The Japan Times - Gisèle Pelicot, de sobrevivente de estupros em série a ícone feminista

EUR -
AED 4.330984
AFN 77.242325
ALL 96.717297
AMD 445.508099
ANG 2.111042
AOA 1081.419041
ARS 1700.904617
AUD 1.693874
AWG 2.122741
AZN 2.013887
BAM 1.957162
BBD 2.377044
BDT 144.340433
BGN 1.980482
BHD 0.444608
BIF 3497.32967
BMD 1.179301
BND 1.503101
BOB 8.154639
BRL 6.222582
BSD 1.180216
BTN 106.658762
BWP 15.624872
BYN 3.380652
BYR 23114.291079
BZD 2.373541
CAD 1.61366
CDF 2629.840418
CHF 0.917832
CLF 0.025864
CLP 1021.27426
CNY 8.182046
CNH 8.182707
COP 4361.05349
CRC 585.107121
CUC 1.179301
CUP 31.251465
CVE 110.341308
CZK 24.246655
DJF 210.165343
DKK 7.467255
DOP 74.481825
DZD 153.173321
EGP 55.255774
ERN 17.689508
ETB 183.891253
FJD 2.605667
FKP 0.863465
GBP 0.869221
GEL 3.178211
GGP 0.863465
GHS 12.957961
GIP 0.863465
GMD 86.08881
GNF 10358.163363
GTQ 9.05226
GYD 246.910755
HKD 9.214607
HNL 31.174692
HRK 7.53491
HTG 154.823132
HUF 379.153977
IDR 19903.05564
ILS 3.68917
IMP 0.863465
INR 107.055134
IQD 1546.07577
IRR 49678.036498
ISK 144.806309
JEP 0.863465
JMD 184.588438
JOD 0.836111
JPY 185.206205
KES 152.129955
KGS 103.130147
KHR 4763.172883
KMF 494.126479
KPW 1061.405893
KRW 1731.142391
KWD 0.362493
KYD 0.983484
KZT 582.075012
LAK 25366.650286
LBP 105710.180544
LKR 365.224125
LRD 219.511807
LSL 19.066467
LTL 3.482168
LVL 0.713347
LYD 7.47617
MAD 10.832291
MDL 20.056956
MGA 5221.633248
MKD 61.636336
MMK 2476.27553
MNT 4209.108813
MOP 9.497108
MRU 47.077757
MUR 54.319021
MVR 18.22057
MWK 2046.423916
MXN 20.501834
MYR 4.657646
MZN 75.180118
NAD 19.066467
NGN 1613.448075
NIO 43.428929
NOK 11.513689
NPR 170.654743
NZD 1.972392
OMR 0.45343
PAB 1.180216
PEN 3.967144
PGK 5.13057
PHP 68.943679
PKR 330.45143
PLN 4.21679
PYG 7793.389651
QAR 4.301375
RON 5.093369
RSD 117.385242
RUB 90.661415
RWF 1722.498526
SAR 4.42244
SBD 9.502979
SCR 16.380355
SDG 709.350537
SEK 10.71536
SGD 1.502399
SHP 0.884781
SLE 28.833802
SLL 24729.342339
SOS 673.268465
SRD 44.659986
STD 24409.140703
STN 24.517059
SVC 10.326185
SYP 13042.562925
SZL 19.05726
THB 37.377957
TJS 11.046439
TMT 4.133448
TND 3.419765
TOP 2.839473
TRY 51.435072
TTD 7.991561
TWD 37.356109
TZS 3048.491552
UAH 50.927336
UGX 4212.913512
USD 1.179301
UYU 45.541495
UZS 14476.072549
VES 445.758072
VND 30621.128827
VUV 141.14774
WST 3.21518
XAF 656.413737
XAG 0.016021
XAU 0.000243
XCD 3.187119
XCG 2.12698
XDR 0.816368
XOF 656.410952
XPF 119.331742
YER 281.152835
ZAR 19.081557
ZMK 10615.136605
ZMW 21.922161
ZWL 379.734301
Gisèle Pelicot, de sobrevivente de estupros em série a ícone feminista
Gisèle Pelicot, de sobrevivente de estupros em série a ícone feminista / foto: Christophe SIMON - AFP

Gisèle Pelicot, de sobrevivente de estupros em série a ícone feminista

Os estupros cometidos por desconhecidos e planejados por seu marido poderiam tê-la destruído, mas a francesa Gisèle Pelicot decidiu enfrentar seus agressores nos tribunais para exigir que "a vergonha mude de lado" e virou um ícone feminista mundial.

Tamanho do texto:

Em setembro, quando o julgamento contra seu agora ex-marido e outros 50 réus começou em Avignon, sul da França, os jornalistas viram uma mulher de cabelo curto, ruiva, escondida atrás dos óculos escuros.

A vítima era uma avó cujo companheiro de vida de meio século admitiu que a drogou entre 2011 e 2020 para deixá-la inconsciente e estuprá-la, ao lado de dezenas de homens desconhecidos que ele contactou pela internet.

Mas Gisèle renunciou ao direito de anonimato e exigiu uma autorização de acesso do público ao julgamento para aumentar a conscientização sobre a submissão química, o uso de drogas para cometer agressões sexuais.

A mulher de 72 anos conquistou o coração da França e, além disso, provocou uma onda de obras de arte em sua homenagem, após afirmar que seus agressores, e não ela, eram aqueles que deveriam sentir vergonha.

"Eu queria que todas as mulheres vítimas de estupro afirmassem: 'Se a senhora Pelicot fez isso, nós podemos fazer'", declarou em outubro. "Não quero que (as vítimas) sintam mais vergonha, e sim os agressores", acrescentou.

O julgamento foi acompanhado por manifestações de apoio na França, onde várias pessoas começaram a aplaudi-la e a oferecer flores quando ela chegava ao tribunal.

E, aos poucos, Gisèle Pelicot tirou os óculos escuros.

- "Um estupro é um estupro" -

Em dezembro, a emissora britânica BBC a incluiu na lista de 100 personalidades femininas do ano, ao lado da sobrevivente de estupros em série e vencedora do Nobel da Paz Nadia Murad e da ginasta brasileira Rebeca Andrade.

Gisèle obteve em agosto o divórcio de seu marido Dominique Pelicot. O homem de 72 anos admitiu as agressões sexuais, que documentou meticulosamente por anos com fotos e vídeos.

Sua ex-mulher se mudou para longe de Mazan, a cidade no sul da França onde a maioria dos estupros ocorreu e onde foi tratada como "um pedaço de carne", uma "boneca de pano" em sua casa, em suas próprias palavras.

Ela agora usa seu sobrenome de solteira, mas durante o julgamento pediu à imprensa que utilize o sobrenome de casada, que passou a alguns de seus sete netos.

Em meados de setembro, Gisèle abandonou sua reserva habitual para expressar a raiva pela humilhação que sentiu quando vários advogados insinuaram uma possível cumplicidade. "Um estupro é um estupro", respondeu.

Durante o julgamento, ela pediu que a sociedade "machista e patriarcal" mude sua atitude em relação ao estupro e falou sobre sua indignação por nenhum de seus agressores ter alertado a polícia. Alguns a estupraram até seis vezes.

Alguns réus se defenderam alegando que acreditavam participar de uma fantasia de um casal libertino, pois tinham o consentimento do marido, um exemplo de sua "covardia", na opinião da vítima.

- Lapsos de memória -

Cinquenta homens, além de seu ex-marido, aguardam a sentença na próxima quinta-feira, incluindo um que não estuprou Gisèle, mas que usou o mesmo método para agredir sexualmente sua esposa com a ajuda de Dominique Pelicot.

Vários dos corréus admitiram os estupros. Mas outros 20 suspeitos seguem em liberdade porque os investigadores não conseguiram identificá-los antes do macrojulgamento.

Esta filha de militar nasceu em Villingen, no sudoeste da Alemanha, em 7 de dezembro de 1952 e se mudou para a França com cinco anos. Quando tinha nove anos, sua mãe morreu de câncer com apenas 35 anos.

Quando seu irmão Michel faleceu vítima de um ataque cardíaco em 1971, aos 43 anos, ela ainda não havia completado 20. No mesmo ano, conheceu Dominique Pelicot, seu futuro marido e agressor sexual.

Seu sonho era ser cabeleireira, mas ela fez um curso de datilografia. Após alguns anos de trabalhos temporários, Gisèle desenvolveu toda a sua carreira no grupo elétrico francês EDF, onde terminou como responsável por um departamento de logística para centrais nucleares.

Em casa, cuidou de seus três filhos e depois dos sete netos. Quando se aposentou, ela gostava de caminhar e cantar em um coral local.

Apenas quando a polícia flagrou seu ex-marido filmando por baixo das saias de uma mulher em um shopping em 2020, ela descobriu a razão de seus preocupantes lapsos de memória.

K.Yoshida--JT