The Japan Times - Israel quer 'manter pressão militar' apesar de indignação por morte de reféns

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Israel quer 'manter pressão militar' apesar de indignação por morte de reféns
Israel quer 'manter pressão militar' apesar de indignação por morte de reféns / foto: AHMAD GHARABLI - AFP

Israel quer 'manter pressão militar' apesar de indignação por morte de reféns

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste sábado que deseja manter "a pressão militar" na Faixa de Gaza, apesar da indignação gerada em Israel pela morte de três reféns devido a um erro do Exército israelense.

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"Com todo o profundo pesar, quero deixar claro: a pressão militar é necessária tanto para o retorno dos reféns quanto para alcançarmos a vitória sobre os nossos inimigos. A orientação que dou à equipe de negociações é baseada nessa pressão. Sem ela, não temos nada”, ressaltou Netanyahu, em entrevista coletiva.

O Exército israelense admitiu hoje que os três reféns mortos por seus soldados em Gaza agitavam uma bandeira branca e haviam pedido ajuda em hebraico, após divulgarem os primeiros elementos da investigação sobre o incidente, que gerou protestos em Tel Aviv.

"Temos a impressão de que estão jogando roleta russa: Quem será o próximo a saber da morte de um ente querido? Queremos saber qual proposta está sobre a mesa do governo", disse Ruby Chen, pai de Itay Chen, refém de 19 anos.

As vítimas, Yotam Haim (28 anos), Alon Shamriz (26) e Samer El Talalqa (25) morreram durante operações em um bairro da Cidade de Gaza, segundo o Exército.

Os três estavam entre um total de cerca de 250 pessoas sequestradas pelo movimento islamista palestino Hamas durante seu ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro. Essa ofensiva deixou 1.140 mortos, a maioria civis, segundo as autoridades israelenses.

O porta-voz do Exército israelense, Daniel Hagari, explicou que, durante os combates na Cidade de Gaza, as tropas identificaram "por engano três reféns israelenses como uma ameaça e, como resultado, os soldados atiraram neles e os mataram".

- Investigação -

Segundo os primeiros elementos da investigação, o Exército de Israel informou que os reféns agitaram uma bandeira branca improvisada e pediram ajuda em hebraico, em uma região onde as tropas israelenses sofrem numerosas emboscadas.

"Um dos soldados viu quando apareceram. Eles não usavam camisa e traziam um bastão com um pano branco. O soldado se sentiu ameaçado e disparou, declarando que eram terroristas. Dois (reféns) morreram", disse um oficial militar à imprensa.

"Imediatamente outro foi ferido e correu em direção a um edifício", acrescentou, relatando que os soldados "ouviram um grito de socorro em hebraico".

Embora o comandante do batalhão tivesse ordenado que os disparos cessassem, o terceiro refém foi baleado e morreu, adicionou o oficial militar.

Benjamin Netanyahu, classificou a morte dos reféns como "uma tragédia insuportável", que enlutou "todo o Estado de Israel". Nos Estados Unidos, a Casa Branca descreveu a morte dos reféns como um "erro trágico".

Em resposta aos ataques do Hamas, Israel prometeu "aniquilar" o grupo islamista e iniciou uma ofensiva na Faixa de Gaza, que agora se estende a todo o território, incluindo o sul, onde há centenas de milhares de civis deslocados.

Segundo o Ministério da Saúde do Hamas, os bombardeios israelenses deixaram pelo menos 18.800 mortos, 70% dos quais eram mulheres, crianças e adolescentes.

Um acordo de trégua, mediado por Catar, Egito e EUA, permitiu uma pausa de uma semana nos combates no final de novembro, a libertação de mais de 100 reféns em troca de 240 palestinos presos em Israel, bem como a entrega de ajuda humanitária de emergência. Neste momento, 129 pessoas permanecem como reféns em Gaza.

Após o anúncio da morte dos três reféns, o site de notícias Axios informou que o diretor da Mossad, a agência de Inteligência israelense, David Barnea, deve se reunir neste fim de semana na Europa com o primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman Al Thani, para contemplar uma segunda fase de trégua.

“O Exército sionista conhece muito bem nossas condições para libertar os reféns, nenhum deles será solto se elas não forem aceitas", afirmou Abu Obeida, porta-voz do braço militar do Hamas.

- Combates sangrentos -

A ONU e ONGs descrevem as condições de vida na superlotada Faixa de Gaza, sitiada por Israel desde 9 de outubro, como um pesadelo. Os civis palestinos estão amontoados em áreas cada vez menores. Cerca de 1,9 milhão de habitantes (85% da sua população) foram deslocados, segundo a ONU.

Na Cisjordânia ocupada, onde a violência se intensificou desde o início da guerra em Gaza, oito palestinos foram presos em Nablus, local em que o Exército de Israel lançou uma operação, informou a agência de notícias palestina Wafa. Já Israel continua sendo alvo de foguetes lançados da Faixa de Gaza.

Além disso, a guerra continua aumentando a tensão regional.O Exército de Israel anunciou neste sábado que um soldado morreu e outros dois ficaram feridos após terem sido atingidos por uma "aeronave hostil", em uma região do norte perto da fronteira com o Líbano.

Os ministros das Relações Exteriores do Reino Unido e da Alemanha pediram um “um cessar-fogo duradouro”. “Mataram muitos civis”, ressaltaram David Cameron e Annalena Baerbock em artigo publicado no jornal britânico Sunday Times.

M.Saito--JT