The Japan Times - Guerra no Irã se estende e arrasta Oriente Médio para uma crise

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Guerra no Irã se estende e arrasta Oriente Médio para uma crise
Guerra no Irã se estende e arrasta Oriente Médio para uma crise / foto: ATTA KENARE - AFP

Guerra no Irã se estende e arrasta Oriente Médio para uma crise

A guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã se estendeu nesta segunda-feira (2) por todo o Oriente Médio e ameaça mergulhar a economia mundial no caos depois que o Líbano e os países exportadores de petróleo do Golfo foram arrastados para o conflito.

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A república islâmica contra-atacou desde sábado, tendo como alvo bases militares americanas e o território israelense, e depois países do Golfo, o que desencadeou temores sobre o fornecimento de petróleo e fez subir os preços do petróleo bruto.

No terceiro dia de guerra, o presidente americano, Donald Trump, disse que não hesitaria em enviar tropas terrestres ao Irã se fosse necessário e ameaçou com uma nova "grande onda" de ataques.

"Nem sequer começamos a atingi-los com força. A grande onda ainda não chegou", disse Trump à CNN.

O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, também se recusou nesta segunda-feira a descartar o envio de tropas ao Irã e indicou que a guerra poderia se prolongar por "seis semanas".

Violentas explosões sacudiram vários bairros de Teerã. O Irã acusou Estados Unidos e Israel de lançar um bombardeio contra o complexo nuclear de Natanz, que foi um dos principais alvos de ataques durante o conflito passado de junho de 2025.

Israel estendeu suas operações ao Líbano, em resposta a ataques do movimento islamista aliado ao Irã, o Hezbollah, contra o qual travou uma guerra há um ano. As autoridades libanesas relataram um balanço de pelo menos 52 mortos e 154 feridos.

No Irã, o Crescente Vermelho iraniano elevou para 555 o número de mortos contabilizados desde o início da guerra.

A AFP não pôde verificar de forma independente os balanços de vítimas.

- Irã denuncia bombardeio contra escola -

Apesar dos ultimatos dos Estados Unidos, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, afirmou nesta segunda-feira ter atacado 500 alvos americanos e israelenses, entre eles o escritório do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Além disso, advertiu que não descansará "até que o inimigo seja derrotado". "Já não estarão seguros em nenhum lugar do mundo", avisou.

Por enquanto, há registro de quatro militares americanos mortos, mas Trump reconhece que o número pode aumentar.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não permanecerá "em silêncio" após denunciar "ataques" contra uma escola e um hospital, atribuídos a bombardeios israelenses e americanos, e instou o mundo a "condenar" essas ações.

O Irã afirma que um bombardeio no sábado causou 168 mortos em uma escola no sul do país, mas nem Estados Unidos nem Israel confirmaram o ataque, que a AFP não pôde verificar, por não conseguir acessar o local.

- Israel não descarta ofensiva terrestre no Líbano -

O Exército israelense afirmou estar realizando um "ataque de grande envergadura" no "coração de Teerã" e bombardeios simultâneos "com centenas de aviões" no Irã e no Líbano. Mais tarde, informou que atacou escritórios dos serviços de inteligência em Teerã.

Na frente do Líbano, Israel reivindicou ataques contra 70 alvos do Hezbollah e ter matado seu chefe dos serviços de inteligência, Hussein Moukalled.

Desde o primeiro dia da operação no Irã, Israel assegurou que ela durará "o tempo que for necessário". No caso do Líbano, o Exército israelense não descartou nesta segunda-feira uma ofensiva terrestre.

O governo libanês, que não quer ser arrastado para o conflito, proibiu as atividades militares do Hezbollah e ordenou que entregue as armas.

O movimento islamista respondeu condenando a declaração e afirmou que os libaneses esperavam um pronunciamento de rejeição à "agressão".

A resposta do Irã se estendeu a numerosos países da região, que em muitos casos abrigam bases americanas.

As explosões sacodem há dias cidades como Doha, Abu Dhabi e Dubai. Mas também atingem infraestruturas energéticas, como uma gigantesca refinaria de petróleo saudita ou instalações de gás no Catar.

Esses ataques deixaram vários mortos, entre eles um militar que morreu nesta segunda-feira no Kuwait.

A guerra provocou caos aéreo, com centenas de voos cancelados, mas Dubai anunciou nesta segunda-feira uma retomada limitada dos voos.

Uma base britânica foi atacada por drones iranianos no Chipre, após a decisão de Londres de autorizar Washington a usar seus complexos militares contra o Irã.

- Alegria e medo em Teerã -

 

O futuro do Irã é uma incógnita após a morte de Ali Khamenei. Por enquanto, o país está nas mãos de um triunvirato de forma provisória, à espera, segundo Teerã, da escolha do sucessor de Khamenei.

Trump chamou os responsáveis iranianos a depor as armas em troca de imunidade total ou a enfrentar uma "morte certa".

"Não negociaremos com os Estados Unidos", respondeu o poderoso chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, que horas depois advertiu que "o Irã, ao contrário dos Estados Unidos, se preparou para uma guerra longa".

Em Teerã, Elnaz, de 39 anos, relatou que as pessoas sentem "alegria e medo" ao mesmo tempo.

"Temos mais medo desde a noite passada porque atingiram residências civis perto de uma delegacia. Mas ninguém tem nenhum problema com Israel ou com os Estados Unidos. Todos amaldiçoam (o regime) pelo que nos fizeram", afirmou.

M.Sugiyama--JT