The Japan Times - Pressão de Trump sobre Powell

EUR -
AED 4.097993
AFN 71.414806
ALL 90.507114
AMD 401.568079
ANG 1.997149
AOA 1024.359063
ARS 1713.119834
AUD 1.587034
AWG 2.011337
AZN 1.898869
BAM 1.946918
BBD 2.24466
BDT 138.358818
BGN 1.950334
BHD 0.42078
BIF 3344.542467
BMD 1.11586
BND 1.423805
BOB 13.513353
BRL 6.070386
BSD 1.114516
BTN 105.764511
BWP 15.397757
BYN 3.282924
BYR 21870.84696
BZD 2.241375
CAD 1.558689
CDF 2583.214497
CHF 0.920322
CLF 0.028151
CLP 1107.958911
CNY 7.432847
CNH 7.423495
COP 3530.892354
CRC 506.788074
CUC 1.11586
CUP 26.746982
CVE 109.764264
CZK 24.358056
DJF 198.454666
DKK 7.473849
DOP 67.551834
DZD 150.860785
EGP 62.478574
ERN 16.737893
ETB 179.922707
FJD 2.503656
FKP 0.833241
GBP 0.833486
GEL 2.90048
GGP 0.833241
GHS 12.983769
GIP 0.833241
GMD 82.573826
GNF 9864.001222
GTQ 8.520132
GYD 233.604316
HKD 8.752958
HNL 29.955346
HRK 7.553264
HTG 146.013896
HUF 365.775453
IDR 20227.353238
ILS 3.508887
IMP 0.833241
INR 105.909015
IQD 1689.492671
IRR 2084888.700277
ISK 135.944976
JEP 0.833241
JMD 177.102075
JOD 0.791141
JPY 176.040197
KES 144.8293
KGS 97.580465
KHR 4547.255786
KMF 492.094235
KPW 1004.273542
KRW 1487.909187
KWD 0.347222
KYD 0.928763
KZT 505.324749
LAK 25092.529902
LBP 99800.418538
LKR 370.698902
LRD 189.455718
LSL 18.572972
LTL 3.294844
LVL 0.674972
LYD 7.164317
MAD 10.95821
MDL 19.948994
MGA 5041.003349
MKD 61.295375
MMK 2342.891451
MNT 4016.552883
MOP 9.005717
MRU 45.191838
MUR 52.758214
MVR 17.240275
MWK 1932.08598
MXN 20.965918
MYR 4.52838
MZN 71.314614
NAD 18.572972
NGN 1502.471638
NIO 41.012902
NOK 10.283968
NPR 169.223018
NZD 1.983519
OMR 0.427042
PAB 1.114615
PEN 3.857403
PGK 5.071863
PHP 71.152221
PKR 308.316983
PLN 4.412694
PYG 6529.214251
QAR 4.062666
RON 5.336263
RSD 116.986318
RUB 90.012959
RWF 1645.194754
SAR 4.189383
SBD 8.991826
SCR 16.350112
SDG 671.174916
SEK 10.955967
SGD 1.426358
SHP 0.835037
SLE 25.553385
SLL 23399.021505
SOS 636.894538
SRD 41.978075
STD 23096.039541
STN 24.388741
SVC 9.751514
SYP 14508.405371
SZL 18.567297
THB 37.630146
TJS 10.258701
TMT 3.905508
TND 3.332796
TOP 2.686722
TRY 55.760896
TTD 7.556528
TWD 36.4009
TZS 2953.32716
UAH 50.548402
UGX 4736.392957
USD 1.11586
UYU 44.8056
UZS 13367.020729
VES 990.302803
VND 28793.081608
VUV 132.370363
WST 3.097869
XAF 655.957
XAG 0.022392
XAU 0.000285962018
XCD 3.015666
XCG 2.008537
XDR 0.788971
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 263.560612
ZAR 18.635451
ZMK 10044.078907
ZMW 22.473478
ZWL 359.306316
SSP 6410.855901
MXV 2.362974

Pressão de Trump sobre Powell




O confronto entre a presidência dos Estados Unidos e a liderança do Federal Reserve atingiu um novo ápice em janeiro de 2026. Em um pronunciamento público no fim de semana, o presidente do banco central norte‑americano, Jerome Powell, revelou que a instituição recebeu intimações de um grande júri do Departamento de Justiça, com a ameaça de uma acusação criminal. A medida, decorrente de seu depoimento ao Congresso sobre a reforma dos edifícios da sede do Fed, foi apresentada por ele como parte de uma campanha de intimidação política.

Powell afirmou em comunicado escrito e em vídeo que “a ameaça de acusações criminais é uma consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que serve ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”. Segundo ele, os procuradores querem apurar se houve falsas declarações durante audiência sobre o projeto de renovação da sede, cujo custo subiu de cerca de US$ 1,9 bilhão para US$ 2,5 bilhões. O presidente do Fed rebateu a acusação, atribuindo o aumento às diferenças entre estimativas iniciais e custos reais de materiais, mão de obra e problemas como contaminação tóxica. Durante o depoimento, Powell rejeitou denúncias de que haveria salas de jantar luxuosas ou jardins extravagantes, classificando esses itens como pretextos que já foram retirados do projeto.

Embora reconheça que “ninguém, certamente não o presidente do Federal Reserve, está acima da lei”, o economista considera a intimação uma tentativa de politizar a política monetária. Para ele, a questão central é se o banco central continuará definindo as taxas de juros com base em evidências e condições econômicas, ou se passará a ser dirigido por pressão política e intimidação. Powell lembrou que serviu sob quatro administrações, republicanas e democratas, e assegurou que continuará a cumprir seu mandato de estabilidade de preços e pleno emprego com integridade. Seu mandato como presidente termina em maio de 2026, mas ele pode permanecer no conselho de governadores até 2028.

A resposta de Trump e a escalada de pressões
Em entrevista transmitida no domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou ter conhecimento da investigação. Apesar disso, repetiu críticas à condução da política monetária. “Não sei nada sobre isso, mas certamente ele não é muito bom no Federal Reserve, nem em construir prédios”, declarou. Trump tem cobrado cortes mais agressivos nos juros desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025, alegando que as taxas atuais são “muito altas” e encarecem o crédito, a habitação e os custos de endividamento do governo. O presidente já chamou Powell de “tolo” e “idiota” e disse, em dezembro, que estudava processá‑lo por “incompetência grave” na reforma da sede.

As intimações do Departamento de Justiça marcam uma escalada na disputa que se arrasta desde o primeiro mandato de Trump. Nos últimos meses o presidente exigiu cortes rápidos nos juros e acusou o Fed de extrapolar o orçamento das obras da sede em Washington, sugerindo fraude. Ele mencionou um custo total de cerca de US$ 3,1 bilhões, acima das projeções iniciais, cifra que Powell nega. O presidente também já manifestou vontade de demitir o presidente do Fed e, em outro gesto extraordinário, tentou afastar a diretora Lisa Cook — tentativa que enfrenta exame da Suprema Corte.

Reações políticas e de mercado
A investida contra o Fed gerou críticas incomuns entre parlamentares e ex‑dirigentes da política monetária. O senador republicano Thom Tillis, membro do Comitê Bancário do Senado, afirmou em rede social que a medida demonstra que auxiliares de Trump “estão ativamente tentando acabar com a independência do Federal Reserve”. Ele prometeu bloquear a confirmação de qualquer indicado para o banco central enquanto a questão legal não estiver resolvida, o que poderia atrasar a eventual substituição de Powell por um aliado. Analistas apontam Kevin Hassett e Kevin Warsh como potenciais nomes cogitados pelo presidente.

Ex‑presidentes regionais do Fed e economistas acadêmicos classificaram a ameaça de indiciamento como uma “guerra jurídica” e alertaram para o risco de criminalizar a política monetária. Para o ex‑presidente do Fed de Dallas Richard Fisher, trata‑se de um gesto sem precedentes que pode resultar em um efeito contrário ao pretendido: prolongar a permanência de Powell no cargo e desincentivar futuros cortes de juros. Justin Wolfers, professor da Universidade de Michigan, chamou a iniciativa de “má economia” e “péssima política”, afirmando que todos os americanos deveriam se opor a tentativas de interferir na independência do banco central.

Os mercados financeiros reagiram à notícia. Os contratos futuros do índice S&P 500 chegaram a cair cerca de 0,7%, o dólar perdeu força e o ouro disparou para um nível recorde acima de US$ 4.600 por onça, enquanto a prata subiu 8%. Os investidores também ajustaram suas expectativas: a ferramenta que mede as apostas do mercado para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) no final de janeiro apontava probabilidade de apenas 5% de um novo corte nos juros, contra 17% na semana anterior. A próxima reunião, agendada para 27 e 28 de janeiro, ocorre após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual em 2025, que levaram a taxa básica para o intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano. Autoridades do Fed têm sinalizado que só reduzirão novamente quando houver dados mais favoráveis de inflação e emprego.

Perspectivas e consequências
A disputa entre o Executivo e o banco central adiciona incerteza ao cenário econômico norte‑americano em um ano eleitoral. Ao mesmo tempo em que pressiona por juros mais baixos para impulsionar o crescimento e a popularidade do governo, a Casa Branca arrisca alimentar a percepção de interferência política na política monetária. Essa percepção pode, paradoxalmente, reforçar a determinação do FOMC em preservar sua credibilidade e retardar cortes de juros. Analistas observam que, enquanto todas as investidas anteriores de Trump se concentraram em ataques verbais, a ameaça de acusação criminal cruza uma “linha vermelha” e pode enfraquecer a confiança dos investidores.

Powell indicou que a reforma da sede — alvo das críticas — continuará, e enfatizou que o Fed vem prestando contas ao Congresso. Ele considera que o episódio mostra a importância de proteger a independência institucional. Ao afirmar que continuará “a fazer o trabalho para o qual o Senado o confirmou”, o presidente do banco central sinaliza resistência às pressões políticas. Resta saber se o conflito incentivará o Fed a adotar uma postura ainda mais cautelosa, postergando cortes de juros, ou se abrirá espaço para uma conciliação após a reunião de janeiro.

No curto prazo, os desdobramentos jurídicos determinarão o futuro imediato de Powell. Apesar de seu mandato como presidente expirar em maio, ele pode permanecer no conselho até 2028, o que lhe permitiria votar nas decisões de política monetária. Trump, por sua vez, tem pressa para indicar um substituto antes do fim do mandato, mas depende da aprovação do Senado. Com a oposição de senadores e o aumento das tensões institucionais, a tentativa de substituir o presidente do Fed pode enfrentar obstáculos consideráveis. Em última instância, o confronto atual expõe o delicado equilíbrio entre a política e a gestão técnica da economia — e testa os limites da independência de uma das instituições mais influentes do mundo.

Meta description
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, denunciou que o banco central foi intimado pelo Departamento de Justiça em meio a uma investigação sobre a reforma de sua sede e acusou o governo de usá‑la como pressão para reduzir os juros. O presidente dos EUA, Donald Trump, nega envolvimento, mas intensifica críticas à política monetária. Parlamentares e economistas alertam para o risco de interferência na independência do Fed, enquanto mercados reagem e analistas discutem as consequências para a próxima reunião do FOMC.