The Japan Times - Irã desafia EUA a escolher entre um 'acordo ruim' e uma operação militar impossível

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Irã desafia EUA a escolher entre um 'acordo ruim' e uma operação militar impossível
Irã desafia EUA a escolher entre um 'acordo ruim' e uma operação militar impossível / foto: - - AFP

Irã desafia EUA a escolher entre um 'acordo ruim' e uma operação militar impossível

A Guarda Revolucionária iraniana desafiou os Estados Unidos, neste domingo (3), a escolher entre uma operação militar "impossível" e um "acordo ruim" com Teerã, depois que o presidente americano, Donald Trump, menosprezou a proposta mais recente do Irã para pôr fim à guerra.

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A situação entre os dois países segue estagnada desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 8 de abril, após quase 40 dias de ataques israelenses-americanos contra o Irã e de represálias de Teerã na região.

Os esforços diplomáticos não conseguiram reativar as infrutíferas negociações realizadas em 11 de abril, em Islamabad, devido às profundas divergências em temas como o bloqueio do Estreito de Ormuz e o programa nuclear da República Islâmica.

"A margem de manobra dos Estados Unidos no tema da tomada de decisões diminuiu", afirmou o serviço de inteligência da Guarda Revolucionária, em nota difundida pela televisão pública.

"Trump deve escolher entre uma operação impossível ou um acordo ruim com a República Islâmica do Irã", insistiu.

Este órgão mencionou um "ultimato" iraniano sobre o bloqueio americano dos portos iranianos e uma "mudança de tom" de China, Rússia e Europa em relação aos Estados Unidos.

- "Vou revisar o plano" -

No sábado, o presidente americano pôs em dúvida a possibilidade de aceitar a proposta iraniana.

"Em breve vou revisar o plano que o Irã acaba de nos enviar, mas não posso imaginar que seja aceitável, pois ainda não pagaram um preço alto o suficiente pelo que fizeram com a Humanidade e com o mundo nos últimos 47 anos", declarou em sua plataforma, Truth Social.

Segundo as agências de notícias iranianas, Teerã transmitiu a Washington, através do Paquistão, um plano com 14 pontos para pôr fim ao conflito bélico no prazo de 30 dias.

A agência Tasnim afirma que Teerã exige a retirada das forças americanas de áreas próximas ao Irã, a suspensão do bloqueio dos portos e do congelamento de ativos iranianos, o pagamento de indenizações, a suspensão das sanções, um "mecanismo" para o Estreito de Ormuz e "o fim da guerra em todas as frentes, incluído o Líbano".

Este país foi arrastado para a guerra quando o grupo pró-iraniano Hezbollah atacou Israel para vingar a morte do líder iraniano Ali Khamenei no primeiro dia dos bombardeios, em 28 de fevereiro.

Neste domingo, Israel ordenou a evacuação "urgente" das localidades situadas para além do setor que controla no sul do Líbano e que designa como uma "zona de segurança".

A agência Tasnim não mencionou o programa nuclear, um tema crucial para Estados Unidos e Israel, que acusam o Irã de querer desenvolver a bomba atômica. Teerã nega ter esta intenção.

O Irã já tinha enviado esta semana uma proposta aos Estados Unidos através do Paquistão. Não foram dados detalhes a respeito.

- "Caso se comportem mal" -

A guerra deixou milhares de vítimas, principalmente no Irã e no Líbano, e suas repercussões sacodem a economia mundial, com os preços do petróleo alcançando níveis sem precedentes desde 2022.

Embora os bombardeios tenham cessado, o conflito persiste de outras formas: Washington impõe um bloqueio aos portos iranianos, em resposta ao fechamento, por parte de Teerã, do Estreito de Ormuz, por onde antes da guerra transitava um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo.

Os jornalistas perguntaram a Trump, no sábado, o que poderia levar a uma retomada dos bombardeios contra o Irã.

Ele foi vago na resposta: "Caso se comportem mal, se fizerem algo ruim, mas neste momento vamos ver".

"É uma possibilidade que poderia ocorrer, sem dúvida", disse.

Teoricamente, o presidente tinha até a sexta-feira para solicitar uma autorização do Congresso para dar continuidade à guerra.

Ele preferiu enviar uma carta aos congressistas para notificá-los que as hostilidades com o Irã "terminaram".

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H.Nakamura--JT