The Japan Times - Tribunal da Suécia julga homem acusado de prostituir a esposa com 120 pessoas

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Tribunal da Suécia julga homem acusado de prostituir a esposa com 120 pessoas
Tribunal da Suécia julga homem acusado de prostituir a esposa com 120 pessoas / foto: Mats ANDERSSON - TT NEWS AGENCY/AFP/Arquivos

Tribunal da Suécia julga homem acusado de prostituir a esposa com 120 pessoas

Um homem de 62 anos compareceu a um tribunal sueco nesta sexta-feira (10), acusado de exploração sexual qualificada e estupros por supostamente explorar sua esposa em situação de vulnerabilidade, forçando-a a se prostituir com aproximadamente 120 homens.

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O acusado, um suposto ex-membro do clube de motociclistas Hell's Angels, nega as acusações. Ele foi preso em outubro, após sua esposa denunciá-lo à polícia no norte do país.

O réu chegou ao tribunal vestindo uma camisa xadrez cinza e exibindo uma tatuagem perto do olho. Ele parecia calmo enquanto a promotora Ida Annerstedt lia as acusações.

A vítima não estava presente, mas acompanhou o processo remotamente por videoconferência. No entanto, apenas seu advogado apareceu na tela para proteger seu anonimato.

Após a leitura das acusações, o julgamento prosseguiu a portas fechadas.

O réu é suspeito de ter lucrado durante anos pressionando sua esposa "a praticar atos sexuais", segundo a acusação.

"Ele é acusado de exploração sexual agravada. Ele orquestrou a operação para forçar sua parceira, que mais tarde se tornou sua esposa, à prostituição", disse Annerstedt à AFP durante uma pausa.

- "Exploração implacável" -

Ele é acusado de publicar anúncios online, marcar encontros e monitorar e coagir sua parceira a ter relações sexuais, que ele então anunciava na internet para atrair mais clientes.

A promotora descreveu essas ações como "exploração implacável".

De acordo com a lei sueca sobre prostituição, vender serviços sexuais não é ilegal, mas pagar por eles ou facilitar sua oferta é.

Segundo a acusação, a mulher estava em uma "situação de vulnerabilidade".

"Ele se aproveitou da situação dela, pois ela estava sob o efeito de drogas e álcool e porque tinha muito medo dele", disse a promotora à AFP, observando que o acusado também está sendo processado por suspeita de ameaças e agressões.

Segundo a acusação, ele teria lucrado mais de 500.000 coroas suecas (54.000 dólares ou 274.400 reais) explorando sexualmente sua parceira.

O homem também foi acusado de exploração sexual agravada e oito estupros, um deles entre sua esposa e um cliente.

As outras sete acusações referem-se a diversos incidentes em que a mulher foi forçada a praticar atos sexuais consigo mesma em vídeos publicados na internet, o que, segundo a lei sueca, configura estupro.

Além disso, o acusado enfrenta acusações por quatro tentativas de estupro e quatro agressões.

- "Certos limites" -

Annerstedt disse à AFP que a mulher "em certa medida concordou com a prostituição".

No entanto, ela se opôs à venda de seus serviços sexuais para determinadas pessoas ou sob determinadas circunstâncias.

"Ela havia estabelecido certos limites. Quando ele não os respeitou, quando a agrediu fisicamente depois que ela disse 'não', essas são situações que configuram acusações de tentativa de estupro ou estupro", explicou a promotora.

Ela acrescentou que aproximadamente 120 pessoas são suspeitas de terem comprado serviços sexuais, das quais 26 foram indiciadas, segundo a imprensa sueca.

O processo, que começou nesta sexta-feira, começa com o julgamento das acusações contra o marido. Os demais réus comparecerão em datas posteriores.

Os supostos eventos ocorreram entre 11 de agosto de 2022 e 21 de outubro de 2025.

Martina Michaelsdotter, advogada do réu, disse à AFP que seu cliente nega as acusações.

"Ele admite ter participado, em certa medida, da atividade da denunciante", afirmou a advogada, acrescentando que seu cliente insiste que "não a facilitou" e que não houve pressão nem violência.

"Ele prestou auxílio em questões técnicas e administrativas", afirmou Michaelsdotter.

O caso gerou grande comoção na Suécia e alguns o compararam ao de Dominique Pelicot, condenado em dezembro de 2024 na França a 20 anos de prisão por drogar sua esposa, Gisèle, para estuprá-la e permitir que dezenas de estranhos fizessem o mesmo entre 2011 e 2020.

Y.Mori--JT