The Japan Times - Dez acontecimentos que marcaram o ano de 2023

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Dez acontecimentos que marcaram o ano de 2023
Dez acontecimentos que marcaram o ano de 2023 / foto: Sergio Lima - AFP/Arquivos

Dez acontecimentos que marcaram o ano de 2023

Da guerra entre Hamas e Israel ao ataque dos bolsonaristas em Brasília, aqui estão 10 grandes acontecimentos que marcaram o ano de 2023.

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- Guerra Israel-Hamas -

Em 7 de outubro, comandos do Hamas se infiltraram no sul de Israel a partir da Faixa de Gaza e executara um massacre em cidades fronteiriças e em um festival de música ao ar livre.

Quase 1.200 pessoas, a maioria civis de todas as idades, morreram do lado israelense, segundo os números oficiais, neste ataque de magnitude sem precedentes desde a criação do Estado de Israel, em 1948. Também há investigações sobre denúncias de estupros e mutilações de mulheres.

Os milicianos islamistas também sequestram 240 pessoas, incluindo dezenas de crianças e idosos, que foram levados para Gaza.

Determinado a "aniquilar" o Hamas, organização considerada "terrorista" por Israel, pelos Estados Unidos e pela União Europeia, o Exército israelense responde com bombardeios em larga escala em Gaza e ordena aos civis que fujam para o sul do território. Em 27 de outubro, as suas tropas iniciam uma operação terrestre no norte da Faixa de Gaza.

A intensidade dos bombardeios e a extensão da destruição provocam críticas internacionais e preocupação com a população civil de Gaza, também privada de água, eletricidade, alimentos e medicamentos devido ao cerco total imposto por Israel.

Em sete semanas de conflito, os bombardeios israelenses na Faixa de Gaza deixaram quase 15 mil mortos, segundo o Ministério da Saúde do Hamas. Mais de dois terços dos 2,4 milhões de habitantes foram deslocados, segundo a ONU.

A ajuda humanitária aumentou em 24 de novembro, com a aplicação de uma trégua de quatro dias, prorrogada por 48 horas segundo o Hamas e o Catar, embora ainda seja insuficiente segundo as agências da ONU.

O acordo permitiu a libertação de 50 reféns e 150 palestinos presos em Israel. Além deste acordo, outros 19 reféns, a maioria trabalhadores estrangeiros, foram libertados pelo Hamas.

- O retorno de Lula -

O veterano Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao poder em 1º de janeiro de 2023, prometendo colocar o "Brasil de volta" no cenário internacional e unir seus mais de 200 milhões de habitantes em seu terceiro mandato como presidente, depois de derrotar Jair Bolsonaro (2019-2022) nas urnas.

Mas a tarefa de "reconstruir" a maior nação sul-americana após quatro anos de crises institucionais e retrocessos nas políticas ambientais foi rapidamente abalada no dia 8 de janeiro, quando milhares de apoiadores de Bolsonaro invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e a sede do Supremo Tribunal Federal, destruindo móveis e obras de arte e clamando, em vão, por uma intervenção militar para destituir Lula do cargo.

O Supremo Tribunal Federal respondeu com firmeza ao motim, pelo qual cerca de 100 das mais de mil pessoas que foram detidas ainda permanecem presas.

A tentativa de golpe colocou Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos no dia dos ataques, na mira. O ex-presidente, que questionou, sem provas, a transparência do processo eleitoral em que foi derrotado por Lula, está sendo investigado pela Justiça como suposto instigador dos atos.

Em junho, Bolsonaro recebeu uma condenação administrativa por abuso de poder político que o deixou impossibilitado de participar das eleições durante oito anos, ou seja, está automaticamente fora das próximas eleições presidenciais de 2026.

- Difícil contraofensiva da Ucrânia -

Em janeiro, o Exército russo, reforçado por 300.000 reservistas e apoiado pelos paramilitares do grupo Wagner, passa ao ataque, particularmente na área do Donbass, no leste da Ucrânia.

Em maio, Moscou reivindicou a captura da cidade de Bakhmut, ao final da batalha mais longa e sangrenta desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro de 2022.

No início de junho, Kiev lançou uma contraofensiva há muito tempo aguardada pelos seus aliados ocidentais, para tentar recuperar os territórios ocupados por Moscou, mas esbarrou em uma sólida defesa russa. Apesar dos bilhões em ajuda militar ocidental, o Exército ucraniano só conseguiu recuperar algumas cidades no sul e no leste.

Em 24 de junho, combatentes do grupo Wagner se rebelaram e marcharam em direção a Moscou. O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou a "traição" do chefe paramilitar, Yevgueni Prigozhin, que ordenou aos seus homens que voltassem às suas bases.

Dois meses depois, Prigozhin morreu em um acidente de avião, que ainda gera dúvidas. Os países ocidentais e a Ucrânia suspeitam do envolvimento do Kremlin.

Depois de meses de uma contraofensiva infrutífera, Kiev afirmou, em meados de novembro, que fez o Exército russo recuar vários quilômetros na margem esquerda do rio Dnieper, na região sul de Kherson.

Em 21 de novembro, os líderes europeus foram a Kiev para reiterar o seu apoio à Ucrânia, que teme um compromisso menor por parte dos seus aliados quando a atenção internacional se concentra na guerra em Gaza.

- O ultraliberal Milei ganha na Argentina -

O economista ultraliberal Javier Milei, de 53 anos, tomará posse em 10 de dezembro como presidente da Argentina, após sua ampla vitória em 19 de novembro contra o centrista peronista Sergio Massa.

Este "antissistema", crítico dos peronistas e liberais que se alternam no poder há 20 anos, promete uma terapia de choque para a terceira maior economia da América Latina, que sofre com uma inflação recorde: privatizações, cortes com "motosserra" nas despesas públicas, dolarização e a supressão do Banco Central.

Ele também levanta ideias muito controversas, como a desregulamentação da venda de armas ou uma "solução de mercado" para a doação de órgãos.

Seu jovem partido, A Liberdade Avança, é apenas a terceira força na Câmara Baixa do Congresso argentino, com 38 deputados de 257, e por isso Milei terá que fazer alianças para avançar com seus projetos.

- Terremotos mortais -

Na madrugada de 6 de fevereiro, o sudeste da Turquia e parte da Síria foram devastados por um dos terremotos mais mortais dos últimos 100 anos.

O tremor, de magnitude 7,8, seguido por outro nove horas depois, deixou pelo menos 56 mil mortos, quase 6 mil deles no lado sírio.

As imagens da catástrofe correram o mundo: um pai segurando a mão da filha de 15 anos, soterrada nos escombros na Turquia, ou um recém-nascido salvo milagrosamente na Síria, com o cordão umbilical ainda ligado à falecida mãe.

Os danos materiais são avaliados em mais de 100 bilhões de euros (quase 110 bilhões de dólares ou 538 bilhões de reais, na cotação atual).

Em 8 de setembro, outro terremoto mortal foi registrado no Marrocos. Às 23h11 (19h11 no horário de Brasília), um violento terremoto sacudiu a região de Marrakech.

Com uma magnitude estimada entre 6,8 e 7, o tremor foi o mais forte já registrado neste país e deixou quase 3.000 mortos e mais de 5.600 feridos.

O choque danificou cerca de 60 mil casas em quase 3 mil aldeias do Alto Atlas e arredores, algumas das quais são de acesso muito difícil.

- Hollywood paralisada por greves -

Em maio, os roteiristas americanos iniciaram uma greve, à qual os atores aderiram em meados de julho, para exigir melhores remunerações e a regulamentação do uso da inteligência artificial (IA).

Este protesto, sem precedentes em Hollywood desde 1960, terminou em setembro para os roteiristas, que conseguiram um acordo salarial e proteções contra o uso de IA.

Os atores, preocupados com a possibilidade de os estúdios usarem essa tecnologia para clonar suas vozes e imagens e reutilizá-las perpetuamente sem compensação ou consentimento, só retornaram às gravações em novembro.

Além de salários melhores, a greve permitiu a introdução de novas restrições ao uso da IA.

A produção de filmes e séries americanas ficou paralisada durante quase seis meses pelo movimento, que custou à economia do país pelo menos 6 bilhões de dólares (29,3 bilhões de reais).

Muitas grandes produções, como a série "Stranger Things", foram adiadas.

- Calor e incêndios -

De junho a outubro, o mundo bate recordes mensais de temperatura para esse período do ano, segundo o observatório europeu Copernicus, que prevê que 2023 superará "quase certamente" o recorde anual de 2016, o ano "mais quente" já registrado.

As temperaturas elevadas são acompanhadas por secas que provocam fome, incêndios devastadores e furacões de intensidade incomum.

O Canadá viveu uma temporada histórica de incêndios este ano, com mais de 18 milhões de hectares queimados e 200 mil pessoas deslocadas.

Em agosto, um incêndio no Havaí destruiu quase completamente a cidade turística de Lahaina, no Maui, deixando 97 mortos.

A Grécia foi gravemente atingida por incêndios florestais durante o verão (com pelo menos 26 mortos), incluindo o maior já registrado na União Europeia, em Evros (nordeste). Depois, em setembro, graves inundações mataram 17 pessoas na região da Tessália.

As chamas, alimentadas por uma onda de calor, devastaram as ilhas turísticas gregas de Rodes e Corfu, e outras áreas da bacia do Mediterrâneo, como a Argélia ou a ilha italiana da Sicília.

- Objetivo: a Lua -

A Lua está mais uma vez no centro da corrida espacial. Em 23 de agosto, a Índia conseguiu colocar uma nave não tripulada, a Chandrayaan-3, em uma área inexplorada próxima ao polo sul do satélite.

Poucos dias antes, a sonda russa Luna-25, a primeira missão lunar de Moscou desde 1976, caiu na mesma região, alvo de muito interesse por conter água congelada.

Antes da Índia, apenas os Estados Unidos, a União Soviética e a China conseguiram realizar pousos controlados na Lua.

A Nasa conta com o foguete Starship, desenvolvido pela SpaceX de Elon Musk, para as suas missões Artemis, que querem levar astronautas à Lua em 2025, pela primeira vez desde 1972.

Em 20 de abril, a Starship decolou pela primeira vez em sua configuração completa, mas vários motores falharam e a SpaceX fez o foguete explodir intencionalmente quatro minutos depois.

Em um segundo teste em novembro, o módulo superior do foguete chegou ao espaço, antes que uma "anomalia" provocasse uma explosão.

A empresa emergente privada japonesa "ispace" falhou em sua tentativa de fazer o módulo Hakuto-R pousar na Lua em abril, mas a agência espacial japonesa Jaxa lançou uma nova missão lunar em setembro.

- Campeãs do mundo e beijo forçado -

A Espanha conquista a Copa do Mundo Feminina em Sydney, mas a comemoração é prejudicada pelo presidente da federação do país, Luis Rubiales, que durante as celebrações beija a atacante Jenni Hermoso na boca, causando indignação internacional.

A jogadora de futebol denuncia um ato "machista, inadequado e sem qualquer tipo de consentimento", mas Rubiales o descreve como um beijo "consensual", antes de renunciar ao cargo em 10 de setembro.

Acusado de "agressão sexual" pela Justiça, Rubiales está suspenso por três anos pela Fifa de todas as atividades ligadas ao futebol.

O escândalo teve impacto global em um momento em que o futebol feminino, como se viu na nona edição da Copa do Mundo, desperta cada vez mais interesse.

- Ofensiva relâmpago em Nagorno-Karabakh -

Em 19 de setembro, o Azerbaijão atacou a região de Nagorno-Karabakh, um território separatista de maioria armênia que Baku e Yerevan disputam há mais de três décadas.

Este enclave montanhoso, que, apoiado pela Armênia, proclamou unilateralmente a sua independência em 1991, após a queda da União Soviética, foi palco de duas guerras entre estas ex-repúblicas soviéticas no Cáucaso (1988-1994 e 2020).

Em 24 horas, as autoridades do território, abandonadas por Yerevan, se renderam e um cessar-fogo foi estabelecido.

Depois desta ofensiva relâmpago que deixou quase 600 mortos, a maioria dos 120 mil habitantes do enclave fugiu para a Armênia e as autoridades da autoproclamada república anunciaram a sua dissolução para 1º de janeiro de 2024.

Em meados de novembro, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) ordenou, a pedido da Armênia, que o Azerbaijão permita o retorno "seguro" dos habitantes de Nagorno-Karabakh.

As negociações sob mediação internacional para um acordo de paz ainda não terminaram.

S.Yamada--JT