The Japan Times - Ao menos 17 mortos em combates entre Exército da RDC e rebeldes apoiados por Ruanda em Goma

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Ao menos 17 mortos em combates entre Exército da RDC e rebeldes apoiados por Ruanda em Goma
Ao menos 17 mortos em combates entre Exército da RDC e rebeldes apoiados por Ruanda em Goma / foto: PHILÉMON BARBIER - AFP/Arquivos

Ao menos 17 mortos em combates entre Exército da RDC e rebeldes apoiados por Ruanda em Goma

Os combates se intensificaram nesta segunda-feira (27) em Goma, principal cidade do leste da República Democrática do Congo (RDC), entre o Exército e os rebeldes do M23, apoiados por tropas de Ruanda, deixando ao menos 17 mortos e centenas de feridos.

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Em boa parte do dia, foram ouvidos tiros de artilharia pesada e disparos de armas de pequeno porte no centro de Goma, informaram jornalistas da AFP. Ao anoitecer, as detonações pareciam menos frequentes, mas continuavam importantes perto do aeroporto.

Por enquanto, é difícil determinar quais partes da cidade caíram nas mãos dos insurgentes do M23 e dos militares de Ruanda e quais estão sob o controle de Kinshasa.

Ao menos 17 pessoas morreram e 367 ficaram feridas nos confrontos, segundo balanços de vários hospitais.

"Nossas equipes cirúrgicas trabalham 24 horas por dia em frente a um fluxo maciço de feridos, enquanto os combates continuam", afetando sobretudo os civis, explicou Myriam Favier, chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em Kivu do Norte.

Combatentes do M23 ("Movimento de 23 de março") e mais de 3.500 soldados ruandeses, de acordo com a ONU, entraram em Goma no domingo, que estava sitiada há vários dias, disseram várias fontes das Nações Unidas e de segurança.

"Estamos em nossas camas porque estamos com medo", disse à AFP por telefone uma moradora de Goma, Lucie. "Ouvimos os tiros do lado de fora de nossa casa, não podemos sair".

Nos últimos anos, a rebelião M23, um grupo majoritariamente tútsi, tomou grandes extensões de território no leste da RDC, alegando lutar para defender a população de sua etnia.

Apoiados pelas forças de Ruanda, os combatentes do grupo enfrentam há vários dias o Exército congolês e os capacetes azuis nos arredores de Goma.

A batalha por Goma se enquadra em um histórico de violência nas últimas décadas no leste da RDC, na fronteira com Ruanda, onde rivalidades regionais, disputas étnicas e conflitos com grupos armados foram exacerbados desde o genocídio de 1994 em Ruanda.

- "Declaração de guerra" -

No domingo, a RDC acusou Ruanda de ter feito uma "declaração de guerra" ao enviar de 500 a 1.000 soldados a mais para seu território neste fim de semana, de acordo com fontes da ONU.

Ruanda respondeu que estava mantendo uma "postura defensiva" porque os combates perto da fronteira "representam uma séria ameaça à segurança e à integridade territorial" do país.

Um porta-voz do Exército de Ruanda disse na segunda-feira que cinco civis foram mortos e 25 pessoas ficaram gravemente feridas em uma cidade ruandesa que faz fronteira com Goma.

Após o avanço do M23 em direção a Goma e a escalada diplomática entre a RDC e Ruanda, o presidente congolês, Felix Tshisekedi, e seu homólogo ruandês, Paul Kagame, participarão de uma reunião de emergência na quarta-feira na Comunidade da África Oriental (CAO).

O Conselho de Paz e Segurança da União Africana também realizará uma "sessão de emergência" sobre a situação na terça-feira.

A RDC solicitou ao Conselho de Segurança da ONU “sanções específicas” contra os líderes militares e políticos de Ruanda e "um embargo total às exportações de todos os minerais rotulados como ruandeses, em particular coltan e ouro".

A UE pediu que o M23 "interrompesse seu avanço" e que Ruanda "se retirasse imediatamente". A União Africana pediu "a manutenção firme do cessar-fogo acordado pelas partes" no final de julho.

O Conselho de Segurança da ONU emitiu um comunicado pedindo a retirada das "forças externas" agressivas, sem citar explicitamente quem são elas.

T.Sato--JT