The Japan Times - Jornalista japonesa traz seu solitário grito do #MeToo a Sundance

EUR -
AED 4.335689
AFN 77.907472
ALL 96.499843
AMD 446.503942
ANG 2.113037
AOA 1082.44004
ARS 1708.938394
AUD 1.687138
AWG 2.127698
AZN 2.001594
BAM 1.953764
BBD 2.376254
BDT 144.169755
BGN 1.982353
BHD 0.444977
BIF 3482.171097
BMD 1.180415
BND 1.500936
BOB 8.152538
BRL 6.188101
BSD 1.179785
BTN 106.771187
BWP 15.536874
BYN 3.369089
BYR 23136.130958
BZD 2.372797
CAD 1.613249
CDF 2596.912637
CHF 0.917325
CLF 0.025678
CLP 1013.929255
CNY 8.189951
CNH 8.194593
COP 4285.00032
CRC 584.870665
CUC 1.180415
CUP 31.280993
CVE 110.145548
CZK 24.380403
DJF 209.78337
DKK 7.467098
DOP 74.013182
DZD 153.13546
EGP 55.354732
ERN 17.706223
ETB 182.783688
FJD 2.602402
FKP 0.861604
GBP 0.864577
GEL 3.18123
GGP 0.861604
GHS 12.954554
GIP 0.861604
GMD 86.170109
GNF 10353.771376
GTQ 9.049263
GYD 246.833811
HKD 9.221933
HNL 31.170648
HRK 7.537537
HTG 154.639499
HUF 379.775157
IDR 19830.143102
ILS 3.653154
IMP 0.861604
INR 106.745328
IQD 1545.595823
IRR 49724.975522
ISK 144.80106
JEP 0.861604
JMD 185.007197
JOD 0.836967
JPY 185.227751
KES 152.214672
KGS 103.227395
KHR 4762.05745
KMF 493.41333
KPW 1062.308599
KRW 1723.547409
KWD 0.362789
KYD 0.98318
KZT 586.097419
LAK 25377.660469
LBP 105652.243299
LKR 365.147093
LRD 219.441312
LSL 18.855012
LTL 3.485458
LVL 0.714021
LYD 7.455914
MAD 10.815762
MDL 19.962281
MGA 5226.575326
MKD 61.648648
MMK 2478.795775
MNT 4213.900016
MOP 9.494246
MRU 46.847591
MUR 54.157713
MVR 18.237541
MWK 2045.413175
MXN 20.44887
MYR 4.641383
MZN 75.251613
NAD 18.85573
NGN 1615.468857
NIO 43.415123
NOK 11.412835
NPR 170.864659
NZD 1.966199
OMR 0.453867
PAB 1.179776
PEN 3.966067
PGK 5.054561
PHP 69.581927
PKR 329.981132
PLN 4.217743
PYG 7808.597758
QAR 4.30317
RON 5.094436
RSD 117.379271
RUB 90.004751
RWF 1721.912823
SAR 4.426687
SBD 9.511903
SCR 16.188746
SDG 710.016027
SEK 10.60626
SGD 1.502485
SHP 0.885617
SLE 28.890652
SLL 24752.708222
SOS 673.101387
SRD 44.730677
STD 24432.204039
STN 24.474805
SVC 10.322805
SYP 13054.886383
SZL 18.854431
THB 37.442843
TJS 11.025357
TMT 4.143256
TND 3.412228
TOP 2.842155
TRY 51.3705
TTD 7.991874
TWD 37.367804
TZS 3045.812667
UAH 50.895254
UGX 4200.622372
USD 1.180415
UYU 45.470687
UZS 14462.438063
VES 438.69004
VND 30669.538497
VUV 141.126608
WST 3.218011
XAF 655.276887
XAG 0.013483
XAU 0.000239
XCD 3.19013
XCG 2.126293
XDR 0.813873
XOF 655.290751
XPF 119.331742
YER 281.381387
ZAR 18.966079
ZMK 10625.152197
ZMW 23.09503
ZWL 380.093098
Jornalista japonesa traz seu solitário grito do #MeToo a Sundance
Jornalista japonesa traz seu solitário grito do #MeToo a Sundance / foto: CHARLY TRIBALLEAU - AFP/Arquivos

Jornalista japonesa traz seu solitário grito do #MeToo a Sundance

Quando a jornalista japonesa Shiori Ito acusou um proeminente correspondente da televisão de violentá-la foi ignorada pela polícia, por promotores e boa parte da imprensa. Mas sua persistência a transformou em uma voz excepcional do movimento #MeToo em seu país.

Tamanho do texto:

Desafiando tabus, ela investigou seu próprio caso, gravou secretamente telefonemas e reuniões, e reuniu evidências suficientes para sustentar uma ação civil por perdas e danos em um tribunal em Tóquio, que decidiu a seu favor, concedendo-lhe uma indenização de 30.000 dólares (R$ 147,6 mil, na cotação atual).

Esta vitória impressionante, que teve repercussão internacional e foi seguida no ano passado pelo endurecimento das antiquadas leis de estupro no Japão, é o tema de "Black Box Diaries", novo documentário dirigido por Ito, que estreia no Festival de Cinema de Sundance.

"Queria contar [a história] do ponto de vista do sobrevivente, o que realmente ocorreu. Não queria que ninguém mais contasse a história", disse Ito à AFP antes da estreia do filme.

Ela conta que Noriyuki Yamaguchi, um ex-jornalista da televisão ligado ao então primeiro-ministro Shinzo Abe, a estuprou depois de convidá-la para jantar para conversar sobre uma oportunidade de emprego em 2015.

Inicialmente, a polícia disse a Ito que havia evidências suficientes e que deteria Yamaguchi. Mas depois, do nada, voltaram atrás.

No filme, Ito grava um dos investigadores dizendo-lhe que a ordem veio de "cima" e que o tinham tirado do caso.

"A princípio, comecei a gravar as conversas com a polícia para me proteger", disse Ito.

"Se o sistema funcionasse perfeitamente, não teria que fazer isso. Ficaria satisfeita que eles tivessem investigado, mas não foi o que aconteceu. Por isso, tive que continuar averiguando".

- Ódio -

A produção também aborda os ataques que ela sofreu após romper o silêncio.

Vítimas de estupro no Japão raramente reportam os ataques à polícia. Segundo uma pesquisa do governo de 2017, apenas 4% das mulheres violentadas denunciavam.

Ito sofreu ameaças de morte e teve que deixar seu país temporariamente.

Até mesmo sua família "odiou" que ela não ficasse calada.

"Decidi gravar o filme depois de tornar minha história pública e ver como tinha sido negativa a reação no Japão", disse.

Não foram apresentadas acusações criminais contra Yamaguchi. O ex-jornalista nega as acusações de Ito, a quem processou por difamação.

Mas a Suprema Corte do Japão apoiou a decisão do tribunal de Tóquio a favor de Ito.

Além disso, no ano passado, após manifestações nacionais contra absolvições em vários casos de estupro, foi aprovada uma lei para eliminar a obrigatoriedade de que os promotores provassem que as vítimas tinham sido incapacitadas pela violência.

A idade de consentimento sexual no Japão também foi elevada de 13 anos (uma das mais baixas do mundo) para 16.

Ito comemorou as reformas no âmbito legal contra acusações de estupro, mas disse que "não foi suficiente".

A jornalista diz estar se preparando para voltar a deixar o país por medo da repercussão que o filme terá quando estrear lá.

"Talvez desta vez seja diferente. As coisas estão mudando", afirmou.

"Mas sempre que falamos contra a violência sexual ou a favor da igualdade de gênero, especialmente no Japão, mas imagino que no resto do munto também, há muitas ameaças".

- #MeToo -

Ito denunciou seu caso pela primeira vez em 2017, pouco antes de o movimento #MeToo explodir, a partir das denúncias contra abuso de poder do produtor de cinema americano Harvey Weinstein.

"Realmente me ajudou", disse ela, mas no Japão, a luta, afirma, foi solitária.

"Sempre me senti muito isolada. Era apontada como 'essa pessoa do #MeToo'".

"Sabia que havia outras vozes, mas ninguém falava disso. Sentia como se eu fosse um mau exemplo do que acontece quando a gente abre a boca".

Desde então, mais mulheres têm feito denúncias.

Em dezembro, três ex-soldados japoneses foram declarados culpados de agredir sexualmente sua colega, Rina Gonoi.

"Rina me falou antes de romper o silêncio. Se ela não tivesse falado, seu caso estaria encerrado. Não teria acontecido nada", disse Ito.

Alguns sinais menores mostram que o movimento #MeToo finalmente chegou à indústria do entretenimento japonesa.

A maior agência de grupos juvenis admitiu, no ano passado, que seu falecido fundador, Johnny Kitagawa, abusou de jovens talentos.

E o comediante Hitoshi Matsumoto foi acusado por duas mulheres de agredi-las, o que ele nega.

Ito afirma que a luta é "contínua". "Não podemos parar nunca. Há avanços, mas não podemos retroceder".

Y.Kato--JT