EUA congela emissão de vistos de imigrante para 75 países, incluindo Brasil
Os Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira (14), que suspenderão o processamento de vistos de imigrante para solicitantes de 75 países, entre eles o Brasil, em mais uma medida do governo de Donald Trump para restringir a entrada de estrangeiros que buscam se estabelecer em território americano.
Há tempos o governo dos Estados Unidos já vinha rejeitando a concessão de vistos para pessoas suscetíveis a acabarem precisando de ajuda paga com recursos públicos, mas agora disse que congelará o processamento dos vistos de imigrante com base na nacionalidade dos solicitantes.
"A administração Trump está pondo fim ao abuso do sistema de imigração americano por parte dos que pretendem se aproveitar da riqueza do povo americano", declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott.
"O trâmite de vistos de imigrante destes 75 países será pausado enquanto o Departamento de Estado reavalia os procedimentos de processamento de imigração para impedir a entrada de cidadãos estrangeiros que se beneficiariam da assistência social e dos benefícios públicos", acrescentou.
O Departamento de Estado explicou em seu perfil na rede social X que se trata de "imigrantes que recebem níveis inaceitáveis de assistência social do governo".
Esta medida não afeta os vistos de turismo, negócios ou outros, incluídos os de torcedores de futebol que preveem visitar os Estados Unidos para a Copa do Mundo deste ano, embora a administração Trump tenha prometido analisar o histórico das redes sociais de todos os solicitantes.
- Brasil e outros países latino-americanos afetados -
O governo americano não apresentou de imediato a lista completa dos países afetados pela suspensão dos vistos de imigrante.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, mencionou no X Rússia e Irã, e também a Somália, cujos cidadãos têm sido alvos de duras críticas de Trump após um escândalo sobre o suposto uso irregular de recursos federais em Minnesota que envolveu imigrantes desse país.
Leavitt já havia compartilhado um artigo da Fox News indicando que entre os países afetados há vários com relações amistosas com os Estados Unidos, como Brasil, Egito e Tailândia, uma informação confirmada depois por um funcionário do governo americano.
Outras nações que serão afetadas pela suspensão são Nigéria, o país mais populoso da África, Iraque e Iêmen, segundo o mesmo funcionário, que falou em condição de anonimato.
O Departamento de Estado mencionou Somália, Haiti, Irã e Eritreia. Já a Fox News publicou uma lista que inclui Belize, Brasil, Colômbia, Cuba, Guatemala, Nicarágua e Uruguai.
Alguns desses países, bem como outros do Caribe incluídos na lista publicada pela Fox, firmaram um comunicado, no início de janeiro, questionando a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que terminou com a captura e deposição forçada de Nicolás Maduro.
México e Chile também assinaram esse comunicado, mas não foram incluídos na lista divulgada pela imprensa.
A suspensão de vistos de imigrante começará em 21 de janeiro sem um prazo de conclusão estabelecido, disse o funcionário.
De acordo com os números oficiais mais recentes, as pessoas que receberam mais permissões de residência permanente ('green card') em 2023 vinham de México (180.530) e Cuba (81.600).
- Migração líquida negativa -
Trump não esconde o seu desejo de reduzir a imigração de pessoas que não sejam de ascendência europeia. Chamou os somalis de "lixos" que deveriam "retornar" ao país de "onde vieram" e, por outro lado, manifestou sua vontade de que escandinavos se mudassem para os Estados Unidos.
O Departamento de Estado informou nesta segunda-feira que cancelou mais de 100 mil vistos desde o retorno de Trump à Casa Branca em 20 de janeiro de 2025, um recorde anual.
Segundo um relatório do centro de estudos Brookings Institution, após a imposição das políticas anti-imigração de Trump, os Estados Unidos registraram pela primeira vez em pelo menos 50 anos uma migração líquida negativa no ano passado.
Em 2025, o número de emigrantes superou o de imigrantes, aponta o estudo. É provável que essa tendência continue em 2026, com consequências "importantes na macroeconomia" americana, diz o relatório.
Uma redução da imigração provocará um menor crescimento de postos de trabalho, do PIB e de gastos dos consumidores, advertiram os autores do estudo.
Em dezembro, o Departamento de Segurança Interna informou que a administração Trump deportou mais de 605 mil pessoas e que 2,5 milhões deixaram o país voluntariamente.
K.Hashimoto--JT