The Japan Times - Hiroshima pede ao mundo que abandone as armas nucleares 80 anos após bombardeio

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Hiroshima pede ao mundo que abandone as armas nucleares 80 anos após bombardeio
Hiroshima pede ao mundo que abandone as armas nucleares 80 anos após bombardeio / foto: Richard A. Brooks - AFP

Hiroshima pede ao mundo que abandone as armas nucleares 80 anos após bombardeio

O Japão recorda na quarta-feira (6) o 80º aniversário do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima com uma cerimônia que deve reunir um número recorde de países representados, em um contexto marcado por pedidos pelo abandono das armas nucleares e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

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Às 8h15 do dia 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram a bomba atômica sobre a cidade japonesa, uma ação que matou quase 140.000 pessoas. Três dias depois, um projétil similar foi lançado sobre Nagasaki e provocou aproximadamente 74.000 mortes.

Os dois ataques, que precipitaram o fim da Segunda Guerra Mundial, são os únicos casos na história em que armas nucleares foram usadas em tempos de guerra.

Representantes de 120 países e regiões comparecerão à cerimônia de quarta-feira em Hiroshima, segundo as autoridades da cidade.

Contudo, grandes potências nucleares como Rússia, China e Paquistão não estarão presentes. O Irã, acusado de tentar desenvolver uma bomba atômica, estará representado.

Ao contrário do habitual, o Japão informou que "não selecionou os convidados" para a cerimônia, e sim "notificou" todos os países e regiões sobre a organização do evento.

Assim, Palestina e Taiwan, que Tóquio não reconhece oficialmente como países, anunciaram sua presença no evento pela primeira vez.

"A existência de líderes (políticos) que querem reforçar seu poder militar para resolver os conflitos, inclusive por meio da posse de armas atômicas, dificulta o estabelecimento da paz mundial", declarou na semana passada o prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, em referência às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

- Cúpula emblemática-

Matsui também convidou no mês passado Donald Trump a visitar Hiroshima, depois que o presidente dos Estados Unidos comparou os recentes ataques aéreos contra o Irã com os bombardeios atômicos de 1945.

"Parece que não compreende completamente a realidade dos bombardeios atômicos, que, se utilizados, custam a vida de muitos cidadãos inocentes, sejam amigos ou inimigos, e ameaçam a sobrevivência da humanidade", enfatizou o prefeito na ocasião.

Atualmente, Hiroshima é uma próspera metrópole de 1,2 milhão de habitantes, mas as ruínas de um edifício permanecem no centro da cidade para recordar o horror do ataque.

"É importante que muitas pessoas se reúnam nesta cidade afetada pela bomba atômica, porque as guerras continuam ao redor do mundo", afirmou Toshiyuki Mimaki, copresidente da Nihon Hidankyo, uma organização de sobreviventes da bomba que venceu o Prêmio Nobel da Paz 2024.

A Nihon Hidankyo pede aos países que atuem para eliminar as armas nucleares, com base nos testemunhos dos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, conhecidos como "hibakusha".

"Desejo que os representantes estrangeiros visitem o Museu Memorial da Paz e compreendam o que ocorreu", explicou Mimaki.

- Rússia em Nagasaki -

Transmitir a memória dos "hibakusha" e as lições aprendidas com a catástrofe é um desafio cada vez maior para esta organização, já que a idade média dos sobreviventes agora é de 86 anos.

"Acredito que a tendência mundial para um mundo sem armas nucleares continuará. A geração jovem está trabalhando arduamente para conseguir isso", afirmou à AFP Kunihiko Sakuma, de 80 anos, que tinha nove meses quando aconteceu o bombardeio e estava a três quilômetros do ponto de impacto.

Sakuma, que se reunirá com o primeiro-ministro Shigeru Ishiba após a cerimônia, pretende solicitar ao chefe de Governo a adesão de Tóquio ao tratado da ONU para a proibição das armas nucleares, assinado em 2017.

Tóquio se negou a assinar o tratado, alegando que seu objetivo não é viável sem a ajuda dos Estados que possuem armas atômicas.

No sábado, Nagasaki também espera um número recorde de países em sua cerimônia de recordação, incluindo a Rússia, que participará pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia em 2022.

"Este ano queremos que os participantes venham e vejam a realidade da catástrofe que uma arma nuclear pode provocar", declarou à AFP uma fonte do governo da cidade.

K.Inoue--JT