The Japan Times - Cientistas exploram o centro da Via Láctea e revelam a química das estrelas

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Cientistas exploram o centro da Via Láctea e revelam a química das estrelas
Cientistas exploram o centro da Via Láctea e revelam a química das estrelas / foto: Alexandra BEIER - AFP/Arquivos

Cientistas exploram o centro da Via Láctea e revelam a química das estrelas

Cientistas conseguiram observar pela primeira vez em detalhe a zona central da Via Láctea, onde a formação de estrelas pode oferecer pistas para compreender as origens do universo.

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Trata-se de uma imagem gigantesca que abrange uma região de 650 anos-luz e mostra "uma complexa rede de filamentos de gás cósmico com um nível de detalhe sem precedentes", indicou em comunicado o Observatório Europeu Austral (ESO).

A imagem é composta por um conjunto de observações captadas pelas 66 antenas milimétricas e submilimétricas que formam o ALMA, um radiotelescópio gigante situado no deserto do Atacama, no Chile, e administrado pelo ESO, pelos Estados Unidos e pelo Japão.

No centro da imagem encontra-se a Zona Molecular Central (CMZ, na sigla em inglês), um local "de extremos, invisível aos nossos olhos, mas agora revelado com extraordinário nível de detalhe", explicou Ashley Barnes, astrônoma do ESO, no comunicado.

Essas observações darão origem à publicação de vários artigos na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

"A CMZ abriga algumas das estrelas mais massivas conhecidas em nossa galáxia, muitas das quais vivem rapidamente e morrem jovens, encerrando suas vidas em potentes explosões de supernovas e até hipernovas", explicou Steve Longmore, professor de astrofísica na Universidade John Moores de Liverpool, no Reino Unido, e integrante do projeto ACES, que busca estudar a CMZ.

"Ao estudar como nascem as estrelas na CMZ, também podemos obter uma imagem mais clara de como as galáxias se desenvolveram e evoluíram", acrescentou.

As estrelas se formam quando o gás molecular frio flui ao longo de filamentos que alimentam aglomerados de matéria.

Sabe-se como esse processo ocorre nas regiões externas da Via Láctea, mas na região central de nossa galáxia, onde os fenômenos são muito mais extremos, acontece o mesmo?

Segundo o comunicado do ESO, o estudo "desvenda a intrincada química da CMZ, detectando dezenas de moléculas diferentes, desde as simples, como o monóxido de silício, até as orgânicas mais complexas, como o metanol, a acetona ou o etanol".

"Acreditamos que a região compartilha muitas características com as galáxias do universo primitivo, onde as estrelas se formavam em ambientes caóticos e extremos", afirmou Longmore.

M.Fujitav--JT