The Japan Times - Lara, vice-presidente da Bolívia, ataca o governo

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Lara, vice-presidente da Bolívia, ataca o governo
Lara, vice-presidente da Bolívia, ataca o governo / foto: Rodrigo URZAGASTI - AFP

Lara, vice-presidente da Bolívia, ataca o governo

A partir de seu perfil no TikTok, ele questiona e ataca: o vice-presidente da Bolívia, o ex-capitão de polícia Edmand Lara, se tornou o opositor mais feroz do mandatário Rodrigo Paz, no início do governo de centro-direita.

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Lara, de 40 anos, é o último dos vices latino-americanos que desafia abertamente o seu companheiro de gestão.

Assumiu o cargo em 8 de novembro junto com Paz, a quem ajudou a vencer a eleição ao captar o voto dos setores mais populares. Antes de entrar no poder, já era um influenciador histriônico conhecido por denunciar casos de corrupção.

Nos primeiros dias de governo, as tensões entre ambos vieram a público quando o vice denunciou em suas redes sociais que estava sendo deixado de fora da cúpula de comando.

Desde então, chamou o presidente de "mentiroso" e "cínico".

"Hoje em dia, Rodrigo Paz está governando para os que mais têm (...). Não posso fazer nada porque me encurralaram", disse em um vídeo publicado na terça-feira (16).

Seus comentários reverberam dentro do governo, pressionado a apresentar soluções urgentes para a pior crise do país em quatro décadas.

"É um vice-presidente anedótico, mas também é um sério risco para a governabilidade no médio e longo prazo", disse Franco Gamboa, sociólogo boliviano, à AFP.

- "Uma traição" -

Paz, por enquanto, mantém a calma. Se pronunciou apenas uma vez sobre seu companheiro: "As portas sempre estão abertas ao diálogo (...), mas eu não falo pelo TikTok ".

Lara já não tem cota de poder no governo. Seu único homem de confiança no alto escalão, um ministro da Justiça, foi destituído por não declarar uma condenação por corrupção.

"Para nós é uma traição", disse o deputado Daniel Fernández, um dos fiéis do ex-capitão, à AFP. "Não tem nenhum ministério (...). Os anteriores (políticos) que fizeram tanto mal estão comandando o país", comenta.

O conflito não é de ideias. O deputado explica que Lara "tem a ideologia de Bukele e Milei", os presidentes de El Salvador e da Argentina, a quem não considera de extrema direita.

Está "no meio", diz, como Paz. No Congresso, as bancadas de ambos mantêm uma relação cordial.

O governo não respondeu à AFP sobre o estado de suas relações com Lara. Seu confronto com Rodrigo Paz é direto.

Nos últimos dias, o ex-policial deu ordens, por redes sociais, ao comandante das forças armadas, quando o comandante máximo militar é o presidente.

Também chamou de "comissão da mentira" uma instância criada por Paz para investigar fatos de corrupção no setor de hidrocarbonetos durante os 20 anos de governos socialistas que o antecederam.

"Se autointerpreta (...) como uma pessoa que é capaz de substituir, ofuscar e até mesmo ir além do presidente", comenta Gamboa.

Seus impulsos de espontaneidade, realizados quando era apenas criador de conteúdo, agora afetam sua popularidade. Segundo o sociólogo, Lara "vai enfraquecer e se desgastar por si mesmo".

Uma recente pesquisa da Ipsos-Ciesmori, realizada nas quatro principais cidades do país, indica que a gestão de Lara tem uma rejeição de 54% e uma aprovação de 32%.

O mandatário Paz, por sua vez, conta com o respaldo de 65% dos consultados.

- Sombra na região -

Os vices incômodos sempre fizeram parte do panorama político da América Latina.

Casos recentes são o de Verónica Abad, que perdeu o cargo no Equador em meio a disputas com o presidente Daniel Noboa; o de Cristina Fernández da Argentina, que criticou abertamente Alberto Fernández; ou o de Dina Boluarte no Peru, que substituiu Pedro Castillo.

"As constituições na América Latina não mostram saídas institucionais específicas. Os presidentes são obrigados a negociar politicamente quando têm conflitos com seus vice-presidentes para evitar o desastre", diz Gamboa.

No caso da Bolívia, Paz deve resolver imediatamente suas diferenças frente a frente com Lara, acrescenta o especialista.

"Do contrário, isto poderia transbordar", agrega, pois uma crise dentro do governo pode gerar tanta instabilidade como uma convulsão social.

T.Maeda--JT