The Japan Times - "Não há nada": protestos na Bolívia disparam escassez em La Paz

EUR -
AED 4.23685
AFN 76.142117
ALL 93.451589
AMD 420.707154
AOA 1059.068942
ARS 1713.776996
AUD 1.649985
AWG 2.076605
AZN 1.971609
BAM 1.955833
BBD 2.316639
BDT 142.032415
BHD 0.433707
BIF 3413.258039
BMD 1.15367
BND 1.476225
BOB 13.658232
BRL 5.861216
BSD 1.15022
BTN 109.651865
BWP 15.683267
BYN 3.345957
BYR 22611.924491
BZD 2.313339
CAD 1.617387
CDF 2624.59885
CHF 0.931835
CLF 0.027184
CLP 1073.360161
CNY 7.788768
CNH 7.790748
COP 3577.760836
CRC 522.408883
CUC 1.15367
CUP 30.572245
CVE 110.266875
CZK 24.241018
DJF 204.823483
DKK 7.480705
DOP 66.731135
DZD 153.304607
EGP 58.8331
ERN 17.305044
ETB 183.805425
FJD 2.554167
FKP 0.855871
GBP 0.855679
GEL 3.016829
GGP 0.855871
GHS 13.446229
GIP 0.855871
GMD 84.797449
GNF 10097.171691
GTQ 8.776149
GYD 240.604091
HKD 9.047309
HNL 30.819524
HRK 7.538417
HTG 150.392557
HUF 365.193859
IDR 20799.509523
ILS 3.533632
IMP 0.855871
INR 110.049123
IQD 1506.825622
IRR 1586439.932172
ISK 142.0633
JEP 0.855871
JMD 182.093096
JOD 0.817962
JPY 181.616475
KES 148.78253
KGS 100.888429
KHR 4654.079138
KMF 492.616957
KRW 1664.699174
KWD 0.356645
KYD 0.958516
KZT 545.029268
LAK 26048.442925
LBP 103005.051488
LKR 386.126566
LRD 207.61353
LSL 19.025023
LTL 3.406486
LVL 0.697843
LYD 7.359125
MAD 10.744883
MDL 20.100342
MGA 4919.083644
MKD 61.526046
MMK 2422.194784
MNT 4146.90969
MOP 9.292058
MRU 46.226786
MUR 54.222116
MVR 17.835855
MWK 1994.433913
MXN 20.012821
MYR 4.712969
MZN 73.73129
NAD 19.025023
NGN 1574.020989
NIO 42.33072
NOK 10.926515
NPR 175.442983
NZD 1.961523
OMR 0.443648
PAB 1.15022
PEN 3.898066
PGK 5.150088
PHP 70.668078
PKR 319.441232
PLN 4.312359
PYG 6858.116615
QAR 4.204671
RON 5.247581
RSD 117.391996
RUB 91.501556
RWF 1688.528712
SAR 4.320407
SBD 9.322925
SCR 15.583265
SDG 692.201402
SEK 10.986051
SGD 1.479695
SLE 28.499464
SOS 657.311177
SRD 43.587371
STD 23878.63182
STN 24.500417
SVC 10.064171
SZL 19.022323
THB 38.676781
TJS 10.616381
TMT 4.04938
TND 3.381357
TRY 54.813729
TTD 7.810133
TWD 37.274031
TZS 3047.451819
UAH 51.337273
UGX 4319.073441
USD 1.15367
UYU 46.280787
UZS 13768.234114
VES 860.287283
VND 30342.087759
VUV 136.928869
WST 3.154699
XAF 655.968154
XAG 0.020031
XAU 0.000285
XCD 3.11785
XCG 2.072935
XDR 0.815814
XOF 655.968154
XPF 119.331742
YER 274.924101
ZAR 19.10215
ZMK 10384.411346
ZMW 21.606367
ZWL 371.481146
"Não há nada": protestos na Bolívia disparam escassez em La Paz
"Não há nada": protestos na Bolívia disparam escassez em La Paz / foto: Aizar RALDES - AFP

"Não há nada": protestos na Bolívia disparam escassez em La Paz

Um caminhão carregado de frango chega e uma multidão se lança diante da loja para comprar a carne por mais do que o dobro do preço na cidade de La Paz, isolada pelos bloqueios de estradas feitos por manifestantes contra o governo da Bolívia.

Tamanho do texto:

A cidade do altiplano, sede do governo a 3.600 metros de altitude, é desde o início de maio o coração dos protestos que exigem a saída do presidente de centro-direita Rodrigo Paz.

Em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas, as medidas de pressão impulsionadas por camponeses, operários, mineiros e outros trabalhadores mantêm os mercados e postos de gasolina desabastecidos, enquanto medicamentos escasseiam nos hospitais.

"Não temos praticamente nada: não se encontra nem um ovo, em lugar nenhum", disse à AFP nesta terça-feira Sheyla Caya, dona de casa de 43 anos. "Aqui, entre irmãos, brigamos por um frango", acrescentou.

Uma longa fila se forma diante da loja avícola em uma popular área comercial de La Paz. Muitos gritam para impedir que alguém ocupe um lugar que não lhe corresponde. Apenas um frango por pessoa, avisam da loja.

"Tem que ver se vamos conseguir" comprar, diz Hellen Condori, comerciante de 32 anos, enquanto carrega seu bebê. Uma funcionária escreve em seu braço o número de sua vez: 132.

Ainda não há uma saída para o conflito. Os pontos de bloqueio nas estradas se intensificaram nesta terça-feira: 44 reportados pela estatal Administradora Boliviana de Estradas, 12 a mais do que no dia anterior.

- Destruição -

Em uma escalada do conflito, na segunda-feira, no centro de La Paz, os manifestantes enfrentaram a polícia com pedras, paus e explosivos, enquanto os agentes responderam com densas nuvens de gás lacrimogêneo.

O dia terminou com mais de 120 detidos, segundo a organização civil Assembleia Permanente de Direitos Humanos, escritórios públicos saqueados, estações de teleférico danificadas e um veículo policial incendiado.

"Não se pode resolver as coisas dessa maneira. Além das reivindicações que as pessoas têm, que são justas em muitos pontos, há também criminalidade", opina Fernando Carvajal, trabalhador bancário de 67 anos.

As reivindicações dos manifestantes se radicalizaram com o passar dos dias. Inicialmente pediam aumentos salariais, abastecimento de combustíveis, estabilização da economia, entre outros pontos, e passaram a exigir a renúncia de Paz, com apenas seis meses no poder.

No principal mercado de La Paz, Jaime Quiroga, aposentado de 75 anos, caminha diante de dezenas de barracas de rua fechadas, agora cobertas por tecidos e plásticos, em busca de vegetais.

"Eles não têm o que vender porque os caminhões estão parados nas estradas", diz. "Vim ver se havia algo, mas não há nada, absolutamente nada", lamenta.

- Revolta -

A polícia anunciou nesta terça-feira que mobilizará "nas próximas horas" uma operação para desbloquear as estradas de La Paz e permitir a passagem de alimentos, medicamentos e combustíveis.

No último sábado, policiais e militares conseguiram fazer passar algumas cargas, após 12 horas de confrontos com os manifestantes. Depois disso, os bloqueios foram reforçados.

O governo se viu obrigado a utilizar uma "ponte aérea" a partir de Santa Cruz (leste) e Cochabamba (centro) para abastecer La Paz, mas isso não é suficiente.

A banca de vegetais de Graciela Zuleta é uma das que ainda permanecem abertas. Mas suas vendas caem. O quilo do tomate, que antes custava 0,4 dólar (R$ 2), agora ela vende por 1,1 dólar (R$ 5,5).

"Eles ficam com raiva (os clientes). A esse preço, muitos já não levam", diz essa mulher aimará de 40 anos.

Em um posto de combustível no centro da cidade, a fila de veículos se estende por centenas de metros.

Pouco depois de assumir o poder, Paz eliminou uma política de subsídios aos combustíveis que drenava os dólares das reservas internacionais e desencadeou a atual crise econômica, que já vinha desde 2023.

A medida aumentou os preços e os postos começaram a vender gasolina contaminada, que danificou milhares de motores e despertou a indignação dos transportadores.

Para Fabio Gutiérrez, de 34 anos, consertar seu micro-ônibus custou mais de 1.000 dólares (R$ 5.000). Agora, reclama, passa mais de cinco horas para abastecer, sempre com medo de que o combustível volte a danificar seu veículo.

Y.Ishikawa--JT