The Japan Times - Massa em primeiro, Milei em segundo: o que aconteceu nas presidenciais argentinas?

EUR -
AED 4.130251
AFN 73.101843
ALL 90.827689
AMD 405.976788
ANG 2.012872
AOA 1031.299033
ARS 1740.353149
AUD 1.602754
AWG 2.02436
AZN 1.913083
BAM 1.954244
BBD 2.264797
BDT 139.998542
BGN 1.965689
BHD 0.424566
BIF 3359.925049
BMD 1.124645
BND 1.437456
BOB 13.634145
BRL 6.142868
BSD 1.124505
BTN 106.365319
BWP 15.438709
BYN 3.355329
BYR 22043.03479
BZD 2.261599
CAD 1.568598
CDF 2603.55236
CHF 0.91715
CLF 0.027591
CLP 1085.912055
CNY 7.501157
CNH 7.497719
COP 3631.724939
CRC 510.809224
CUC 1.124645
CUP 26.987514
CVE 110.177284
CZK 24.290412
DJF 200.240582
DKK 7.474737
DOP 67.52834
DZD 152.974455
EGP 60.592027
ERN 16.869669
ETB 184.563506
FJD 2.52061
FKP 0.835653
GBP 0.834256
GEL 2.929715
GGP 0.835653
GHS 13.083584
GIP 0.835653
GMD 83.783286
GNF 9964.351529
GTQ 8.593159
GYD 235.602429
HKD 8.823096
HNL 30.223878
HRK 7.612731
HTG 147.321402
HUF 363.029616
IDR 20296.349211
ILS 3.557082
IMP 0.835653
INR 106.120786
IQD 1704.742796
IRR 2118165.258096
ISK 136.62177
JEP 0.835653
JMD 178.245225
JOD 0.797351
JPY 177.955868
KES 146.181525
KGS 98.349782
KHR 4572.319165
KMF 495.968313
KPW 1012.180125
KRW 1508.699576
KWD 0.349495
KYD 0.937054
KZT 508.235377
LAK 25316.844398
LBP 100697.131585
LKR 374.172109
LRD 191.157813
LSL 18.509764
LTL 3.320783
LVL 0.680286
LYD 7.21026
MAD 10.984655
MDL 20.167944
MGA 5078.95647
MKD 61.552791
MMK 2361.579558
MNT 4050.355375
MOP 9.086566
MRU 45.74199
MUR 52.577254
MVR 17.381318
MWK 1949.84766
MXN 20.862006
MYR 4.551208
MZN 71.875564
NAD 18.509764
NGN 1514.13123
NIO 41.377058
NOK 10.443489
NPR 170.189803
NZD 1.993641
OMR 0.432409
PAB 1.124605
PEN 3.88121
PGK 5.046095
PHP 70.688411
PKR 311.059255
PLN 4.392131
PYG 6818.571503
QAR 4.099636
RON 5.339702
RSD 117.598472
RUB 91.850886
RWF 1654.690001
SAR 4.224547
SBD 9.055321
SCR 15.512305
SDG 676.476071
SEK 10.966089
SGD 1.435097
SHP 0.838474
SLE 25.765185
SLL 23583.240559
SOS 642.71403
SRD 42.246191
STD 23277.873236
STN 24.481054
SVC 9.839167
SYP 14622.629152
SZL 18.500271
THB 37.560919
TJS 10.373341
TMT 3.947503
TND 3.351432
TOP 2.707874
TRY 56.285742
TTD 7.622931
TWD 37.004205
TZS 2976.973725
UAH 51.209031
UGX 4616.324787
USD 1.124645
UYU 45.214004
UZS 13370.355405
VES 1005.172578
VND 28883.685764
VUV 134.569458
WST 3.130067
XAF 655.957
XAG 0.021281
XAU 0.000272156519
XCD 3.039409
XCG 2.026587
XDR 0.795182
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 265.612974
ZAR 18.403032
ZMK 10123.158111
ZMW 22.805843
ZWL 362.135113
SSP 6461.664299
MXV 2.347658
Massa em primeiro, Milei em segundo: o que aconteceu nas presidenciais argentinas?
Massa em primeiro, Milei em segundo: o que aconteceu nas presidenciais argentinas? / foto: Tomas CUESTA, JUAN MABROMATA - AFP/Arquivos

Massa em primeiro, Milei em segundo: o que aconteceu nas presidenciais argentinas?

Um ministro da Economia que teve a maior votação no primeiro turno das presidenciais, apesar do aumento da inflação e da pobreza. Um líder libertário e antissistema disposto a negociar com "a casta" que ele próprio critica para vencer o segundo turno. O que aconteceu nas eleições argentinas?

Tamanho do texto:

O ultradireitista Javier Milei, do A Liberdade Avança, e que começou sua carreira política há apenas dois anos, era o favorito nas pesquisas de intenção de voto. Seu estilo provocativo, com duras críticas ao establishment e sua proposta de dolarizar a economia, sacudiu o cenário político. Pouco antes das eleições, sentia-se pronto - e assim o disse - para ser eleito presidente no primeiro turno.

Mas, ao contrário do apontado pelas pesquisas, ficou em segundo, com uma votação quase idêntica à obtida nas primárias de agosto: cerca de 30%.

Ao contrário, Sergio Massa, um peronista carismático, candidato da coalizão de centro esquerda União pela Pátria, conseguiu, contrariando todos os prognósticos, a maior votação - quase 37%, 15 pontos a mais que nas primárias -, apesar de, em sua gestão como ministro da Economia, os indicadores terem se deteriorado a níveis recorde, com uma inflação de quase 140% ao ano e pobreza de mais de 40%.

- Como Massa conseguiu melhorar sua votação? -

"O que aconteceu na Argentina não foi uma recuperação importantíssima da situação, mas também um freio a uma onda da direita radicalizada, que parecia incontrolável", avaliou o acadêmico Sergio Morresi, da Universidade de Buenos Aires.

Houve uma conjunção de fatores, entre eles alívios fiscais e bônus para melhorar a renda dos trabalhadores na reta final da campanha.

Mas talvez o mais importante foi como "na conversa pública foi deixada de lado a discussão econômica para se concentrar nas questões culturais, políticas e institucionais ou de capacidade de liderança", ressaltou Morresi.

Valores como a educação pública, tradicionalmente muito apreciadas pela sociedade, foram exaltados pelo peronismo, que alertou para a ameaça que Milei representa.

Além disso, o estilo tranquilo de Massa contrastou com o temperamento exaltado de Milei.

- Quais foram os acertos e erros? -

Juan Negri, cientista político da Universidade Torcuato di Tella, apontou com acerto que "Massa fez uma excelente campanha e o partido o ajudou, os governadores se colocaram todos com ele".

Também teve o voto do medo. "Houve um temor de um salto no vazio", disse Negri, destacando uma sequência de erros de campanha de Milei nos dias que antecederam a votação.

Entre eles, ofensas ao papa Francisco, a sugestão de romper relações com o Vaticano, de permitir aos homens negar a paternidade, ou inclusive privatizar os oceanos.

"Passaram uma imagem de muito extremismo e que Milei era incapaz de pôr ordem", afirmou.

- Milei vai poder fazer alianças? -

Com um discurso agressivo contra a "casta política ladra" que lhe rendeu aplausos entusiasmados de seus apoiadores, Milei está agora diante do dilema de buscar alianças políticas para o segundo turno.

Ele acusou a conservadora Patricia Bullrich, candidata da coalizão Juntos pela Mudança, que ficou em terceiro lugar, com 24% dos votos, de "pôr bombas em jardins da infância". Mas para conseguir alianças, Milei acenou, nesta segunda, com a possibilidade de engolir suas palavras.

"Minha escolha é clara: tenho que abrir espaço a outras forças", anunciou, ao confirmar que tem se aproximado do ex-presidente Mauricio Macri (2015-19), líder do Juntos pela Mudança.

A incógnita está em se Milei, que capitalizou a revolta e a frustração da sociedade, atingiu seu teto. "Com este partido recém-criado, fez uma escolha histórica: chegou em segundo e levou um terço dos votos", destacou Negri.

- Qual o peso da economia? -

"A situação econômica continua sendo muito problemática, muito frágil. E faltam quatro semanas para o segundo turno. Se se deteriorar ainda mais, esta questão vai voltar a estar na mesa de discussão e poderá frear esta ascensão de Massa", avaliou Morresi.

Em contrapartida, as propostas de cortes de gastos de Milei, que ilustrou ao aparecer com uma motosserra na mão, também assustam parte do eleitorado.

"Muitos argentinos têm muito a perder com um eventual desmonte do estado de bem-estar", avaliou Benjamin Gedan, diretor do Projeto Argentina no Wilson Center, de Washington.

Segundo dados oficiais, mais de 4 milhões de pessoas, quase 10% da população, dependem da ajuda do governo para se alimentar. O Estado dá, ainda, uma série importante de subsídios para as tarifas de transporte e energia.

K.Nakajima--JT