The Japan Times - Trump diz ter cancelado 2ª onda de ataques à Venezuela após libertações de presos políticos

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Trump diz ter cancelado 2ª onda de ataques à Venezuela após libertações de presos políticos

Trump diz ter cancelado 2ª onda de ataques à Venezuela após libertações de presos políticos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou, nesta sexta-feira (9), ter cancelado uma segunda onda de ataques contra a Venezuela, onde familiares de presos políticos aguardam ansiosos após o início da libertação de um "número significativo" de presos.

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No entanto, Washington mantém a pressão no Caribe, onde apreendeu um quinto navio petroleiro, o Oliana, carregado com petróleo venezuelano e que tentava "escapar das forças americanas", anunciou a secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem.

Trump recebe na Casa Branca líderes de quase 20 multinacionais petroleiras para traçar o futuro do setor na Venezuela, entre elas as principais empresas do setor ou a espanhola Repsol, que já opera no país sul-americano.

O presidente americano assegurou, em entrevista televisiva, que estas empresas estão dispostas a investir até "100 bilhões de dólares" (R$ 538 bilhões) para reativar a exploração petroleira venezuelana, que durante décadas foi a mais importante da região e que agora extrai apenas um milhão de barris diários, menos de um terço do volume em sua fase áurea.

A Exxon, uma das gigantes do setor, assinalou, no entanto, em uma nota de análise nesta sexta, que "não prevemos que a companhia nem a indústria em geral ponha capital até que haja um governo estável e um regime fiscal, entre outros fatores".

Desde 2019, durante o primeiro governo Trump, a indústria petroleira venezuelana esteve submetida a sanções dos Estados Unidos.

Washington insiste em que tem um plano para a Venezuela. "Não estamos improvisando", garantiu esta semana o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, após delinear três etapas: estabilização econômica, abertura política com a libertação de presos políticos, e uma transição ordenada.

- "Um gesto muito importante" -

Os acontecimentos se precipitaram na Venezuela com a captura surpresa, em 3 de janeiro, do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram levados a Nova York para serem julgados por acusações de tráfico de drogas e terrorismo.

A libertação dos presos já começou, e o governo atual assegura que é um gesto de boa vontade, mas sem ceder sua soberania.

"A Venezuela está libertando grandes quantidades de presos políticos como sinal de que estão 'buscando a paz' (...) Por esta cooperação, cancelei uma segunda Onda de Ataques prevista", escreveu o mandatário republicano nesta sexta-feira em sua plataforma Truth Social.

Trata-se de "um gesto muito importante e inteligente" do governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, acrescentou Trump.

"Não estamos subordinados, nem estamos subjugados", disse Rodríguez na quinta-feira, em homenagem à cerca de cem mortos na operação americana, incluindo 32 cubanos.

Os primeiros libertados foram cinco espanhóis, entre eles a ativista de direitos humanos Rocío San Miguel, com dupla nacionalidade. Este primeiro grupo chegou à Espanha nesta sexta-feira.

O ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, assinalou que Madri ainda espera a libertação de outro cidadão espanhol.

A estas solturas se seguiram, na noite de quinta-feira, à do ex-candidato presidencial Enrique Márquez e o ex-deputado Biagio Pilieri, próximo da líder opositora e prêmio Nobel da Paz María Corina Machado.

"Já terminou tudo", disse Márquez, detido há um ano, ao ser recebido por seus familiares.

- "Liberdade!" -

Nos arredores do presídio Rodeo I, em Guatire, cidade-dormitório nos arredores de Caracas, nesta sexta-feira reinava o desespero e os semblantes tristes.

Familiares passaram a noite inteira em frente ao presídio, na esperança de ver seus entes queridos libertados, mas até agora não tiveram notícias.

"Peço a Ti, Senhor, que sejas Tu, em Tua glória, quem abra as portas do Rodeo I e de outras prisões", disse Hiowanka Ávila, de 39 anos, irmã de Henryberth Rivas, preso em 2018 sob a acusação de participar de uma tentativa de assassinato com drone contra Nicolás Maduro.

"Liberdade!", gritou uma dos presentes, convidando outros a iniciarem uma proclamação coletiva.

Alguns hesitaram, temendo prejudicar as centenas de pessoas que aguardam libertação. Dentro da prisão, falar é estritamente proibido e passível de punição com restrição de visitas.

Do lado de fora do temido Helicoide, sede dos serviços de inteligência em Caracas, o movimento é mínimo: poucos familiares e muitos veículos oficiais entram e saem, observou a AFP.

O papa Leão XIV mostrou-se extremamente preocupado com as tensões no Caribe e no Pacífico, pedindo respeito à "vontade do povo venezuelano" e para "preservar os direitos humanos e civis de todos".

- Receber o Nobel de Machado -

Trump deve receber na próxima semana María Corina Machado, que lhe ofereceu seu prêmio Nobel.

"Entendo que ela virá em algum momento na próxima semana. Estou ansioso para cumprimentá-la", disse o presidente americano em entrevista ao canal Fox News, na qual considerou que "seria uma grande honra" se ela lhe desse o Nobel da Paz, que ele próprio cobiçava.

No entanto, em Oslo, o Instituto Nobel declarou que o prêmio "não pode ser revogado ou transferido para outra pessoa".

M.Sugiyama--JT