The Japan Times - Milhares de argentinos marcham contra o esquecimento, 50 anos após o golpe

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Milhares de argentinos marcham contra o esquecimento, 50 anos após o golpe

Milhares de argentinos marcham contra o esquecimento, 50 anos após o golpe

Dezenas de milhares de pessoas saíram em passeata nesta terça-feira (24) em Buenos Aires, 50 anos após o golpe de Estado que instaurou na Argentina uma ditadura que o governo do líder de extrema direita Javier Milei quer revisar.

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Sob o lema "Nunca mais", que marcou gerações, a manifestação se estendeu ao longo do quilômetro que separa a Praça de Maio da Avenida 9 de Julho e também tomava ruas vizinhas.

Em um ambiente festivo e em meio a cartazes que exibiam a frase "Não nos venceram", balões brancos com fotos dos desaparecidos foram soltos.

Valeria Coronel, uma professora de 43 anos, levou a filha de 8. "A memória se transmite de geração em geração para que a luta continue", disse à AFP. "É a herança que quero deixar para ela", acrescentou.

Órgãos de defesa dos direitos humanos calculam que a ditadura tenha deixado 30 mil desaparecidos, um número que o governo considera ser de menos de 9.000.

As Avós da Praça de Maio restituíram a identidade de 140 netos sequestrados ainda bebês ou que nasceram em cativeiro; e estima-se em mais de 300 os que ainda precisam ser encontrados. "Cada restituição de um neto é prova das atrocidades cometidas pelo terrorismo de Estado: desaparecimentos, assassinatos, roubos, sequestros de menores e falsificação de documentos políticos", disse a presidente da associação, Estela De Carlotto, 95, cujo neto foi o 114º a ser encontrado.

O golpe cívico-militar de 1976 derrubou Isabel Perón e instaurou uma ditadura que governou até 1983, levando a desaparecimentos, torturas, sequestro de bebês, além de forçar milhares de pessoas a partir para o exílio.

- Memória e disputa política -

Os argentinos vivem uma disputa política sobre como essa violência é narrada, depois que Milei questionou consensos estabelecidos desde o retorno da democracia. O governo afirma que houve uma guerra entre dois lados em que excessos foram cometidos, referindo-se às guerrilhas de então e relativizando o papel dos militares.

A Casa Rosada divulgou hoje um vídeo nessa linha, em que denuncia uma suposta "visão enviesada e revanchista" sob a qual a História tem sido estudada, que teria sido usada pela esquerda como "instrumento de manipulação".

"Existe algo do pacto democrático que se quebrou com este governo", disse à AFP o cientista político Iván Schuliaquer, da Universidade Nacional de San Martín. Mas "a condenação à ditadura, ao plano sistemático de perseguição, tortura e desaparecimento, ainda se mantém forte entre a maior parte da população argentina", acrescentou.

Um estudo recente da Universidade de Buenos Aires (UBA) e do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS) com 1.136 entrevistados em todo o país revelou que sete em cada dez argentinos condenam a ditadura militar.

- 'Achávamos que reapareceriam' -

Nas sacadas em volta da Praça de Maio, alguns penduraram bandeiras argentinas e lenços brancos, símbolo da busca de meio século, que ainda continua. "Restam muitas dúvidas, muitas perguntas sem resposta", disse à AFP a médica Jimena León, 35.

Cinquenta anos depois, 1.208 pessoas foram condenadas em mais de 350 julgamentos; no entanto, mais de 300 casos permanecem em aberto.

A justiça de Córdoba, no centro do país, identificou recentemente os restos ósseos de 12 pessoas encontrados no ano passado em um antigo centro de detenção clandestino.

"Achávamos que, depois de alguns dias de tortura, as pessoas reapareceriam. Mas isso não aconteceu", disse à AFP Miriam Lewin, jornalista de 68 anos que tinha 19 no dia do golpe, às vésperas do cinquentenário.

Ela vivia na clandestinidade quando, em 1977, foi sequestrada, torturada e transferida para a Escola de Mecânica da Armada (Esma), um dos principais centros de detenção clandestinos do regime, que hoje funciona como museu em Buenos Aires.

"Assim como nos campos nazistas, aqueles que possuíam uma habilidade específica eram os que sobreviviam", relata. A sua era redigir notas e traduzir textos. "Vivíamos em meio aos gritos de tortura, mantendo, ao mesmo tempo, uma rotina quase como a de um trabalho de escritório".

K.Tanaka--JT