The Japan Times - Solicitantes de asilo vivem com medo das manifestações anti-imigração em Londres

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Solicitantes de asilo vivem com medo das manifestações anti-imigração em Londres
Solicitantes de asilo vivem com medo das manifestações anti-imigração em Londres / foto: Niklas HALLE'N - AFP/Arquivos

Solicitantes de asilo vivem com medo das manifestações anti-imigração em Londres

Na capital britânica, vários hotéis que hospedam solicitantes de asilo foram atacados durante manifestações anti-imigração, gerando temor entre os que estão hospedados ali e também entre os moradores.

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A entrada do hotel Thistle Barbican, que abriga cerca de 600 solicitantes de asilo, no centro da capital, está protegida por barreiras de aço e placas de madeira.

"Eu não me sinto seguro porque as pessoas pensam que somos seus inimigos", declara um dos solicitantes de asilo à AFP, que prefere manter o anonimato.

Este homem africano está hospedado ali há dois anos enquanto sua solicitação de asilo é analisada, devido à obrigação do governo britânico de lhe oferecer abrigo.

Mas "nos últimos dois meses, as pessoas mudaram", diz ele, sentindo uma hostilidade crescente após as últimas manifestações na Inglaterra.

Os protestos começaram em frente a um hotel em Epping, ao nordeste de Londres, onde um solicitante de asilo hospedado ali foi acusado de ter tentado beijar uma adolescente de 14 anos, pelo que foi condenado por agressão sexual na última semana.

A indignação também cresceu nas redes sociais, com publicações que acusavam os migrantes de estarem hospedados em hotéis de luxo e de beneficiarem de vantagens que os britânicos não têm.

"Não estou aqui para atacar mulheres ou crianças, mas para obter proteção", diz à AFP este solicitante de asilo.

Os inquilinos do hotel estão "assustados", concorda Mo Naeimi, refugiado iraniano de 29 anos, que no passado esteve hospedado ali e trabalha para uma associação que ajuda solicitantes de asilo.

Do lado de fora do hotel, manifestantes pintaram a bandeira da Inglaterra (a cruz vermelha de São Jorge sobre fundo branco) em muros ou cabines telefônicas.

Nas últimas semanas, as bandeiras inglesa e britânica se multiplicaram pelo país, uma demonstração de patriotismo fomentada pela extrema direita e ligada a essas manifestações anti-imigração.

Os protestos ocorrem no momento em que o governo trabalhista de Keir Starmer luta para conter a chegada de imigrantes que cruzam clandestinamente o Canal da Mancha.

Mais de 30.000 imigrantes chegaram em pequenos barcos este ano.

- "Tensão palpável" -

Em frente ao Thistle Barbican, um comerciante paquistanês, que chegou a Londres há 20 anos, pendurou a bandeira inglesa na vitrine de seu negócio.

A justificativa, segundo ele, é proteger seu comércio e seus empregados imigrantes dos manifestantes. "Não sou branco, é claro que tenho medo", confessa este homem de 45 anos à AFP.

"Eles poderiam vir quebrar as janelas e nos atacar em vez dos solicitantes de asilo", diz ele.

No leste da capital, o distrito financeiro de Canary Wharf também foi sacudido por manifestações após o anúncio, em julho, de que o hotel Britannia iria abrigar solicitantes de asilo.

Quando Britt-Marie Monks, comerciante de 43 anos, que vive nas proximidades, soube da notícia, seu "coração parou", conta à AFP.

Esta mãe de família diz desconfiar tanto dos solicitantes de asilo hospedados quanto das pessoas que vêm expressar sua ira em frente ao hotel, e por isso evita passar em frente a ele.

Andrew Woods, ex-conselheiro, considera que a presença do hotel "dividiu" os moradores.

Durante uma manifestação, confrontos com a polícia ocorreram em um shopping de luxo do distrito financeiro, com quatro pessoas detidas.

"É o último lugar onde eu esperaria que isso acontecesse", afirma Ziaur Rahman, especialista em informática que vive e trabalha em Canary Wharf.

Para Britt-Marie Monks, trata-se de cidadãos frustrados que querem que o governo preste atenção primeiro aos seus próprios problemas.

Mas Mo Naeimi teme que os solicitantes de asilo sirvam como bodes expiatórios, em um momento em que as condições de vida se deterioram para uma parte dos britânicos.

"Isso vai se intensificar", prevê Britt-Marie Monks, que diz sentir "uma tensão palpável".

Y.Watanabe--JT