The Japan Times - 'Endividados para sobreviver', argentinos se afundam na inadimplência

EUR -
AED 4.214492
AFN 74.592697
ALL 91.870147
AMD 418.911055
ANG 2.054589
AOA 1052.332084
ARS 1736.006119
AUD 1.612938
AWG 2.065646
AZN 1.95741
BAM 1.957721
BBD 2.326082
BDT 142.199533
BGN 1.931885
BHD 0.435427
BIF 3454.28951
BMD 1.147581
BND 1.470643
BOB 12.69846
BRL 5.908782
BSD 1.154933
BTN 110.824746
BWP 15.664371
BYN 3.507241
BYR 22492.588775
BZD 2.322779
CAD 1.605294
CDF 2650.91195
CHF 0.947334
CLF 0.027724
CLP 1094.700512
CNY 7.696138
CNH 7.697928
COP 3596.737082
CRC 516.606919
CUC 1.147581
CUP 30.410898
CVE 110.373303
CZK 24.340251
DJF 205.661805
DKK 7.475263
DOP 68.176898
DZD 153.813769
EGP 59.717932
ERN 17.213716
ETB 188.645708
FJD 2.571442
FKP 0.85343
GBP 0.856721
GEL 2.989432
GGP 0.85343
GHS 13.264015
GIP 0.85343
GMD 84.921154
GNF 10154.964524
GTQ 8.816651
GYD 241.627096
HKD 9.00283
HNL 30.997416
HRK 7.535589
HTG 150.948117
HUF 364.064927
IDR 20361.530747
ILS 3.483654
IMP 0.85343
INR 110.077004
IQD 1512.984611
IRR 1577436.23563
ISK 139.821058
JEP 0.85343
JMD 182.258841
JOD 0.813608
JPY 178.743207
KES 148.724678
KGS 100.355851
KHR 4676.588887
KMF 491.164471
KPW 1032.823319
KRW 1588.716971
KWD 0.354281
KYD 0.962444
KZT 513.543913
LAK 25852.227288
LBP 103413.51329
LKR 382.763899
LRD 200.376619
LSL 18.801192
LTL 3.388509
LVL 0.69416
LYD 7.335198
MAD 10.890787
MDL 20.13409
MGA 4993.900247
MKD 61.58543
MMK 2409.535573
MNT 4127.678313
MOP 9.332057
MRU 46.242375
MUR 54.693338
MVR 17.684531
MWK 2002.665108
MXN 19.752506
MYR 4.70451
MZN 73.33285
NAD 18.80275
NGN 1527.315101
NIO 42.501705
NOK 10.809646
NPR 177.319995
NZD 2.00075
OMR 0.441242
PAB 1.154933
PEN 3.874702
PGK 5.222124
PHP 72.011284
PKR 320.111709
PLN 4.363195
PYG 6833.70555
QAR 4.19852
RON 5.259707
RSD 117.350522
RUB 97.024167
RWF 1704.072115
SAR 4.247627
SBD 9.181236
SCR 15.837292
SDG 690.274392
SEK 11.267696
SGD 1.46417
SHP 0.857203
SLE 28.276687
SLL 24064.191719
SOS 660.047669
SRD 43.324054
STD 23752.610984
STN 24.524064
SVC 10.105916
SYP 14920.849233
SZL 18.800448
THB 38.268959
TJS 10.654054
TMT 4.016534
TND 3.381218
TOP 2.7631
TRY 55.858829
TTD 7.830684
TWD 36.611164
TZS 3049.327147
UAH 51.505239
UGX 4521.436644
USD 1.147581
UYU 46.465392
UZS 13616.361007
VES 970.228088
VND 29848.583369
VUV 135.766967
WST 3.147715
XAF 655.957
XAG 0.017937
XAU 0.000266
XCD 3.101395
XCG 2.081442
XDR 0.811399
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 271.574995
ZAR 18.697837
ZMK 10329.609215
ZMW 22.66524
ZWL 369.520633
SSP 6493.215316
MXV 2.239524
'Endividados para sobreviver', argentinos se afundam na inadimplência
'Endividados para sobreviver', argentinos se afundam na inadimplência / foto: SAUL LOEB - AFP

'Endividados para sobreviver', argentinos se afundam na inadimplência

Pressionada por uma dívida que contraiu há um ano e que não consegue pagar, Andrea sente angústia e vergonha. Ela não é a única: a inadimplência das famílias na Argentina triplicou em doze meses e atingiu o seu nível mais alto em 20 anos durante o governo de Javier Milei.

Tamanho do texto:

O principal problema é o estancamento da renda e a disparada do custo de vida, sobretudo devido às tarifas sobre serviços muito acima da inflação desde que o presidente ultraliberal chegou ao poder em dezembro de 2023.

Cerca de 5,8 milhões de argentinos são considerados inadimplentes, ou seja, com mais de 90 dias de atraso no pagamento de suas dívidas, segundo o Banco Central. Metade deles consta na lista de dívidas incobráveis.

Andrea trabalhava em uma fábrica de papel que fechou e, sem sucesso, tentou se reinventar vendendo comida caseira, contou à AFP essa mulher de 32 anos que tem uma filha.

A compra de um forno para alavancar o negócio destruiu suas finanças: "Atrasei os pagamentos e, em poucos meses, a dívida se tornou impagável". De um milhão de pesos (R$ 3.495) foi para cinco (R$ 17.475), e hoje ela mal consegue pagar a mensalidade da escola da filha.

A inadimplência bancária das famílias passou de 4,5% para 12,8% entre maio do ano passado e o mesmo mês em 2026, com apenas uma leve desaceleração em junho, para 12,7%.

No total, cerca de 21 milhões de argentinos, de uma população de 46 milhões, têm algum tipo de dívida.

Segundo Milei, o problema é "um acordo entre privados". O presidente afirma que ninguém obriga as pessoas a se endividarem.

"Colocaram uma arma na cabeça deles para fazer isso?", questionou em uma entrevista.

Os maiores atrasos são em empréstimos pessoais e cartões de crédito, que concentram mais de 70% dos inadimplentes, níveis inéditos "desde a crise de 2001", a pior colapso econômico da Argentina, assinalou um relatório do Centro de Economia Política.

- Taxas de 1.000% ao ano -

O presidente do Banco da Província de Buenos Aires, Juan Cuattromo, disse à AFP que "o crescimento da inadimplência não é consequência de decisões individuais, é o resultado de um contexto macroeconômico que deteriorou a renda, o emprego e a atividade econômica".

"É desesperador, acordo e vou dormir pensando em como vou pagar", diz Claudia Debaste, empregada de 40 anos cujo poder de compra desmoronou no mesmo ritmo em que cresceram suas dívidas.

"Comecei usando o cartão para gastos comuns, pagar contas de serviços, transporte, supermercado, farmácia", explica à AFP esta mãe solo, que entrou em inadimplência há quatro meses e busca um refinanciamento.

A curva de inadimplência das famílias aumentou quase cinco vezes desde novembro de 2024, um período em que o acesso ao crédito era fácil e sustentou certo nível de consumo, apesar das taxas que chegaram perto de 1.000% ao ano em carteiras digitais não bancárias.

Na semana passada, o dirigente de esquerda Gabriel Solano denunciou criminalmente o diretor-presidente do Mercado Livre, Marcos Galperín, por usura por meio dos empréstimos de sua carteira digital Mercado Pago, a mais usada na Argentina.

- "Escravidão financeira" -

Também há adolescentes endividados. "Nada de esperar para ser adultos", propõe o slogan de uma carteira virtual que oferece, a partir dos 13 anos, "empréstimos rápidos e totalmente online, com poucos requisitos, para contar com dinheiro em espécie na hora".

Os mais prejudicados são os jovens de até 30 anos. Segundo estatísticas do Banco Provincia, quase quatro em cada 10 jovens entre 18 e 21 anos não conseguem pagar seus créditos e, desse grupo, nove em cada 10 se endividaram antes de obter seu primeiro emprego formal.

Também há créditos informais para trabalhadores informais, cujas taxas começam em 260% ao ano, quadruplicando as taxas bancárias.

"As próprias plataformas de entrega nos oferecem empréstimos com taxas abusivas", disse à AFP Leandro Hidalgo, entregador e representante sindical do setor.

As cobranças são descontadas dos pagamentos semanais. E se não se paga? "Eles bloqueiam a conta, como se fosse uma demissão", disse.

"É uma 'escravidão financeira', porque nos endividamos para sobreviver com o mesmo salário", afirmou.

Duas destas plataformas, Pedidos Ya e Gurpi, procuradas pela AFP, não responderam.

Bancos estatais e privados lançaram linhas de resgate com taxas reduzidas atreladas à inflação, embora com requisitos difíceis de cumprir.

Y.Kato--JT