The Japan Times - Nove palestinos morrem em incursão israelense de grande escala na Cisjordânia

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Nove palestinos morrem em incursão israelense de grande escala na Cisjordânia
Nove palestinos morrem em incursão israelense de grande escala na Cisjordânia / foto: Jaafar ASHTIYEH - AFP

Nove palestinos morrem em incursão israelense de grande escala na Cisjordânia

O Exército israelense matou nove palestinos nesta segunda-feira (3) em Jenin, na Cisjordânia ocupada, durante uma "ampla operação antiterrorista" que incluiu ataques com drones.

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As forças israelenses afirmaram que buscam atacar uma "infraestrutura terrorista" e um "centro de operações conjuntas" que, segundo eles, serve como ponto de comando para a "Brigada Jenin", um grupo militante local.

Cerca de 3.000 palestinos deixaram o campo de refugiados de Jenin após a operação israelense no norte da Cisjordânia ocupada, informou à AFP o vice-governador de Jenin, Kamal Abu al-Roub, que acrescentou que gestões estavam sendo feitas para abrigá-los em escolas e em outros lugares da cidade.

Em outro comunicado publicado nesta segunda-feira às 10h20, horário local (4h20 no horário de Brasília), o Exército afirmou que os disparos prosseguiam no acampamento de refugiados palestinos próximo à cidade de Jenin, no norte da Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967.

As forças israelenses atacaram uma instalação de produção de armas e armazenamento de munições explosivas, detalhou o Exército.

Nove palestinos morreram e 100 ficaram feridos, 20 deles em estado grave, na operação israelense, segundo o Ministério da Saúde palestino.

O Ministério das Relações Exteriores palestino acusou o Exército israelense de ter lançado "uma guerra aberta contra a população em Jenin".

Em outro incidente, "um homem foi morto por disparos da ocupação [israelense] na entrada norte de Al Bireh, perto de Ramallah", acrescentou.

De acordo com um comunicado das forças israelenses, um "soldado ficou levemente ferido por estilhaços de granada do Exército [israelense] na operação" em Jenin.

- 'De surpresa' -

"Estamos atacando este centro de terrorismo [em Jenin] com grande força", disse o ministro das Relações Exteriores de Israel, Eli Cohen, à imprensa em Jerusalém.

O ministro da Defesa, Yoav Gallant, declarou que está sendo aplicada uma "estratégia proativa" contra o terrorismo.

"As pessoas sabiam que provavelmente iríamos entrar, mas o método do ataque aéreo as pegou de surpresa", declarou o tenente-coronel Richard Hecht, porta-voz do Exército israelense.

Segundo o porta-voz, o Exército tem "alvos específicos". "As plataformas aéreas eram UAVs [veículos aéreos não tripulados]", destacou.

A cidade de Jenin e o acampamento de refugiados adjacente são áreas de confrontos frequentes entre forças israelenses e militantes palestinos.

O Exército israelense realiza regularmente incursões no setor, que está teoricamente sob o comando do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

- 'Pior incursão em cinco anos' -

"Há bombardeios e invasão de terras", disse à AFP Mahmud al-Saadi, diretor do Crescente Vermelho palestino, em Jenin.

Um morador da cidade, Badr Shagul, contou que viu "escavadeiras destruindo casas no campo". A situação é "catastrófica", acrescentou, por sua vez, Mahmud Hawashin, morador do acampamento de Jenin.

No hospital da cidade, um jornalista da AFP viu corpos no necrotério e familiares esperando o fim dos combates para poder realizar os funerais.

"Recebemos muitos feridos por explosivos [...], também muitos feridos de bala", afirmou Qasem Benighade, um enfermeiro de 35 anos. "É a pior incursão em cinco anos", frisou.

Ismael Haniyeh, líder do movimento islamista palestino Hamas, qualificou o ataque israelense de "brutal". A Jihad Islâmica palestina afirmou que "todas as opções estão abertas para atacar o inimigo [Israel] em resposta à sua agressão em Jenin".

A Jordânia denunciou "a recente agressão contra a cidade de Jenin" e fez "um apelo urgente à comunidade internacional para [...] acabar com os ataques israelenses aos territórios palestinos ocupados".

A Liga Árabe, por sua vez, convocou uma reunião de urgência para esta terça-feira.

Após a operação do Exército israelense, os Estados Unidos afirmaram que Israel tinha o direito de "defender sua população" dos militantes islamistas, mas pediu que os civis sejam protegidos.

"Apoiamos a segurança de Israel e seu direito de defender sua população contra o Hamas, a Jihad Islâmica Palestina e outros grupos terroristas", disse um porta-voz do Departamento de Estado.

Sete pessoas morreram em junho em uma intervenção do Exército no acampamento de refugiados de Jenin.

Durante o ataque, as forças israelenses também dispararam mísseis de um helicóptero, o que não acontecia na Cisjordânia desde 2002, durante a segunda intifada palestina.

A violência aumentou no mês passado e, desde o início do ano, pelo menos 185 palestinos, 25 israelenses, um ucraniano e um italiano morreram, segundo um balanço da AFP com base em informações divulgadas por fontes oficiais.

T.Shimizu--JT