Hamas busca nova liderança em meio a incertezas
O movimento islamista palestino Hamas prepara eleições internas após meses de uma direção colegiada, a fim de garantir um papel no futuro da Faixa de Gaza, devastada pela guerra com Israel.
A organização deve renovar sua hierarquia após as mortes de Ismail Haniyeh, chefe político morto por Israel em Teerã em julho de 2024, e Yahya Sinwar, ideólogo dos ataques de 7 de outubro de 2023, morto em outubro de 2024 em Rafah, no sul de Gaza.
Um alto funcionário confirmou à AFP, nesta segunda-feira (12), que a nomeação de um dirigente deve ocorrer "nos primeiros meses de 2026".
O processo inclui a eleição de um Conselho da Shura de 50 membros, dominado por figuras religiosas, com representantes do Hamas em Gaza, na Cisjordânia ocupada e no exterior.
O Conselho da Shura, por sua vez, elege a cada quatro anos os 18 membros do Bureau Político e seu chefe.
Apesar da opacidade das instâncias dirigentes do movimento, todas as fontes consultadas pela AFP mencionam dois favoritos.
Khalil al Hayya, de 65 anos, ocupa funções de liderança dentro do Hamas desde pelo menos 2006.
Originário de Gaza, ele é o encarregado das negociações com Israel por meio dos mediadores Catar, Egito e Estados Unidos, e conta com o apoio do braço militar, as Brigadas Ezedin Al Qassam.
O outro favorito é Khaled Meshaal, ex-chefe do Bureau Político, nascido na Cisjordânia e que nunca viveu em Gaza.
"Meshaal supervisionou a transformação do Hamas, de uma organização exclusivamente terrorista para uma entidade híbrida, ao mesmo tempo terrorista e política", diz a ONG Counter-Extremism Project.
Aos 69 anos de idade, ele dirige o escritório da diáspora do movimento.
Y.Mori--JT