The Japan Times - Belarus liberta líder da oposição Maria Kolesnikova e Nobel da Paz Ales Bialiatsky

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Belarus liberta líder da oposição Maria Kolesnikova e Nobel da Paz Ales Bialiatsky
Belarus liberta líder da oposição Maria Kolesnikova e Nobel da Paz Ales Bialiatsky / foto: Petras Malukas - AFP

Belarus liberta líder da oposição Maria Kolesnikova e Nobel da Paz Ales Bialiatsky

Belarus libertou 123 prisioneiros neste sábado (13), incluindo o ganhador do Nobel da Paz, Ales Bialiatsky, e a líder da oposição, Maria Kolesnikova, após um acordo sem precedentes negociado com os Estados Unidos, anunciou o grupo de direitos humanos Viasna.

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O presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, prendeu milhares de figuras da oposição, críticos e manifestantes desde sua reeleição em 2020 para um sexto mandato, após assumir o poder em 1994.

Grupos de defesa dos direitos humanos consideram as eleições de 2020, que desencadearam semanas de protestos sem precedentes em todo o país, fraudulentas.

Maria Kolesnikova, de 43 anos, musicista de formação, foi a protagonista do movimento que quase derrubou Lukashenko e ficou famosa por rasgar seu passaporte quando a KGB, a agência de inteligência bielorrussa, tentou deportá-la.

Baliatsky, de 63 anos, um dos vencedores do Prêmio Nobel da Paz de 2022, passou décadas documentando violações dos direitos humanos. Lukashenko o considera um inimigo pessoal.

O ativista fundou a Viasna ("Primavera") em 1996 e, durante anos, liderou a principal organização de direitos humanos e uma importante fonte de informações sobre a repressão neste país do leste europeu.

O opositor Viktor Babariko, um dos principais rivais de Lukashenko até ser preso antes das eleições de 2020, também foi libertado neste sábado, segundo a Viasna.

Lukashenko "decidiu conceder indulto a 123 cidadãos de diversos países", declarou no Telegramneste sábado a conta de Poul Pervogo, ligada à presidência bielorrussa.

O anúncio veio logo após o enviado dos Estados Unidos, John Coale, em visita a Minsk, declarar que Washington havia suspendido as sanções ao potássio bielorrusso. Esse componente, do qual Belarus é um grande produtor, é usado na fabricação de fertilizantes.

Nos últimos meses, o presidente dos EUA, Donald Trump, instou Belarus a libertar centenas de presos políticos no país, e Lukashenko concedeu indulto a dezenas de pessoas.

Em contrapartida, Washington já havia suspendido parcialmente as sanções à companhia aérea bielorrussa Belavia, permitindo que ela mantivesse e comprasse peças para sua frota, que inclui aviões Boeing.

Coale também afirmou neste sábado que o bom relacionamento de Lukashenko com seu homólogo russo, Vladimir Putin, poderia ser "muito útil" nos esforços de mediação dos Estados Unidos para pôr fim à guerra entre Ucrânia e Rússia.

- "Felicidade surreal" -

"Ales Bialiatski está livre!", declarou a Viasna nas redes sociais, acrescentando que ele passou 1.613 dias na prisão, cumprindo uma pena de 10 anos.

O ativista, que segundo sua esposa estava a caminho da Lituânia, disse ao veículo de comunicação da oposição bielorrussa Belsat, após sua libertação, que "a luta continua".

O Comitê Nobel Norueguês expressou alívio com a libertação de Bialiatski e pediu a libertação de "mais de 1.200 presos políticos que permanecem atrás das grades em Belarus".

Enquanto isso, Kolesnikova — que foi transferida para a Ucrânia junto com outros 113 presos libertados — disse sentir uma "felicidade surreal", segundo um vídeo transmitido pelo programa do governo ucraniano "Quero Viver".

"Penso nas pessoas que ainda não são livres e anseio pelo momento em que poderemos nos abraçar", disse a líder da oposição no vídeo.

Ela também conversou brevemente por telefone com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, informou um assessor do presidente.

A irmã de Kolesnikova, Tatiana Khomich, disse à AFP que ela parecia "normal", apesar dos temores de que sua saúde tivesse se deteriorado na prisão, onde cumpria uma pena de 11 anos.

Entre os presos libertados também havia estrangeiros, incluindo um americano, segundo uma fonte em seu país, e cinco ucranianos, de acordo com Zelensky.

M.Fujitav--JT