The Japan Times - Valas comuns eternizam Guerra Civil Espanhola

EUR -
AED 4.323663
AFN 75.347698
ALL 95.528884
AMD 433.357851
ANG 2.107244
AOA 1080.76821
ARS 1633.856661
AUD 1.622053
AWG 2.120625
AZN 1.998435
BAM 1.95745
BBD 2.371979
BDT 144.501779
BGN 1.963868
BHD 0.444762
BIF 3505.049681
BMD 1.177307
BND 1.490912
BOB 8.13772
BRL 5.783991
BSD 1.177682
BTN 111.001246
BWP 15.768021
BYN 3.328106
BYR 23075.220654
BZD 2.368556
CAD 1.60434
CDF 2726.643841
CHF 0.915594
CLF 0.026771
CLP 1053.619683
CNY 8.018934
CNH 8.004864
COP 4375.579851
CRC 540.246115
CUC 1.177307
CUP 31.19864
CVE 110.358004
CZK 24.307746
DJF 209.713173
DKK 7.473711
DOP 70.036942
DZD 155.656005
EGP 62.059278
ERN 17.659608
ETB 183.885946
FJD 2.567817
FKP 0.865876
GBP 0.864232
GEL 3.154767
GGP 0.865876
GHS 13.24894
GIP 0.865876
GMD 86.554381
GNF 10335.710425
GTQ 8.992349
GYD 246.393463
HKD 9.220446
HNL 31.307986
HRK 7.535707
HTG 154.245405
HUF 355.876999
IDR 20367.943937
ILS 3.423391
IMP 0.865876
INR 110.813802
IQD 1542.754293
IRR 1545804.322744
ISK 143.820085
JEP 0.865876
JMD 185.496327
JOD 0.834676
JPY 184.107546
KES 152.049068
KGS 102.920785
KHR 4723.900821
KMF 493.292187
KPW 1059.5893
KRW 1707.760614
KWD 0.362316
KYD 0.98141
KZT 545.383409
LAK 25844.34129
LBP 105461.686315
LKR 379.218313
LRD 216.108454
LSL 19.214893
LTL 3.476282
LVL 0.712141
LYD 7.449278
MAD 10.794097
MDL 20.261731
MGA 4890.03801
MKD 61.637784
MMK 2472.158404
MNT 4215.283897
MOP 9.499044
MRU 47.11971
MUR 55.003406
MVR 18.195334
MWK 2042.086278
MXN 20.25245
MYR 4.602768
MZN 75.241442
NAD 19.21473
NGN 1599.277482
NIO 43.336522
NOK 10.868907
NPR 177.604659
NZD 1.968697
OMR 0.452674
PAB 1.177672
PEN 4.079238
PGK 5.125319
PHP 71.048724
PKR 328.138038
PLN 4.227757
PYG 7208.074609
QAR 4.292718
RON 5.266061
RSD 117.394022
RUB 87.91019
RWF 1726.5257
SAR 4.424583
SBD 9.441335
SCR 16.221677
SDG 707.017566
SEK 10.825925
SGD 1.490041
SHP 0.878979
SLE 29.020987
SLL 24687.538318
SOS 673.055784
SRD 44.044242
STD 24367.881574
STN 24.520456
SVC 10.304684
SYP 130.149312
SZL 19.208617
THB 37.833955
TJS 11.005488
TMT 4.126462
TND 3.416079
TOP 2.834673
TRY 53.266239
TTD 7.966579
TWD 36.95391
TZS 3054.738898
UAH 51.56956
UGX 4404.674629
USD 1.177307
UYU 47.089685
UZS 14271.026915
VES 580.996894
VND 30974.951806
VUV 139.032561
WST 3.192283
XAF 656.499112
XAG 0.01452
XAU 0.000248
XCD 3.181731
XCG 2.122426
XDR 0.817538
XOF 656.510274
XPF 119.331742
YER 280.934968
ZAR 19.142485
ZMK 10597.173903
ZMW 22.434526
ZWL 379.09243
Valas comuns eternizam Guerra Civil Espanhola
Valas comuns eternizam Guerra Civil Espanhola / foto: Cesar MANSO - AFP

Valas comuns eternizam Guerra Civil Espanhola

"É a minha única ilusão, depois posso morrer", diz entre lágrimas María Jesús Ezquerra, que, aos 88 anos, e meio século após a morte de Franco, sonha finalmente em recuperar o corpo de seu pai, assassinado e jogado em uma vala no início da Guerra Civil, para reuni-lo com sua mãe.

Tamanho do texto:

"Sempre fui uma mulher que amava muito o meu pai, sem conhecê-lo, porque não o conheci", acrescenta soluçando na sala de sua casa em Pinsoro, Aragão. Ao seu lado, sua filha Conchita García segura sua mão, e diante delas, sobre a mesa, há fotos de sua mãe e de seu pai, Jesús Ezquerra.

Após o rápido triunfo do golpe militar de 1936 nesta região, este trabalhador rural e vereador socialista de 38 anos estava certo de que viriam buscá-lo e havia planejado escapar.

Quando finalmente chegaram à sua casa, temeu deixar para trás sua esposa e quatro filhos, mais um a caminho, María Jesús. Dois dias depois, jazia na vala comum do cemitério de Ejea de los Caballeros junto a cerca de 150 pessoas, segundo uma estimativa conservadora.

Acabaram de começar os trabalhos de exumação da vala de Ejea, uma localidade de 17.000 habitantes a uma hora ao norte de Zaragoza, e María Jesús é uma das poucas filhas das vítimas que ainda está viva, aumentando, e muito, as possibilidades de identificar seu pai pelo DNA.

- Cerca de 114.000 desaparecidos -

Existem mais de 3.300 sepulturas clandestinas da Guerra Civil e 114.000 desaparecidos, segundo o governo de Pedro Sánchez.

Embora tenha havido execuções extrajudiciais no lado republicano, o franquismo fez um esforço para recuperar os corpos e homenageá-los.

A maior vala comum da Espanha está no Vale dos Caídos, agora chamado de Cuelgamuros, o mausoléu próximo a Madri que Franco construiu para sua glória, e para o qual levou cerca de 33.000 mortos de ambos os lados, sem informar as famílias dos republicanos.

Após a morte de Franco em 1975, alguns familiares começaram a exumar seus entes queridos, porque muitas vezes se sabia onde estavam, mas somente em 2022 foi aprovada a lei que atribuía ao Estado "a responsabilidade" pelas exumações.

No entanto, a tarefa continua principalmente nas mãos de organizações, como a Associação Memória Histórica Batalhão Cinco Vilas, promotora dos trabalhos em Ejea.

"Esperamos que o projeto dure cerca de dois anos, porque é necessário reunir muitos recursos econômicos", explica o secretário desta associação, Javier Sumelzo, de 42 anos.

Além disso, "os testes de DNA levarão seu tempo", conclui.

- Menos de 1% identificados -

Javier Ruiz, arqueólogo de 56 anos que lidera a exumação, lamenta meio século perdido na Espanha, entre resistências e oposição de muitos políticos e cidadãos.

Neste momento, não existe sequer um banco de dados genéticos nacional, como previa a lei de 2022, mas sim vários regionais desconectados.

"O que mais nos irrita é abrir uma vala e depois não conseguir identificar quase ninguém. E conforme o tempo passa, isso se torna muito mais problemático", lamenta Ruiz.

Sem o DNA dos filhos, a maioria já falecidos, "você tem que recorrer a linhas [genéticas] laterais, quanto mais distante vai, mais complicado fica", narra diante da fossa, da qual emergem esqueletos.

Segundo dados do governo do final de setembro, dos 9.000 corpos exumados nos últimos 5 anos, apenas 70 foram entregues às famílias, menos de 1%.

Cristina Sánchez, de 34 anos, arqueóloga forense na escavação de Ejea, conversa com os familiares que vão ao cemitério.

"Às vezes conseguimos que a família nos envie alguma foto ou nos conte se tinha algum tipo de claudicação, usava óculos, algum traço físico", explica.

Podem surgir indícios da identidade de alguém, mas o teste de DNA é imprescindível, caso contrário "você gera uma esperança que não deveria", afirma.

- Fechar feridas, terminar -

Conchita, a filha de María Jesús, dedicou-se nos últimos anos a lutar para recuperar seu avô. Ela visita a vala quando pode, e para ela, as exumações "não abrem feridas, elas as fecham".

Concordam com ela três primos sexagenários, Ramón, Mariví e Paquita, netos de Eusebio Fenollé Miguel, assassinado em 1936 e já identificado após ser desenterrado de uma pequena localidade próxima.

Seus avós descansam finalmente na mesma tumba, coberta com a foto de seu casamento. Recuperá-lo foi um "alívio, porque você encontrou uma pessoa que não conheceu, mas que amava", diz Ramón diante da sepultura, enquanto Mariví e Paquita respondem em uníssono que isso significou "terminar a história".

Y.Hara--JT