The Japan Times - Candidato presidencial Quiroga traça uma Bolívia de livre comércio e sem laços com Maduro

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Candidato presidencial Quiroga traça uma Bolívia de livre comércio e sem laços com Maduro
Candidato presidencial Quiroga traça uma Bolívia de livre comércio e sem laços com Maduro / foto: Aizar RALDES - AFP

Candidato presidencial Quiroga traça uma Bolívia de livre comércio e sem laços com Maduro

Jorge "Tuto" Quiroga busca uma mudança radical para a Bolívia. O ex-mandatário e candidato de direita planeja implantar uma economia de mercado e encerrar a aliança que os governos de esquerda teceram com o que ele chama de "tirania troglodita" da Venezuela, Cuba e Nicarágua.

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Quiroga, que enfrentará o candidato de centro-direita Rodrigo Paz em um segundo turno em 19 de outubro, falou com a AFP em seu apartamento, em uma zona abastada do sul de La Paz.

O líder do movimento Libre, de 65 anos, obteve a segunda votação mais alta no primeiro turno realizado em 17 de agosto.

Quiroga propõe um plano de choque para superar a grave crise derivada da falta de dólares. Antigo rico produtor de gás, a Bolívia praticamente esgotou suas reservas para sustentar os subsídios aos combustíveis.

O país enfrenta escassez de gasolina, diesel e de alguns alimentos, além de uma inflação interanual de quase 25%, um recorde em 17 anos.

No primeiro turno eleitoral, a esquerda liderada por Evo Morales e Luis Arce — rompidos pelo poder — foi duramente castigada.

Aqui, trechos da entrevista com Quiroga:

Pergunta: Qual é seu plano econômico diante da crise?

Resposta: "Há dois buracos: o fiscal e o de balanço de pagamentos. O buraco fiscal você resolve parando a gastança e a roubalheira. Essa é a gastança: as viagens, os diários, os celulares e os gastos sem limite. Você tem que cortar a gastança e tem que resolver o problema do balanço de pagamentos, porque se não há dólares você não pode importar diesel e gasolina e as filas vão continuar (...).

Eles [o governo] contraíram dívida externa. É preciso reestruturar a dívida cara e corrupta, fazer um programa internacional de injeção de 12 bilhões de dólares para o balanço de pagamentos com todos os organismos [internacionais].

Voltar a assinar tratados bilaterais de proteção de investimentos, firmar acordos de livre comércio (...) e reincorporar a Bolívia a todos os mecanismos de arbitragem internacional para que chegue investimento estrangeiro em hidrocarbonetos, mineração e lítio."

P: O que acontecerá com os contratos para a exploração do lítio assinados com China e Rússia?

R: "Os contratos de Arce e tudo o que eles fizeram não têm nenhum reconhecimento da nossa parte. Parem-nos, não serão aprovados e o Congresso não vai aprovar esses contratos (...) Vamos fazer uma lei de evaporíticos (...) E essa será a maneira transparente de atrair investimento, isso é segurança jurídica."

P: Prevê mudar a Constituição de 2009, impulsionada pelo Movimento Ao Socialismo?

R: "São reformas parciais junto com a nova lei de hidrocarbonetos, de mineração, de evaporíticos, a nova lei de impostos para reduzir os tributos (...) os três eixos da reforma parcial são abrir a Bolívia ao investimento, dando segurança jurídica; reforma da Justiça; e autonomia total, descentralizando a prestação dos serviços de saúde, educação e segurança."

P: O que acontecerá com Evo Morales, que será seu principal opositor?

R: "Ele nunca se apresentou diante de seus próprios juízes. Tem um mandado de prisão que o governo atual, fraco (...), não executa. Comigo, a lei será aplicada em toda a Bolívia, em todo momento, a todas as pessoas.

A Bolívia vai mudar, o ciclo desse senhor terminou, seu tempo se encerrou (...) Comigo, ele terá que responder diante da Justiça se estiver na Bolívia em 8 de novembro, sem tolerância nem contemplação alguma."

P: Está de acordo com uma intervenção dos Estados Unidos para derrubar Nicolás Maduro?

R: "Todos os países, para serem membros desta comunidade da América Latina, temos que ter eleições livres, justas e transparentes, alternância no poder (...) Isso não existe nas três tiranias trogloditas totalitárias da Venezuela, Cuba e Nicarágua.

Maduro é o chefe de um conglomerado criminoso mafioso que roubou a presidência da Venezuela (...) E eu sei que agora ele está morto de medo, colocaram uma recompensa [por sua captura]."

K.Abe--JT