The Japan Times - Terremotos na Venezuela deixam quase 1.500 mortos e milhares de desaparecidos

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Terremotos na Venezuela deixam quase 1.500 mortos e milhares de desaparecidos
Terremotos na Venezuela deixam quase 1.500 mortos e milhares de desaparecidos / foto: Federico PARRA - AFP

Terremotos na Venezuela deixam quase 1.500 mortos e milhares de desaparecidos

Milhares de socorristas, familiares e voluntários cavam dia e noite entre montanhas de concreto para encontrar sobreviventes dos terremotos ocorridos há mais de três dias na Venezuela, que deixaram quase 1.500 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos.

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A esperança de encontrar sobreviventes diminuía neste domingo (28), mais de 90 horas após os dois terremotos que, na quarta-feira (24), atingiram este país mergulhado em uma profunda crise política e econômica.

Após três dias, "o padrão é que as pessoas não estejam mais vivas, mas, graças a Deus, ainda podemos encontrar pessoas com sinais vitais", disse à AFP, em La Guaira, um socorrista salvadorenho que pediu para não ser identificado.

Um menino de 11 anos foi resgatado com vida entre os escombros na noite de sábado.

"Foi resgatado com vida um menino de 11 anos em Caraballeda. Nestes momentos, cada vida representa esperança para a Venezuela", afirmou a presidente interina, Delcy Rodríguez, no X, acompanhada de um vídeo do resgate. No sábado, 33 pessoas foram resgatas com vida dos escombros, segundo a presidente.

O chefe da ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, disse na sexta-feira à AFP que o número total de mortos pode aumentar e que há mais de 50 mil desaparecidos.

A cidade litorânea La Guaira, a 40 quilômetros de Caracas e um dos mais afetados pelos sismos de magnitude 7,2 e 7,5, parece uma zona de guerra. Dezenas de edifícios desabaram como castelos de cartas e se transformaram em montanhas de areia e escombros.

- "Não temos esperanças" -

Os esforços de resgate continuam, mesmo enquanto a população local não esconde sua revolta com a assistência lenta e insuficiente do governo.

Marlon Ochoa, sobrevivente do desabamento de um prédio em La Guaira, conta que procura nos escombros por sua mãe, sua esposa e seu filho, todos desaparecidos quando o edifício ruiu.

Como muitos venezuelanos já atingidos pela crise econômica, ele está furioso.

"Ainda não vejo as autoridades assumindo o controle da situação nesta área", disse ele à AFP, desesperado.

"Me disseram que estão deliberando. Deliberando o que? (...) Se hoje não vier ninguém aqui, vamos fazer uma revolução, porque aqui precisamos de coisas: máquinas, geradores, furadeiras, de tudo", afirmou.

"As pessoas aqui estão furiosas; precisamos de ajuda. Há pessoas vivas [sob os escombros], mas nos faltam mão de obra e ferramentas", acrescentou.

Héctor Aguilera, de 60 anos, viajou para a região para ajudar na busca por familiares, alguns soterrados.

"Não temos apoio para retirar nossos familiares. Nós mesmos não conseguimos. Eles estão enterrados lá. Sabemos que estão mortos, mas aqui estamos, esperando a resposta das autoridades", relatou.

"Não temos esperanças, o que me restam são as lembranças", disse resignado.

Um grupo de familiares de desaparecidos bloqueou uma rodovia em La Guaira para exigir ajuda urgente do governo, constataram jornalistas da AFP.

O papa Leão XIV expressou, neste domingo, sua solidariedade com a Venezuela.

"Desejo expressar minha proximidade às irmãs e aos irmãos venezuelanos" e "manifesto minha gratidão e meu encorajamento a todos aqueles que trabalham com generosidade nas tarefas de busca e assistência", disse em uma mensagem em espanhol após a oração do Angelus.

A ONU estima que os terremotos podem deixar quase sete milhões de afetados e danos materiais de 6,7 bilhões de dólares (cerca de 34,6 bilhões de reais), 6% do PIB do país petrolífero.

- "Muito caótico" -

O aeroporto internacional que atende Caracas reabriu parcialmente no sábado e recebe voos de carga com ajuda dos Estados Unidos, informou a repórteres uma autoridade americana de alto escalão, sob condição de anonimato.

A autoridade também destacou que o "USS Fort Lauderdale", um navio militar anfíbio, encontra-se agora na costa da Venezuela, o que viabilizará voos de resgate em La Guaira.

Os Estados Unidos ofereceram 150 milhões de dólares (775 milhões de reais) e o envio de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela.

A presidente informou que 24 países enviaram mais de 2.700 socorristas e 521 toneladas de ajuda humanitária, e afirmou que há 86 unidades estrangeiras com cães treinados para localizar sobreviventes sob os escombros.

A crise econômica na Venezuela afetou gravemente os hospitais e os serviços públicos. Milhões de venezuelanos se exilaram nos últimos anos.

"Está tudo muito caótico; faz calor e há uma desorganização total. Esperamos que ainda haja pessoas para serem encontradas", disse Craig Demeillon, um bombeiro australiano de 43 anos, que chegou à Venezuela vindo de Miami por conta própria para ajudar na tragédia.

- "Autorização para salvar vidas" -

Rodríguez, que governa o país de maneira interina após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro, anunciou na sexta-feira a militarização de La Guaira "para garantir a segurança".

Também restringiu o acesso a pessoas com autorização emitida pelo governo. Centenas de médicos, paramédicos, socorristas e voluntários formaram uma longa fila para obter uma.

"É preciso ter autorização para salvar vidas, imagina só", reclamou Carlos Itriago, socorrista de 27 anos.

La Guaira já havia sido devastada em 1999 por chuvas e deslizamentos que deixaram mais de 10 mil mortos.

S.Suzuki--JT