The Japan Times - Líder da Igreja Anglicana renuncia após abuso infantil cometido por advogado ligado à instituição

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Líder da Igreja Anglicana renuncia após abuso infantil cometido por advogado ligado à instituição
Líder da Igreja Anglicana renuncia após abuso infantil cometido por advogado ligado à instituição / foto: Andrew Milligan - POOL/AFP/Arquivos

Líder da Igreja Anglicana renuncia após abuso infantil cometido por advogado ligado à instituição

O líder da Igreja Anglicana, Justin Welby, anunciou sua renúncia em um comunicado nesta terça-feira (12), após denúncias de que sua instituição encobriu agressões físicas e sexuais a menores durante anos por um advogado ligado a ela.

Tamanho do texto:

“Espero que essa decisão deixe claro o quanto a Igreja da Inglaterra entende seriamente a necessidade de mudança e nosso profundo compromisso de criar uma instituição mais segura”, disse Welby, arcebispo de Canterbury, no texto.

Vários líderes religiosos anglicanos vinham pedindo a renúncia de Welby há dias, depois de um relatório contundente sobre a forma como a Igreja lidou com o caso.

Em 9 de novembro, três membros do Sínodo Geral, o órgão eleito responsável por decidir questões de doutrina da Igreja da Inglaterra, apresentaram uma petição pedindo sua renúncia, que na terça-feira tinha mais de 12.500 assinaturas.

Entre a década de 1970 e meados da década de 2010, John Smyth, um advogado que presidiu uma instituição de caridade ligada à Igreja Anglicana e organizou acampamentos de férias, abusou sexualmente de 130 crianças e jovens no Reino Unido e depois na África, principalmente no Zimbábue e na África do Sul, onde se estabeleceu e morreu em 2018, sem ser julgado.

A instituição foi oficialmente informada desses fatos em 2013, mas muitos perpetradores sabiam deles desde a década de 1980 e os mantiveram em silêncio como parte de uma “campanha de encobrimento”, concluiu uma investigação encomendada pela própria Igreja Anglicana em um relatório publicado na última quinta-feira.

- Reação de Starmer -

Antes do anúncio de Welby, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, do Partido Trabalhista, descreveu nesta terça-feira as agressões físicas e sexuais contra crianças como “horríveis” e lamentou o fato de as vítimas terem sido “abandonadas”.

Starmer não comentou diretamente sobre os pedidos de renúncia de Justin Welby.

“É uma questão para a Igreja”, disse ele durante uma coletiva de imprensa em Baku, onde participa da COP29.

"Mas não hesitarei em dizer que essas denúncias são horríveis e que meus pensamentos estão com as vítimas, que foram abandonadas de forma muito grave”, acrescentou o primeiro-ministro trabalhista.

Justin Welby, que pediu desculpas pelo caso há alguns dias, também descreveu os ataques como “atrozes” em sua declaração.

“Está muito claro que devo assumir a responsabilidade pessoal e institucional pelo longo e traumático período entre 2013 e 2024”, acrescentou no texto.

“Esses últimos dias reacenderam o profundo sentimento de vergonha que há muito tempo sinto em relação às falhas históricas da Igreja da Inglaterra em relação à proteção. Durante quase doze anos, esforcei-me para conseguir melhorias. Cabe a outros julgar o que foi alcançado”, disse o arcebispo de Canterbury.

- "Deveria ter denunciado" -

De acordo com o relatório, que detalha o sofrimento físico, sexual e psicológico que infligiu às suas vítimas, Smyth “é possivelmente o mais prolífico abusador em série associado à Igreja da Inglaterra”.

Entre outras coisas, o advogado levava crianças pequenas para sua casa no sul da Inglaterra, onde as espancava com uma bengala, às vezes até sangrarem, citando justificativas teológicas.

O relatório também conclui que o arcebispo de Canterbury “poderia e deveria ter denunciado” a violência cometida pelo advogado à polícia a partir de 2013, quando ele se tornou primaz da Igreja da Inglaterra.

O caso só veio a público em 2017, após a transmissão de um documentário do Channel 4.

De acordo com outro relatório publicado há quatro anos, 390 pessoas ligadas à Igreja da Inglaterra foram condenadas por crimes sexuais desde a década de 1940 até 2018.

K.Hashimoto--JT