The Japan Times - 'Prisão ou morte': deportados por Trump presos na Costa Rica temem voltar ao seu país

EUR -
AED 4.330011
AFN 77.816604
ALL 96.386176
AMD 445.27199
ANG 2.11057
AOA 1080.58441
ARS 1706.95796
AUD 1.690751
AWG 2.12374
AZN 2.001046
BAM 1.953484
BBD 2.375883
BDT 144.149066
BGN 1.980039
BHD 0.444535
BIF 3481.804115
BMD 1.179037
BND 1.500778
BOB 8.151334
BRL 6.178977
BSD 1.179601
BTN 106.774838
BWP 15.534579
BYN 3.368605
BYR 23109.122866
BZD 2.372487
CAD 1.613306
CDF 2623.357481
CHF 0.917528
CLF 0.025709
CLP 1015.150551
CNY 8.185051
CNH 8.184945
COP 4294.05232
CRC 584.806528
CUC 1.179037
CUP 31.244477
CVE 110.134401
CZK 24.379295
DJF 210.060907
DKK 7.468143
DOP 74.337942
DZD 153.259481
EGP 55.366398
ERN 17.685553
ETB 182.723404
FJD 2.603373
FKP 0.860599
GBP 0.865826
GEL 3.171396
GGP 0.860599
GHS 12.952641
GIP 0.860599
GMD 86.659176
GNF 10353.118267
GTQ 9.04827
GYD 246.797344
HKD 9.206625
HNL 31.160367
HRK 7.528739
HTG 154.623203
HUF 379.584438
IDR 19841.657958
ILS 3.661204
IMP 0.860599
INR 106.577503
IQD 1545.127832
IRR 49666.928795
ISK 144.809316
JEP 0.860599
JMD 184.946962
JOD 0.835955
JPY 185.017418
KES 152.095646
KGS 103.106443
KHR 4751.517985
KMF 491.658611
KPW 1061.068507
KRW 1730.678721
KWD 0.362459
KYD 0.983034
KZT 586.114976
LAK 25373.911247
LBP 101574.027311
LKR 365.107051
LRD 219.300635
LSL 18.935754
LTL 3.481389
LVL 0.713187
LYD 7.45516
MAD 10.817076
MDL 19.959332
MGA 5224.851532
MKD 61.65157
MMK 2475.902139
MNT 4208.980897
MOP 9.492843
MRU 46.842652
MUR 54.317949
MVR 18.227717
MWK 2049.165735
MXN 20.473563
MYR 4.654863
MZN 75.175678
NAD 18.935336
NGN 1616.931904
NIO 43.41018
NOK 11.446161
NPR 170.839416
NZD 1.969009
OMR 0.453347
PAB 1.179601
PEN 3.964518
PGK 5.0542
PHP 69.307911
PKR 329.944946
PLN 4.217574
PYG 7807.741467
QAR 4.293168
RON 5.094974
RSD 117.387278
RUB 89.901336
RWF 1721.344913
SAR 4.42182
SBD 9.508517
SCR 16.63247
SDG 709.192533
SEK 10.618294
SGD 1.502429
SHP 0.884583
SLE 28.945049
SLL 24723.813011
SOS 673.826757
SRD 44.678417
STD 24403.682969
STN 24.471915
SVC 10.32176
SYP 13039.646688
SZL 18.934999
THB 37.525241
TJS 11.023728
TMT 4.132524
TND 3.354952
TOP 2.838838
TRY 51.310979
TTD 7.990525
TWD 37.358842
TZS 3047.810805
UAH 50.877391
UGX 4200.019556
USD 1.179037
UYU 45.466086
UZS 14460.852111
VES 445.657489
VND 30616.640206
VUV 140.961863
WST 3.214255
XAF 655.060768
XAG 0.014992
XAU 0.00024
XCD 3.186406
XCG 2.125979
XDR 0.814834
XOF 655.180078
XPF 119.331742
YER 280.993934
ZAR 19.036252
ZMK 10612.744345
ZMW 23.091618
ZWL 379.649395
'Prisão ou morte': deportados por Trump presos na Costa Rica temem voltar ao seu país
'Prisão ou morte': deportados por Trump presos na Costa Rica temem voltar ao seu país / foto: Ezequiel BECERRA - AFP

'Prisão ou morte': deportados por Trump presos na Costa Rica temem voltar ao seu país

Marwa fugiu do Afeganistão porque queria estudar, trabalhar, usar jeans e ir ao parque sem a companhia obrigatória de um homem. Agora, presa em um abrigo na Costa Rica com diversos deportados pelos Estados Unidos, teme que a façam voltar: "os talibãs me matarão".

Tamanho do texto:

Atrás das grades do Centro de Atenção Temporários de Migrantes (Catem), perto da fronteira com o Panamá, essa afegã de 27 anos diz, fora das câmeras e sob nome fictício, que seu esposo também corre perigo e que sua filha de dois anos não tem futuro no Afeganistão.

"Se volto, morrerei. Os talibãs me matarão. Perdi meu pai e meu tio ali. Escutei explosões e vi mortos. Não quero perder meu marido nem o meu bebê", diz a uma equipe da AFP que, em meio aos arbustos em um ponto sem vigilância policial, falou com vários deportados em inglês.

Marwa, seu esposo, Mohammad Asadi, e sua filha fazem parte dos 200 migrantes - 80 deles crianças - do Afeganistão, Irã, Rússia e outros países asiáticos e alguns africanos que os Estados Unidos enviaram há um mês em dois voos para a Costa Rica.

O governo de Donald Trump fechou as vias legais de entrada aos Estados Unidos, suspendeu os programas de refugiados e iniciou uma caça aos migrantes para deportá-los.

Além da Costa Rica, mandou 300 asiáticos para o Panamá e 238 venezuelanos para El Salvador, que foram presos em uma prisão de segurança máxima, alegando, sem provas, que integravam a facção criminosa Tren de Aragua.

- Limbo tropical -

Dos que chegaram com Marwa, 74 foram repatriados, 10 voltarão em breve e mais de cem esperam em um limbo: rejeitam retornar ao seu país, mas nenhum outro, mesmo a Costa Rica com longa tradição de ceder refúgio, lhes concedeu asilo.

"Não podemos voltar e também não podemos ficar aqui. Não conhecemos a cultura nem falamos espanhol. Não temos parentes como no Canadá, Estados Unidos ou Europa", disse Marwa, que usa um hijab de tecido leve pelo calor úmido que faz no país.

Vender materiais de construção aos americanos foi o que colocou seu esposo, Asadi, de 31 anos, na mira quando os talibãs voltaram ao poder em 2021.

Ambos saíram e foram para o Irã, onde tudo também foi difícil. Dois anos e meio depois viajaram para o Brasil e fizeram por terra a travessia por diversos países - incluindo a perigosa Selva do Darién no Panamá - para chegar aos Estados Unidos.

"Há muitos cartéis no caminho que nos tiraram dinheiro e nos torturaram física e mentalmente", relata Alireza Salimivir, um iraniano de 35 anos que teve trajetória similar com sua esposa.

Ela ficou presa nos Estados Unidos no processo de deportação, mas Salimivir espera reencontrá-la em breve. Para os dois, a repatriação também não é opção: "Por nossa conversão do islã para o cristianismo nos condenarão à prisão ou à morte".

Deportado com sua esposa e seu filho de seis anos, German Smirnov, de 36, acredita que na Rússia de Vladimir Putin seria "torturado" por denunciar irregularidades que disse ter visto como observador nas eleições de 2024; "Me farão escolher: ir para a prisão ou para a guerra", afirma.

- "Cúmplice" dos EUA -

Quando estiveram presos para serem deportados, recorda Asadi, oficiais americanos ofenderam Marwa por usar hijab. "Trataram mulheres e crianças como escória", acrescenta Smirnov.

No Catem, 350 km ao sul de San José, tem boa comida e celulares, mas seus passaportes estão retidos pela polícia e não é permitido sair, embora não possuam antecedentes criminais.

"Há um padrão sistemático de violação de direitos humanos em um país que sempre se orgulhou em defendê-los. É um retrocesso gravíssimo para a Costa Rica", declarou o ex-diplomata Mauricio Herrera, que apresentou um habeas corpus a favor dos deportados.

Ao justificar o acordo com Washington, o presidente Rodrigo Chaves disse estar "ajudando o irmão poderoso do norte".

"A Costa Rica não deveria ser cúmplice dos abusos flagrantes dos Estados Unidos", alertou Michael Garcia Bochenek, da Human Rights Watch.

Segundo vários deportados, as autoridades disseram a ele na quarta-feira que se obtivessem refúgio deverão deixar o abrigo. Assim fez o Panamá com dezenas que, após prendê-los em um centro no Darién, os liberou, abandonados à sua própria sorte.

Marwa não sabe o que irá acontecer, mas está segura de não querer usar burca nem ficar em casa cozinhando e criando bebês. Muito menos deseja esse futuro para sua filha.

"Tudo está fechado para as mulheres... as escolas, as universidades. Não é normal. Sou um ser humano, escolho e quero estar assim", disse mostrando seus jeans pouco antes de se distanciar da cerca para voltar com Asad, de mãos dadas, ao Catem.

K.Yoshida--JT