The Japan Times - Irã e países europeus retomam negociações sobre programa nuclear em Istambul

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Irã e países europeus retomam negociações sobre programa nuclear em Istambul
Irã e países europeus retomam negociações sobre programa nuclear em Istambul / foto: Yasin Akgul - AFP

Irã e países europeus retomam negociações sobre programa nuclear em Istambul

Uma delegação iraniana retomou as negociações sobre o programa nuclear iraniano em Istambul nesta sexta-feira (25) com representantes da Alemanha, França e Reino Unido, que ameaçam restabelecer sanções contra Teerã.

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Este é o primeiro encontro entre esses quatro países desde a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, que o Estado israelense iniciou em meados de junho sob o pretexto de impedir a República Islâmica de adquirir armas nucleares.

Os Estados Unidos se juntaram ao seu aliado israelense na ofensiva, bombardeando três instalações nucleares iranianas na noite de 21 para 22 de junho.

A televisão estatal iraniana informou que as negociações começaram às 9h30 locais (3h30 em Brasília), no consulado iraniano em Istambul, e devem durar até aproximadamente 12h30.

Esses três países europeus, juntamente com os Estados Unidos, a China e a Rússia, assinaram um acordo com o Irã em 2015 que previa restrições ao desenvolvimento de seu programa nuclear em troca do levantamento gradual das sanções da ONU.

Mas em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump, os Estados Unidos retiraram-se unilateralmente do pacto e restabeleceram sanções contra Teerã.

Alemanha, França e Reino Unido reafirmaram seu compromisso com o acordo de 2015 e sua intenção de continuar o comércio com o Irã. Por isso, as sanções da ONU e da Europa não foram restabelecidas.

Mas agora os três acusam Teerã de não honrar seus compromissos e ameaçam restabelecer todas as sanções previstas em uma cláusula do acordo que expira em outubro. O Irã quer evitar isso a todo custo.

Antes do início das negociações, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, disse que esta reunião é "um teste de realismo para os europeus e uma oportunidade valiosa para corrigir sua posição sobre a questão nuclear iraniana", segundo declarações da agência de notícias oficial Irna.

- "Totalmente ilegal" -

Uma fonte europeia garantiu à AFP que "a omissão do E3 (como esses três países são conhecidos) não é uma opção" diante do Irã.

Os europeus estão se preparando para ativar esse mecanismo "na ausência de uma solução negociada", disse a fonte, que instou o Irã a retomar sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), suspensa por Teerã após a guerra com Israel.

O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Qaribabadi, que deve participar da reunião em Istambul, disse na terça-feira que recorrer ao chamado "snapback" seria "totalmente ilegal".

O Irã ameaçou se retirar do Tratado de Não Proliferação Nuclear, que garante o uso pacífico da energia atômica, se as sanções da ONU forem restabelecidas. Mas a República Islâmica quer evitar essa possibilidade, pois agravaria seu isolamento internacional e aumentaria a pressão sobre sua economia, já enfraquecida pelas sanções.

O Irã acredita que a AIEA tem alguma responsabilidade pelo início dos ataques israelenses e americanos, por isso suspendeu oficialmente toda a cooperação com a agência da ONU no início de julho.

- "Orgulho nacional"-

A suspensão oficial da cooperação com a AIEA provocou indignação em Israel, que instou os três países europeus a "restaurar todas as sanções contra o Irã".

Após a guerra, o Irã reiterou que não abandonará seu programa nuclear, um "orgulho nacional", nas palavras do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi. "É importante que (os europeus) saibam que as posições do Irã permanecem inabaláveis e que o enriquecimento de urânio continuará", disse na quinta-feira.

Inspetores da AIEA deixaram o país, mas uma equipe técnica deve visitá-lo em breve, embora não tenha acesso às instalações nucleares.

Araqchi afirmou que o enriquecimento de urânio está atualmente "suspenso" devido aos "graves" danos causados pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel.

Essa questão foi um dos principais pontos de desacordo entre Washington e Teerã durante as várias rodadas de negociações que mantiveram antes da guerra com Israel.

O Irã considera o enriquecimento de urânio um direito "inegociável" para o desenvolvimento de um programa nuclear civil, mas, para os Estados Unidos, trata-se de uma "linha vermelha" à qual se recusam a consentir.

Segundo a AIEA, o Irã é o único país sem armas nucleares que enriquece urânio a 60%. Essa porcentagem excede em muito o limite de 3,67% estabelecido pelo pacto de 2015, mas ainda fica aquém dos 90% necessários para a fabricação de uma bomba atômica.

Y.Kato--JT