The Japan Times - Porto Alegre, diante do mesmo perigo um ano depois das cheias mortais

EUR -
AED 4.111017
AFN 72.761485
ALL 90.809851
AMD 403.547926
ANG 2.003499
AOA 1026.496854
ARS 1729.749941
AUD 1.603506
AWG 2.014933
AZN 1.895743
BAM 1.952734
BBD 2.253661
BDT 139.191452
BGN 1.956535
BHD 0.422297
BIF 3362.699799
BMD 1.119407
BND 1.431253
BOB 13.590147
BRL 6.090249
BSD 1.118943
BTN 106.132359
BWP 15.457145
BYN 3.305909
BYR 21940.384843
BZD 2.250367
CAD 1.563757
CDF 2585.830988
CHF 0.915602
CLF 0.027804
CLP 1094.276497
CNY 7.442151
CNH 7.467656
COP 3613.447055
CRC 508.801118
CUC 1.119407
CUP 26.853836
CVE 110.681383
CZK 24.325166
DJF 198.94106
DKK 7.473472
DOP 67.443594
DZD 152.048844
EGP 62.013265
ERN 16.791111
ETB 181.829103
FJD 2.515029
FKP 0.834215
GBP 0.834658
GEL 2.904824
GGP 0.834215
GHS 13.040916
GIP 0.834215
GMD 82.28591
GNF 9850.785194
GTQ 8.554568
GYD 234.560093
HKD 8.783565
HNL 30.077774
HRK 7.57728
HTG 146.659726
HUF 364.491919
IDR 20326.199387
ILS 3.523396
IMP 0.834215
INR 106.156981
IQD 1696.236696
IRR 2104098.577642
ISK 136.209458
JEP 0.834215
JMD 177.810815
JOD 0.793629
JPY 176.671028
KES 145.467279
KGS 97.891953
KHR 4572.778831
KMF 492.538728
KPW 1007.466608
KRW 1500.30817
KWD 0.348588
KYD 0.932461
KZT 506.384912
LAK 25220.248067
LBP 100242.931498
LKR 371.985935
LRD 190.55113
LSL 18.62276
LTL 3.305319
LVL 0.677118
LYD 7.180725
MAD 11.002025
MDL 20.213804
MGA 5053.066052
MKD 61.55888
MMK 2350.244877
MNT 4031.139262
MOP 9.042602
MRU 45.339811
MUR 52.944845
MVR 17.306312
MWK 1944.410888
MXN 20.798697
MYR 4.561139
MZN 71.530814
NAD 18.62276
NGN 1501.035603
NIO 41.17535
NOK 10.393227
NPR 169.811375
NZD 1.9893
OMR 0.430417
PAB 1.119183
PEN 3.881006
PGK 5.018121
PHP 71.052701
PKR 309.520714
PLN 4.418357
PYG 6623.600117
QAR 4.090178
RON 5.33745
RSD 117.576967
RUB 90.950188
RWF 1654.94588
SAR 4.213941
SBD 9.020415
SCR 15.453828
SDG 673.324401
SEK 10.950994
SGD 1.432948
SHP 0.837692
SLE 25.631021
SLL 23473.418187
SOS 639.495911
SRD 42.066764
STD 23169.472898
STN 24.461592
SVC 9.790627
SYP 14554.534532
SZL 18.616769
THB 37.759837
TJS 10.288813
TMT 3.917926
TND 3.344249
TOP 2.695264
TRY 55.965669
TTD 7.569116
TWD 36.717129
TZS 2960.561673
UAH 51.101364
UGX 4788.481483
USD 1.119407
UYU 44.989361
UZS 13371.005843
VES 993.451445
VND 28818.583551
VUV 133.099189
WST 3.106014
XAF 655.957
XAG 0.022714
XAU 0.00028544005
XCD 3.025255
XCG 2.016534
XDR 0.791479
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 264.40589
ZAR 18.600733
ZMK 10075.997681
ZMW 22.659232
ZWL 360.448723
SSP 6431.219938
MXV 2.341731
Porto Alegre, diante do mesmo perigo um ano depois das cheias mortais
Porto Alegre, diante do mesmo perigo um ano depois das cheias mortais / foto: Nelson ALMEIDA - AFP/Arquivos

Porto Alegre, diante do mesmo perigo um ano depois das cheias mortais

Equipados com brochas e tintas doadas, dezenas de voluntários recuperam fachadas arruinadas em um bairro de Porto Alegre. Um ano depois das cheias devastadoras, a solidariedade contrasta com a lentidão das autoridades para proteger a cidade de uma nova catástrofe.

Tamanho do texto:

Os temporais que castigaram o sul do Brasil no final de abril e início de maio de 2024 deixaram quase 200 mortos, meio milhão de deslocados e uma destruição sem precedentes.

Em dez dias, choveu o equivalente a três meses no Rio Grande do Sul.

O aquecimento global, provocado em grande medida pela queima de combustíveis fósseis, torna mais frequentes as chuvas extremas.

Cidades vulneráveis, como Porto Alegre, apenas agora começam a se adaptar para enfrentar estes eventos.

- Fragilidade -

A capital gaúcha, com 1,3 milhão de habitantes, fica às margens do lago Guaíba, onde desembocam quatro rios que banham a serra do Vale do Taquari.

O centro da cidade, cujas ruas viraram canais navegáveis, voltou ao normal, com trânsito e comércio.

Mas sua fragilidade permanece.

No fim de março, a cidade voltou a sucumbir durante uma tempestade: avenidas inundadas, queda de árvores, cortes de energia. As autoridades pediram que as pessoas evitassem deslocamentos.

"Agora, a questão da chuva traz medo, insegurança", diz Jotape Pax, o artista urbano por trás das brigadas de voluntários, que já pintaram 250 casas e esperam chegar a 2.500.

O ativista, de 41 anos, garante que estes mutirões para melhorar a aparência dos bairros afetados geram "senso de comunidade e resiliência", um bálsamo contra o desânimo.

- 'Preocupante' -

Desde os anos 1960, a cidade conta com uma barreira de proteção contra as cheias, com muros e diques.

Mas quando veio o temporal em 2024, os muros tinham rachaduras e as comportas eram contidas com sacos de areia, afirma Mima Feltrin, especialista em cheias da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Das 23 bombas de drenagem de água, 19 falharam. Um ano depois, só duas foram renovadas, afirma a urbanista.

"É muito preocupante porque até o momento o que a gente tem visto acontecer na prática são ações de cunho emergencial", diz.

Há "uma grande lacuna" em planejamento e infraestrutura, acrescenta.

- Avanços -

Um estudo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul concluiu, em dezembro, que muitas mortes poderiam ter sido evitadas com um sistema de alerta eficiente e a evacuação antecipada de áreas de risco.

A prefeitura de Porto Alegre é alvo de uma ação judicial coletiva milionária, acusada de "omissões" que levaram a falhas no sistema de proteção, segundo o Ministério Público.

Mas o prefeito Sebastião Melo (MDB) diz à AFP que foram feitos avanços em um plano de ação climática, que será apresentado "dentro deste ano" à Câmara Municipal.

O projeto contempla a criação de uma sala de monitoramento e infraestrutura para avançar na capacidade de alertas precoces, além do reforço dos diques existentes e a construção de novas barreiras.

Algumas medidas já são implementadas, como melhorias na drenagem urbana, afirma Melo, que foi reeleito poucos meses após as cheias devastadoras.

- 'No mesmo barco' -

Enquanto isso, moradores e associações se uniram, sem esperar as autoridades.

"Todo mundo está no mesmo barco. E a gente se ajuda", afirma Nadja Melo, dona do Gambrinus, o restaurante mais antigo do Mercado Público. Na entrada do edifício, uma placa lembra a altura que o nível da água alcançou nas cheias de 2024.

As imagens deste prédio histórico, imerso em águas marrons, deram a volta ao mundo. Hoje, este símbolo de Porto Alegre se mostra animado novamente, graças à ajuda de clientes, amigos e familiares.

Algumas mudanças, como estruturas e mobiliário em aço inox no lugar da madeira, mostram que lições foram aprendidas.

"Com essas mudanças climáticas, vai acontecer cada vez mais. Nos assusta muito, mas a gente trabalha hoje em dia para estar mais preparado", diz Nadja Melo, de 45 anos.

- Começar de novo -

Mas se adaptar também pode representar um desafio existencial.

No bairro do Sarandi, um dos mais castigados pelas cheias, dezenas de famílias receberam a ordem de partir. Suas casas ficam na área de risco e dificultam as obras de melhorias do dique.

É o caso de Claudir Poli, um ex-pedreiro de 42 anos que tem próteses nas pernas e se locomove com muletas.

Ele precisa deixar sua casa simples, onde mora com a esposa e os três filhos pequenos.

Mas diz que os fundos de ajuda são insuficientes e o processo de compra de um casa nova é trabalhoso.

"A gente sabe que é importante sair pra proteger o bairro e muitas vidas" em uma cheia futura, afirma, enquanto olha para as montanhas de escombros das casas já demolidas.

"Mas é muito difícil recomeçar", acrescenta.

- Tragédia anunciada? -

Feltrin sugere renovar o sistema de contenção para inundações, somando soluções aplicadas com sucesso em Nova York e nos Países Baixos.

"É importante ter comportas, mas é importante também ter parques que vão ter fauna e flora para escoar essa água", exemplifica a pesquisadora, apelando para a ideia das 'cidades esponja'.

E, sobretudo, é urgente ter um plano de emergência climática para o Rio Grande do Sul, que envolva todos os níveis de governo.

Caso contrário - prevê -, a tragédia voltará a se repetir.

T.Kobayashi--JT