The Japan Times - Trump ordena bloqueio naval do Estreito de Ormuz após fracasso das negociações com Irã

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Trump ordena bloqueio naval do Estreito de Ormuz após fracasso das negociações com Irã

Trump ordena bloqueio naval do Estreito de Ormuz após fracasso das negociações com Irã

Donald Trump ordenou neste domingo (12) o bloqueio naval do Estreito de Ormuz após denunciar que o Irã manteve uma postura "inflexível" sobre suas ambições nucleares nas negociações no Paquistão para pôr fim a seis semanas de guerra no Oriente Médio.

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O fracasso das negociações em Islamabad gera preocupação sobre o destino da frágil trégua.

O mandatário americano reconheceu que as conversas transcorreram "bem" e que se chegou a um acordo na maioria dos pontos, exceto na questão nuclear, em uma publicação no Truth Social.

Trump anunciou que a Marinha dos Estados Unidos iniciará, com "efeito imediato", um bloqueio a todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz e afirmou que começarão a "destruir" as minas marítimas colocadas pelo Irã.

"O bloqueio começará em breve. Outros países estarão envolvidos", acrescentou, sem dar mais detalhes.

Desde o início da guerra — que provocou milhares de mortos, sobretudo no Irã e no Líbano — Teerã mantém um controle rigoroso da passagem por esse estreito, por onde transitava um quinto das exportações globais de petróleo.

Mohammad-Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e que liderou a delegação de seu país no Paquistão, disse ao retornar a Teerã que o país "não se curvaria a nenhuma ameaça de Washington".

O Irã permitiu a passagem de navios de países considerados aliados, como a China, e há relatos não confirmados de que Teerã pretende cobrar pedágios nessa rota.

No Irã, a Guarda Revolucionária iraniana respondeu a Trump afirmando que suas forças mantêm "controle total" do estreito.

O chefe da Marinha do Irã, Shahram Irani, classificou neste domingo como "ridícula" a ameaça do presidente americano.

O Exército iraniano supervisiona e monitora "todos os movimentos do agressivo Exército americano na região. As ameaças do presidente dos Estados Unidos de bloquear o Irã por mar (...) são muito ridículas e risíveis", disse em declarações à televisão estatal.

A agência de notícias Fars informou neste domingo que dois petroleiros com bandeiras do Paquistão que se dirigiam ao estreito haviam dado meia-volta.

O Irã informou neste domingo que o Instituto de Medicina Legal contabilizou 3.375 mortos durante a guerra. Por sua vez, a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, registrou até 6 de abril ao menos 3.597 mortos: 1.665 eram civis, entre eles pelo menos 248 crianças.

Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, e a república islâmica respondeu com bombardeios contra países do Golfo, alvos americanos e com mísseis lançados contra localidades em Israel, o que arrastou todo o Oriente Médio para um conflito que abalou a economia global.

- "Acabar com o Irã" -

Trump retomou sua estratégia de ameaças neste domingo e afirmou que "poderia acabar com o Irã em um único dia" em uma entrevista à Fox News.

O mandatário advertiu que pode "acabar com todo o seu sistema energético" e alertou a China de que, se prestar ajuda militar ao Irã, imporá tarifas de 50%.

O mais recente ultimato de Trump teria ocorrido após o fracasso das negociações para garantir um acordo que permita o fim da guerra.

Irã e Estados Unidos chegaram às negociações no Paquistão com posições iniciais muito distantes. Esse diálogo foi a reunião de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979.

O Irã insiste em seu direito de manter um programa nuclear com fins civis, mas os países ocidentais o acusam de buscar o desenvolvimento de armas nucleares.

"Sempre disse, desde o início, e há muitos anos, que O IRÃ NUNCA TERÁ UMA ARMA NUCLEAR", afirmou Trump ao anunciar o bloqueio naval do Estreito de Ormuz.

O chefe do Parlamento iraniano, Ghalibaf, afirmou que havia "apresentado iniciativas construtivas", mas que a delegação dos Estados Unidos não conquistou a confiança do Irã.

O parlamentar iraniano Mahmoud Nabavian, também presente nas negociações, publicou na rede X que as exigências excessivas dos Estados Unidos incluem "uma participação conjunta com o Irã nos lucros do estreito de Ormuz", além da eliminação do urânio enriquecido a 60% no país.

A especialista Nicole Grajewski afirmou que o bloqueio dos Estados Unidos ao estreito "não é um sinal coercitivo menor", mas que poderia ser considerado como uma retomada da guerra.

"Isso sugere que Washington está cada vez mais desiludido com a diplomacia e mais disposto a recorrer a meios militares diretos", disse Grajewski, professora adjunta do Centro de Pesquisas Internacionais de Sciences Po.

- "A guerra continua" -

O fracasso das conversas gerou preocupação com uma retomada das hostilidades que poderia elevar ainda mais os preços da energia e afetar o comércio de petróleo e gás.

O Paquistão instou ambos os países a manterem o cessar-fogo temporário.

Mas também há dúvidas crescentes sobre o fracasso da trégua devido aos contínuos ataques israelenses contra o Líbano, onde o Irã insiste que o cessar-fogo também se aplica.

Autoridades libanesas e israelenses se reunirão em Washington na terça-feira.

Neste domingo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, visitou tropas de Israel no sul do Líbano, segundo um vídeo divulgado no mesmo dia. Ele afirmou que a ameaça de uma invasão do Hezbollah ao norte de Israel havia sido eliminada, mas que "a guerra continua, inclusive na zona de segurança do Líbano".

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S.Ogawa--JT