PF faz busca na casa do senador petista Jaques Wagner, suspeito de vínculos com Banco Master
A Polícia Federal iniciou, nesta quinta-feira (18), uma operação contra o senador Jaques Wagner (PT), importante aliado do presidente Lula e líder do governo no Senado, por supostas irregularidades ligadas ao escândalo do Banco Master, disse uma fonte à AFP.
A PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em três estados, como parte de uma investigação relacionada ao liquidado banco e supostos laços entre seu proprietário, Daniel Vorcaro, e figuras dos poderes públicos.
A inclusão de Wagner nas investigações aproxima esse escândalo de Lula, que busca a reeleição em outubro.
Wagner, de 75 anos, minimizou as acusações: "Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master", declarou ao canal Band News.
A PF realizou buscas em diversos endereços vinculados ao senador como parte da operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), segundo uma decisão judicial consultada pela AFP.
O senador afirmou que os agentes chegaram à sua residência nas primeiras horas da manhã e "arrombaram" uma porta.
Segundo a ordem do STF que autorizou a operação, Wagner, de 75 anos, é acusado de receber "vantagens econômicas indevidas", como vultosos pagamentos e um apartamento que superam um milhão de dólares (5,06 bilhões de reais, na cotação atual), bem como o uso de aviões particulares.
Em troca, ele teria atuado na defesa dos interesses do Banco Master, como a tramitação no Senado de uma emenda constitucional - que não avançou - para aumentar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aos bancos do país.
Senador pelo PT, Wagner foi governador da Bahia e ocupou diversos cargos no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (2011–2016), incluindo o de ministro da Defesa.
- Lavagem de dinheiro -
"Os fatos investigados podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro", informou a Polícia Federal em comunicado.
Edinho Silva, presidente nacional do PT, expressou confiança de que o senador Jaques Wagner "esclarecerá todos os fatos, comprovando sua inocência".
"Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados", afirmou em nota.
O escândalo do Banco Master começou em novembro com sua liquidação por insolvência, após acumular mais de 37 bilhões de reais de dívidas a cerca de 800 mil investidores, posteriormente ressarcidos pelo fundo garantidor.
A investigação rapidamente passou a focar nos supostos vínculos suspeitos com figuras dos poderes públicos de diferentes correntes políticas. Preso em março, Vorcaro teria afirmado à polícia que tinha "amigos em todos os poderes".
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, é questionado por ter negociado com o banqueiro.
Segundo áudios divulgados pela imprensa no mês passado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) pediu dinheiro a Vorcaro para realizar um filme sobre seu pai, produzido nos Estados Unidos e protagonizado pelo ator Jim Caviezel.
Depois destas revelações, Flávio Bolsonaro recuou nas pesquisas e agora se situa vários pontos atrás de Lula nas intenções de voto para o segundo turno.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro (2019-2022) também foi alvo de buscas da Polícia Federal em maio. Ele é investigado por supostamente receber recursos do Banco Master em troca de favores políticos.
Lula, que admitiu ter se reunido com Vorcaro em 2024, prometeu que o caso será investigado até as últimas consequências.
T.Ikeda--JT