The Japan Times - Argentina relembra legado doloroso da ditadura, que Milei quer revisar

EUR -
AED 4.269099
AFN 72.644925
ALL 95.076242
AMD 427.973788
ANG 2.080952
AOA 1066.940946
ARS 1619.310336
AUD 1.62529
AWG 2.093493
AZN 1.98043
BAM 1.952096
BBD 2.341856
BDT 142.721021
BGN 1.940855
BHD 0.438457
BIF 3459.420975
BMD 1.162245
BND 1.486405
BOB 8.034892
BRL 5.877243
BSD 1.162694
BTN 111.524295
BWP 16.447074
BYN 3.235716
BYR 22779.993656
BZD 2.338503
CAD 1.598842
CDF 2612.149237
CHF 0.914587
CLF 0.026819
CLP 1055.53936
CNY 7.914774
CNH 7.919977
COP 4429.104869
CRC 527.444525
CUC 1.162245
CUP 30.799481
CVE 110.588029
CZK 24.31021
DJF 206.554563
DKK 7.471262
DOP 69.212121
DZD 154.461189
EGP 61.40658
ERN 17.433669
ETB 183.112088
FJD 2.561762
FKP 0.862257
GBP 0.872032
GEL 3.115269
GGP 0.862257
GHS 13.296531
GIP 0.862257
GMD 84.267207
GNF 10201.606223
GTQ 8.870283
GYD 243.262581
HKD 9.103804
HNL 30.944808
HRK 7.532977
HTG 152.244207
HUF 361.702584
IDR 20458.933129
ILS 3.393104
IMP 0.862257
INR 111.565078
IQD 1522.540392
IRR 1533000.593877
ISK 143.572521
JEP 0.862257
JMD 183.721378
JOD 0.824077
JPY 184.466856
KES 150.336783
KGS 101.638735
KHR 4663.510767
KMF 492.792107
KPW 1046.022246
KRW 1740.612787
KWD 0.358716
KYD 0.968978
KZT 545.863586
LAK 25511.268811
LBP 104318.488614
LKR 381.960138
LRD 213.126644
LSL 19.165856
LTL 3.431807
LVL 0.703031
LYD 7.351242
MAD 10.722914
MDL 20.115176
MGA 4861.669457
MKD 61.623504
MMK 2440.295192
MNT 4160.224164
MOP 9.378066
MRU 46.490185
MUR 54.835139
MVR 17.910628
MWK 2024.053269
MXN 20.149374
MYR 4.59029
MZN 74.271763
NAD 19.165851
NGN 1592.845004
NIO 42.678058
NOK 10.814225
NPR 178.438473
NZD 1.985725
OMR 0.446324
PAB 1.162714
PEN 3.989409
PGK 5.093
PHP 71.603608
PKR 323.830439
PLN 4.246552
PYG 7085.554754
QAR 4.236426
RON 5.155838
RSD 117.369313
RUB 84.565601
RWF 1697.458201
SAR 4.397708
SBD 9.316927
SCR 15.774497
SDG 697.932139
SEK 10.984146
SGD 1.488259
SHP 0.867733
SLE 28.595478
SLL 24371.690047
SOS 664.227031
SRD 43.52959
STD 24056.116125
STN 24.755809
SVC 10.173695
SYP 128.465739
SZL 19.165842
THB 37.936092
TJS 10.848401
TMT 4.079478
TND 3.365284
TOP 2.798406
TRY 52.864738
TTD 7.892702
TWD 36.69962
TZS 3021.836282
UAH 51.33988
UGX 4365.715804
USD 1.162245
UYU 46.571628
UZS 14005.047508
VES 592.917692
VND 30630.955755
VUV 137.052406
WST 3.144567
XAF 654.725887
XAG 0.015287
XAU 0.000256
XCD 3.141025
XCG 2.09556
XDR 0.813493
XOF 654.344081
XPF 119.331742
YER 277.315726
ZAR 19.39541
ZMK 10461.600028
ZMW 21.888841
ZWL 374.242279
Argentina relembra legado doloroso da ditadura, que Milei quer revisar
Argentina relembra legado doloroso da ditadura, que Milei quer revisar / foto: Luis ROBAYO - AFP

Argentina relembra legado doloroso da ditadura, que Milei quer revisar

Na Argentina, o 24 de março é um dia de luto, marchas e disputas políticas. Cinquenta anos após o golpe de Estado, milhares de pessoas voltam às ruas nesta terça-feira (24) para lembrar as vítimas de uma ditadura que o governo do líder de extrema direita Javier Milei quer revisar.

Tamanho do texto:

Sob o lema "Nunca Mais", que marcou gerações, grupos de defesa dos direitos humanos, sindicatos e organizações sociais convocaram uma marcha em todo o país com fotos dos desaparecidos, estimados em 30.000 por organismos de direitos humanos.

No meio deste feriado, a Praça de Maio, em Buenos Aires, começou a encher com pessoas levando cartazes. "Não nos venceram", diziam alguns. Balões brancos subiam para o céu levando fotos dos desaparecidos com a legenda, "Ainda estamos te procurando".

Valeria Coronel, uma professora de 43 anos, levava a filha de oito pela mão. "A memória se transmite de geração em geração para que a luta continue", disse à AFP. "É a herança que quero deixar para ela", acrescentou.

As Mães e Avós da Praça de Maio lideravam a marcha, dando continuidade a uma tradição iniciada durante a ditadura, quando começaram a se reunir para exigir informações sobre o paradeiro de seus filhos e netos.

O golpe cívico-militar de 1976 derrubou Isabel Perón e instaurou uma ditadura que governou até 1983, levando a desaparecimentos, torturas, sequestro de bebês, além de forçar milhares de pessoas a partirem para o exílio.

- Memória e disputa política -

A data encontra os argentinos em meio a uma disputa política sobre como essa violência é narrada, depois que Milei questionou consensos estabelecidos desde a volta da democracia.

O governo calcula o número de desaparecidos em menos de 9.000; sustenta que os anos da ditadura constituíram uma guerra na qual excessos foram cometidos por ambos os lados e minimiza o papel da ditadura militar, caracterizando-a meramente como parte em um confronto com organizações armadas.

Na manhã desta terça-feira, a Casa Rosada divulgou um vídeo nesta linha, acusando a suposta "visão enviesada e revanchista" com a qual a história tem sido estudada, que teria sido usada como um "instrumento de manipulação" por parte da esquerda.

"Tem algo do pacto democrático que se quebrou com este governo", disse à AFP o cientista político Iván Schuliaquer, da Universidade Nacional de San Martín.

No entanto, "a condenação à ditadura, ao plano sistemático de perseguição, tortura e desaparecimento ainda se mantém forte na maior parte da população argentina", acrescentou.

Um estudo recente da Universidade de Buenos Aires (UBA) e do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS) com 1.136 entrevistados em todo o país revelou que sete em cada dez argentinos condenam a ditadura militar.

O movimento de defesa dos direitos humanos "tem uma capacidade de mobilização discursiva, de rua, de visibilidade pública, que ainda não tem um oponente dessa escala", disse Schuliaquer.

- "Achávamos que reapareceriam" -

Nas sacadas em volta da Praça de Maio, alguns penduravam bandeiras argentinas e lenços brancos, símbolo da busca de meio século que ainda continua.

"Restam muitas dúvidas, muitas perguntas sem resposta", disse à AFP Jimena León, uma médica de 35 anos.

Cinquenta anos depois, 1.208 pessoas foram condenadas em mais de 350 julgamentos; no entanto, mais de 300 casos permanecem em aberto.

As Avós da Praça de Maio restituíram a identidade de 140 netos sequestrados ainda bebês ou que nasceram em cativeiro; e estima-se em mais de 300 os que ainda precisam ser encontrados.

A justiça de Córdoba, no centro do país, identificou recentemente os restos ósseos de 12 pessoas encontrados no ano passado em um antigo centro de detenção clandestino.

"Achávamos que, depois de alguns dias de tortura, as pessoas reapareceriam. Mas isso não aconteceu", disse à AFP Miriam Lewin, jornalista de 68 anos que tinha 19 no dia do golpe, às vésperas do cinquentenário.

Ela vivia na clandestinidade quando, em 1977, foi sequestrada, torturada e, por fim, transferida para a Escola de Mecânica da Armada (ESMA) — um dos principais centros de detenção clandestinos do regime, que hoje funciona como um sombrio museu em Buenos Aires.

"Assim como nos campos nazistas, aqueles que possuíam uma habilidade específica eram os que sobreviviam", relata. A sua era redigir notas e traduzir textos. "Vivíamos em meio aos gritos de tortura, mantendo, ao mesmo tempo, uma rotina quase como a de um trabalho de escritório".

K.Hashimoto--JT