The Japan Times - ‘Sentimos falta das coisas mais simples’: moradores de Teerã no limite após um mês de guerra

EUR -
AED 4.233412
AFN 75.493281
ALL 93.476873
AMD 423.012424
AOA 1058.078854
ARS 1724.84304
AUD 1.637146
AWG 2.074665
AZN 1.9613
BAM 1.957195
BBD 2.320614
BDT 142.631679
BHD 0.434585
BIF 3450.283135
BMD 1.152592
BND 1.478454
BOB 13.993612
BRL 5.923142
BSD 1.152201
BTN 109.959957
BWP 15.66817
BYN 3.395921
BYR 22590.796538
BZD 2.317352
CAD 1.62202
CDF 2604.856784
CHF 0.933478
CLF 0.026717
CLP 1054.90939
CNY 7.784085
CNH 7.778005
COP 3695.289544
CRC 522.463388
CUC 1.152592
CUP 30.543679
CVE 110.821967
CZK 24.174802
DJF 204.839013
DKK 7.475214
DOP 67.309719
DZD 153.225447
EGP 57.834277
ERN 17.288875
ETB 184.242088
FJD 2.549475
FKP 0.857957
GBP 0.857355
GEL 3.014012
GGP 0.857957
GHS 13.502625
GIP 0.857957
GMD 85.292198
GNF 10125.518143
GTQ 8.788265
GYD 241.218821
HKD 9.04041
HNL 30.958679
HRK 7.534952
HTG 150.646086
HUF 361.27813
IDR 20702.851399
ILS 3.471399
IMP 0.857957
INR 109.608412
IQD 1509.895075
IRR 1584957.60632
ISK 141.80319
JEP 0.857957
JMD 182.179872
JOD 0.817187
JPY 181.67259
KES 149.141517
KGS 100.79462
KHR 4667.996734
KMF 493.309394
KRW 1646.00506
KWD 0.356499
KYD 0.960164
KZT 542.785168
LAK 26048.57164
LBP 103214.582979
LKR 386.855782
LRD 208.936033
LSL 19.052185
LTL 3.403304
LVL 0.697191
LYD 7.33626
MAD 10.744475
MDL 20.168941
MGA 4950.381183
MKD 61.573895
MMK 2420.05814
MNT 4131.233505
MOP 9.308534
MRU 46.230476
MUR 53.594212
MVR 17.818945
MWK 2002.051424
MXN 19.906036
MYR 4.721703
MZN 73.650705
NAD 19.051931
NGN 1571.305274
NIO 42.400226
NOK 11.00657
NPR 175.938423
NZD 1.956749
OMR 0.443186
PAB 1.152221
PEN 3.912473
PGK 5.09395
PHP 70.316161
PKR 320.218844
PLN 4.297288
PYG 6869.927239
QAR 4.202061
RON 5.250283
RSD 117.347682
RUB 92.924497
RWF 1692.004557
SAR 4.315567
SBD 9.302748
SCR 15.433387
SDG 692.133809
SEK 10.981069
SGD 1.477876
SLE 28.181113
SOS 658.46941
SRD 43.67285
STD 23856.320291
STN 24.89598
SVC 10.082187
SZL 19.052529
THB 38.341538
TJS 10.634743
TMT 4.034071
TND 3.389771
TRY 54.80355
TTD 7.822577
TWD 37.357224
TZS 3060.128502
UAH 51.521028
UGX 4315.001205
USD 1.152592
UYU 46.423296
UZS 13847.236438
VES 848.482424
VND 30271.091065
VUV 137.324159
WST 3.149129
XAF 656.424953
XAG 0.019291
XAU 0.000282
XCD 3.114936
XCG 2.07658
XDR 0.817312
XOF 654.099666
XPF 119.331742
YER 274.773117
ZAR 18.891666
ZMK 10374.708657
ZMW 21.802137
ZWL 371.134044
‘Sentimos falta das coisas mais simples’: moradores de Teerã no limite após um mês de guerra
‘Sentimos falta das coisas mais simples’: moradores de Teerã no limite após um mês de guerra / foto: - - AFP

‘Sentimos falta das coisas mais simples’: moradores de Teerã no limite após um mês de guerra

Para Fatemeh, uma moradora de Teerã, o curto trajeto até seu café habitual é o melhor momento do dia nesta cidade mergulhada na guerra há mais de um mês, com ataques diários dos Estados Unidos e de Israel.

Tamanho do texto:

"Quando me sento à mesa do café, mesmo que seja por alguns minutos, quase consigo acreditar que o mundo não acabou", diz essa auxiliar de dentista de 27 anos.

"É como sair dessa maldita guerra e entrar em um dia normal, ou pelo menos imaginar um mundo que não esteja cheio do medo constante de perder a vida, ou em que você está vivo, mas perdeu um ente querido ou tudo o que tem", explica à AFP.

Se uma trégua nos bombardeios lhe permite dormir melhor à noite, Fatemeh diz que vai se maquiar e se arrumar para tornar sua ida ao café ainda mais especial.

"E depois volto para casa, de volta à realidade de viver em guerra, com toda a sua escuridão e seu peso", lamenta.

Moradores da capital iraniana que falaram com a equipe da AFP que cobre a guerra em Paris descreveram uma cidade que ainda se apega a uma certa rotina, com cafés e restaurantes abertos. Disseram não ter ouvido falar de escassez em supermercados ou postos de combustível, em uma cidade onde as pessoas tentam manter algum vestígio de vida social.

Mas sabem que a vida está longe de ser normal, já que Estados Unidos e Israel mantêm um ritmo implacável de bombardeios sobre a capital desde que a guerra começou em 28 de fevereiro com o assassinato do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e outros altos funcionários.

Há postos de controle de segurança no que antes eram ruas tranquilas, a internet foi bloqueada ou drasticamente reduzida para tudo, exceto serviços nacionais, e janelas foram cobertas com fita adesiva para evitar que se estilhacem em caso de ataque.

As pessoas que aceitaram compartilhar mensagens com a AFP deram apenas seus primeiros nomes por medo de represálias caso sejam identificadas pelas autoridades.

- "A única coisa que resta" -

"Nestes dias, fico quase sempre em casa e só saio se for absolutamente necessário. A única coisa que resta da minha rotina de antes da guerra e que me ajuda a manter o ânimo é cozinhar", afirma Shahrzad, de 39 anos, dona de casa.

Mas acrescenta: "Às vezes percebo que estou chorando no meio de tudo isso. Sinto falta dos dias normais (...). De uma vida em que não precisasse pensar constantemente em explosões, na morte ou em perder meus entes queridos".

"Tento me manter forte pela minha filha (...), mas quando penso no futuro, não consigo formar em minha mente nenhuma imagem clara à qual possa me apegar com esperança", diz.

Durante a última semana, os moradores de Teerã tentaram aproveitar ao máximo a principal festividade tradicional persa, o Ano Novo, ou Nowruz, uma celebração em que normalmente as pessoas saem da cidade ou festejam em casa com a família.

"Não há escassez, há de tudo. Os cafés estão abertos e continuamos indo a eles", comenta Shayan, um fotógrafo de 40 anos. "Há gasolina, água e eletricidade".

"Mas todos temos uma sensação de impotência. Não sabemos o que fazer e realmente não há nada que possamos fazer. Não havia clima de Nowruz, mas tentamos nos forçar a isso", afirma.

Seguindo uma tendência que começou meses antes da guerra, cada vez mais mulheres também se atrevem a sair sem o véu obrigatório segundo as normas de vestimenta da república islâmica, segundo os moradores.

A televisão estatal chegou a entrevistar, em manifestações, mulheres com a cabeça descoberta, desde que expressem opiniões favoráveis ao governo.

- "Sinto falta de dormir tranquilamente à noite" -

Elnaz, uma pintora de 32 anos de Teerã, afirma que quando os ataques diminuem e tem tempo para pensar, lembra o quanto sente falta de "viver uma vida simples".

"Sentimos falta das coisas mais simples, sair à noite ou simplesmente poder ir a outra parte da cidade. Sinto falta de algo tão comum quanto fazer compras em outro lugar que não seja a pequena mercearia ou a padaria da minha rua", afirma.

"E, acima de tudo, sinto falta de dormir tranquilamente à noite", diz.

Elnaz explica que algumas madrugadas os ataques são tão intensos que parece que "toda Teerã treme".

"Tudo se resume a um único estado: sobreviver. Pensar apenas em continuar viva ao lado de todas as pessoas que amo. Meus amigos, minha família e as pessoas da minha cidade, que parecem mais gentis do que nunca nestes tempos difíceis", afirma.

Kaveh, um artista visual de 38 anos, conta que há alguns dias um fragmento de míssil atingiu a cerca de 50 metros de sua casa, deixando o ar cheio de poeira e várias janelas estilhaçadas.

"Levei para casa. Quero fazer algo com isso quando tiver oportunidade", diz.

Segundo ele, à noite, em algumas áreas há grupos que apoiam o sistema clerical que circulam com seus veículos buzinando, "enquanto a poucas ruas de distância há postos de controle onde revistam carros e telefones de pessoas comuns".

Segundo os moradores, o ambiente sombrio foi agravado por um clima incomumente chuvoso que contrasta com o sol primaveril típico do Nowruz.

Nas praças, são exibidos retratos de crianças mortas nos ataques, e enormes bandeiras da república islâmica cobrem edifícios que ficaram em ruínas.

"No fim, para muitas pessoas, a principal preocupação é o futuro do Irã e de seu povo, e o que realmente poderia melhorar a situação", afirma Kaveh.

H.Hayashi--JT