIDENCY/AFP

Sob a sombra do 8/01, Lula ignora os 60 anos do golpe militar

No 60º aniversário do golpe militar de 1964, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou os atos oficiais em memória das vítimas do regime, na tentativa de distender o clima com as Forças Armadas, enquanto alguns altos oficiais estão na mira da justiça, suspeitos de participar de um plano golpista.

Tamanho do texto:

"Precisamos aproximar a sociedade brasileira e as Forças Armadas: não podem se tratar como se fossem inimigas", disse o presidente Lula em uma entrevista no final de fevereiro.

Em 31 de março de 1964, os militares se insurgiram contra o então presidente João Goulart (1961-1964), e permaneceram no poder por 21 anos à frente de uma ditadura, admirada pelo ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (2019-2022), um ex-capitão do Exército.

O aniversário parecia propício para Lula, um ex-sindicalista que liderou uma greve histórica contra o governo militar, lembrar das vítimas, entre as quais há 434 mortos ou desaparecidos, segundo as conclusões, em 2014, da Comissão Nacional da Verdade, um organismo oficial.

Diferentemente da vizinha, Argentina, que julgou os agentes do Estado acusados de cometer crimes durante a ditadura no país (1976-1983), no Brasil, este capítulo da História terminou com a Lei de Anistia, de 1979.

- "Cálculo político" -

Mas Lula, de 78 anos, afirmou que o golpe de 1964 "já faz parte da História" e seu governo não vai "ficar remoendo" esse assunto.

"Estou mais preocupado com o golpe de 8 de janeiro de 2023 do que com o de 1964", declarou.

Naquele dia, milhares de apoiadores de Bolsonaro invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, pedindo que os militares depusessem Lula, uma semana depois de sua posse.

Paralelamente, o ex-presidente é investigado por supostamente participar de um "plano de golpe de Estado" para se manter no poder após sua derrota nas eleições de outubro de 2022.

São suspeitos de envolvimento na trama vários de seus aliados mais próximos, incluindo ministros e altos oficiais militares. O major Rafael Martins de Oliveira e o coronel do Exército Bernardo Romão Corrêa Neto foram detidos no âmbito da operação Tempus Veritatis, da Polícia Federal.

"Nunca houve uma conjuntura tão propícia para se discutir o lugar das Forças Armadas na sociedade brasileira quanto o pós-governo Bolsonaro e o pós-8 de janeiro", explica o historiador Lucas Pedretti.

Mas Lula fez "um cálculo político que coloca uma estratégia de acomodação com as Forças Armadas no primeiro plano, em detrimento e prejuízo das necessidades histórias da sociedade brasileira de rever seu passado", diz em declarações à AFP este acadêmico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

- Protestos de associações de vítimas -

A decisão de Lula levou ao cancelamento de atos preparados pelo governo, como os do Ministério dos Direitos Humanos. Seu titular, Silvio Almeida, pretendia lembrar os ativistas e perseguidos pelo regime militar em um discurso no Museu da República, em Brasília, segundo informações divulgadas pela imprensa.

E embora Lula tenha proibido no ano passado rememorar o golpe nos quartéis, como se fez durante o governo Bolsonaro (2019-2022), tampouco será feita nenhuma reflexão sobre o papel das Forças Armadas durante a ditadura ou na atualidade.

"Para nós, é História, não temos que estar remoendo as coisas", diz uma fonte do Exército à AFP. "A ideia é a pacificação e olhar para a frente".

Mas grupos de defesa dos direitos humanos exigem do presidente Lula reinstaurar a Comissão de Mortos e Desaparecidos, instalada em 1995 para investigar os crimes políticos cometidos entre 1961 e 1979, e suprimida por Bolsonaro em seu último ano de governo.

A Coalizão Brasil pela Memória, Verdade e Justiça, que reúne mais de 150 associações, criticou a decisão "equivocada" do presidente de não rememorar a data.

"Repudiar veementemente o golpe de 1964 é uma forma de reafirmar o compromisso de punir os golpes também do presente e eventuais tentativas futuras", ressalta a organização em nota.

"Não aceitaremos que, mais uma vez, os governos negociem ou abdiquem dos direitos das vítimas para poder contemporizar com os militares. Não aceitaremos mais essa tutela cujo preço histórico quem tem pago são os familiares, todos os que foram atingidos por atos de exceção" da ditadura, acrescentam.

M.Ito--JT