The Japan Times - Pirarucu, o gigante e delicioso peixe ameaçado da Amazônia

EUR -
AED 4.115309
AFN 71.717058
ALL 90.889523
AMD 403.264778
ANG 2.005587
AOA 1028.686985
ARS 1712.592338
AUD 1.594216
AWG 2.019835
AZN 1.906901
BAM 1.955144
BBD 2.254144
BDT 138.94341
BGN 1.958574
BHD 0.422558
BIF 3358.673777
BMD 1.120574
BND 1.429821
BOB 13.57045
BRL 6.096039
BSD 1.119225
BTN 106.211385
BWP 15.462815
BYN 3.296795
BYR 21963.255333
BZD 2.250845
CAD 1.565946
CDF 2594.129711
CHF 0.923175
CLF 0.02827
CLP 1112.64032
CNY 7.464257
CNH 7.453274
COP 3545.811027
CRC 508.929347
CUC 1.120574
CUP 26.859993
CVE 110.228039
CZK 24.446449
DJF 199.293173
DKK 7.504934
DOP 67.837253
DZD 151.4982
EGP 62.459056
ERN 16.808614
ETB 180.682914
FJD 2.514234
FKP 0.836762
GBP 0.836437
GEL 2.930362
GGP 0.836762
GHS 13.038628
GIP 0.836762
GMD 82.922421
GNF 9905.678451
GTQ 8.556131
GYD 234.591337
HKD 8.791857
HNL 30.081913
HRK 7.585178
HTG 146.630832
HUF 367.480738
IDR 20312.817547
ILS 3.523713
IMP 0.836762
INR 106.356503
IQD 1696.63109
IRR 2093697.740588
ISK 136.51964
JEP 0.836762
JMD 177.850364
JOD 0.794493
JPY 176.560482
KES 145.441231
KGS 97.992758
KHR 4566.468783
KMF 494.173004
KPW 1008.516783
KRW 1494.196256
KWD 0.348689
KYD 0.932687
KZT 507.45984
LAK 25198.550482
LBP 100222.093765
LKR 372.265173
LRD 190.256204
LSL 18.651446
LTL 3.308764
LVL 0.677824
LYD 7.194588
MAD 11.00451
MDL 20.033282
MGA 5062.302521
MKD 61.55436
MMK 2352.790601
MNT 4033.523561
MOP 9.043767
MRU 45.382782
MUR 52.980803
MVR 17.313016
MWK 1940.2494
MXN 21.051276
MYR 4.547517
MZN 71.615531
NAD 18.651446
NGN 1508.819355
NIO 41.18619
NOK 10.318806
NPR 169.938017
NZD 1.98613
OMR 0.428846
PAB 1.119325
PEN 3.873701
PGK 5.093292
PHP 71.452854
PKR 309.619679
PLN 4.423186
PYG 6556.801389
QAR 4.079832
RON 5.358814
RSD 117.480607
RUB 89.983227
RWF 1652.146006
SAR 4.207084
SBD 9.029818
SCR 16.419194
SDG 674.029323
SEK 11.010986
SGD 1.432992
SHP 0.838565
SLE 25.658402
SLL 23497.886699
SOS 639.585536
SRD 42.155439
STD 23193.62458
STN 24.491787
SVC 9.792716
SYP 14569.706067
SZL 18.645748
THB 37.789179
TJS 10.302046
TMT 3.92201
TND 3.346878
TOP 2.698074
TRY 55.954525
TTD 7.588455
TWD 36.554702
TZS 2965.805513
UAH 50.761979
UGX 4756.405094
USD 1.120574
UYU 44.994912
UZS 13423.498864
VES 994.487009
VND 28914.737704
VUV 132.929652
WST 3.110958
XAF 655.957
XAG 0.022814
XAU 0.000289141278
XCD 3.028408
XCG 2.017024
XDR 0.792304
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 264.714514
ZAR 18.73566
ZMK 10086.508216
ZMW 22.568432
ZWL 360.824452
SSP 6437.942953
MXV 2.372594
Pirarucu, o gigante e delicioso peixe ameaçado da Amazônia
Pirarucu, o gigante e delicioso peixe ameaçado da Amazônia / foto: MICHAEL DANTAS - AFP

Pirarucu, o gigante e delicioso peixe ameaçado da Amazônia

Um dos símbolos da região e uma importante fonte de alimento dos povos indígenas da Amazônia, o pirarucu, um peixe gigantesco de carne saborosa, é o alvo preferido dos caçadores ilegais na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, terra de pioneiros e de todo tipo de tráfico.

Tamanho do texto:

Mas o pirarucu também é o objeto de um projeto piscícola local que visa a proteger esse recurso valioso, ao mesmo tempo em que previne invasões de pescadores ilegais no território indígena do Vale do Javari.

Para os kanamari, um dos sete grupos étnicos registrados neste vale fluvial, a história mítica do pirarucu é contada assim: "uma folha de árvore que caiu na água e se transformou em um peixe gigante", relata o cacique Mauro da Silva Kanamari à AFP.

Por muito tempo, o alimento anônimo dos indígenas que vivem nas áreas remotas da imensa floresta amazônica, o pirarucu agora é uma das estrelas dos cardápios de restaurantes gastronômicos e da "cozinha de fusão" do Rio de Janeiro, de Bogotá, ou de Lima.

Um sucesso que é também sua desgraça: seu preço de compra bate recordes nos mercados ilegais e câmaras frigoríficas clandestinas de Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tabatinga, no Amazonas, e sua cidade vizinha Letícia, na Colômbia, principais localidades do triângulo da tríplice fronteira.

- Resistente às piranhas -

O "Arapaima gigas", nome científico do pirarucu, está entre os maiores peixes de água doce do planeta: onívoro, pode atingir facilmente até 3 metros de comprimento e pesar mais de 200 kg.

Sua nadadeira dorsal vermelha e esguia em direção à cauda, bem como sua cabeça achatada e seus olhos globulares, dão a ele uma aparência de fóssil pré-histórico.

Tudo no pirarucu é aproveitado, desde a carne e os filés, suculentos, quase sem espinhas e sem o gosto usual de lama dos peixes de água doce, mas também as tripas, a pele e as escamas (resistentes aos ataques das piranhas!), que são vendidas como chaveiros para turistas.

Sua pesca é feita com redes e arpões, uma vez que o peixe vem à superfície para respirar pelo menos a cada 20 minutos. O pirarucu se reproduz no início do ano, quando as águas estão mais altas, nos lagos e lagoas das curvas do Amazonas e de seus afluentes.

Vítima da sobrepesca em toda a Amazônia brasileira, o pirarucu quase desapareceu nos anos 1990, até que uma regulamentação rigorosa foi implementada em 2004 pelo Ibama.

No Amazonas, sua pesca é estritamente regulamentada. Ela é proibida na reserva do Javari, exceto para o consumo próprio dos indígenas.

- "Bonito e bom" -

Apoiado pela ONG brasileira CTI e gerido diretamente pelos indígenas kanamari, um projeto de piscicultura natural está atualmente em experimentação no rio Médio Javari, que se baseia em uma gestão sustentável implementada com sucesso em outras partes do país.

"A ideia é que os indígenas se alimentem, atendam às suas necessidades, ao mesmo tempo em que protegem seu território", explica Thiago Arruda, responsável local do CTI, à AFP.

Desde 2017, os kanamari têm limitado as capturas ao mínimo em sete dos seus 35 lagos.

A tarefa é árdua e perigosa, diante dos pescadores ilegais. "São eles que nos roubam!", denuncia João Filho Kanamari, um dos coordenadores do projeto.

Organizados em grupos de vigilância, os kanamari apostam na conscientização e no diálogo, diante de pescadores frequentemente agressivos e possivelmente violentos.

Esse projeto de manejo "é muito importante para nós", destaca Bushe Matis, coordenador geral da Univaja, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari.

"Antes as pessoas pescavam de qualquer maneira. Agora, vamos cuidar dos lagos e áreas de pesca, para ter peixes sempre no futuro, contribuindo também para a luta contra as invasões", acredita ele.

Após cinco anos de gestação, o projeto está chegando ao fim neste verão de 2023, com uma contagem final dos pirarucus e as primeiras capturas. O Ibama já deu sua aprovação e autorizou a comercialização das futuras capturas.

Mas há muitos obstáculos. Logísticos, por exemplo, com a organização, pelos rústicos kanamari, de uma cadeia de refrigeração desde as profundezas da floresta. Ou ainda a delicada questão da divisão dos benefícios dentro da comunidade.

Esse manejo também tem despertado o crescente interesse de atores políticos e econômicos locais "nem sempre bem-intencionados e provavelmente envolvidos em redes de pesca ilegal", alerta um promotor do projeto.

Enquanto isso, os kanamari louvam em canção esse projeto "bonito e bom". "O manejo é o futuro de nossos filhos!", sorri o cacique Mauro.

M.Matsumoto--JT