The Japan Times - Estudo mostra rapidez com que se recupera peso após fim do uso de medicamentos para emagrecer

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Estudo mostra rapidez com que se recupera peso após fim do uso de medicamentos para emagrecer
Estudo mostra rapidez com que se recupera peso após fim do uso de medicamentos para emagrecer / foto: MARIO TAMA - GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP/Arquivos

Estudo mostra rapidez com que se recupera peso após fim do uso de medicamentos para emagrecer

Ao encerrar a administração dos novos medicamentos para emagrecer, a recuperação do peso é quatro vezes mais rápida do que se fosse suspenso um programa de dieta e exercícios físicos, revela um estudo britânico publicado nesta quinta-feira (8).

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Nos últimos anos, a nova geração de tratamentos contra diabetes e obesidade, que aumentam a ação de um hormônio atuante sobre a secreção da insulina (GLP-1, peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) e a sensação de saciedade, vem fazendo sucesso, sobretudo nos países ricos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a incluí-los em setembro em sua lista de medicamentos essenciais, mas pediu versões genéricas, mais baratas, para os países mais desfavorecidos.

Pesquisas demonstraram que estes tratamentos ajudam a perder entre 15% e 20% do peso.

"Tudo isso parece uma boa notícia", afirma Susan Jebb, especialista em nutrição pública na Universidade de Oxford e coautora deste estudo publicado na revista médica BMJ. Mas dados recentes indicam que "aproximadamente metade das pessoas abandona estes medicamentos no período de um ano", acrescenta.

- Preços elevados -

Esta interrupção poderia ser explicada pelos frequentes efeitos colaterais, como as náuseas, ou os seus preços elevados, que podem ultrapassar os 1.000 dólares (R$ 5.387, na cotação atual) por mês nos Estados Unidos, embora este valor esteja diminuindo.

Após analisar 37 estudos sobre a interrupção de diferentes tratamentos para emagrecer, os pesquisadores constataram que os participantes recuperavam aproximadamente 0,4 kg por mês.

Seis dos testes clínicos se concentraram na semaglutida, o princípio ativo do Ozempic, indicado para diabetes tipo 2, e do medicamento contra a obesidade Wegovy, do gigante dinamarquês Novo Nordisk, bem como na tirzepatida, utilizada no Mounjaro, da Eli Lilly.

Durante a administração destas duas moléculas, os participantes dos testes perderam cerca de 15 kg, em média. Após a suspensão do tratamento, recuperaram 10 kg em um ano, o período de acompanhamento mais longo para estes medicamentos recentes.

E, segundo uma projeção dos pesquisadores, os pacientes voltarão ao peso inicial em uma média de 18 meses. Os indicadores cardiovasculares, como a pressão arterial e o nível de colesterol, retornaram aos valores de origem em 1 ano e quatro meses.

Em contrapartida, as pessoas que seguiram programas que incluíam dieta e atividade física, sem tomar medicamentos, emagreceram muito menos. Mas levaram, em média, quatro anos para recuperar o peso perdido.

Isto significa que os usuários de medicamentos para emagrecer recuperaram seu peso quatro vezes mais rápido.

- "Ponto de partida" -

No geral, "uma perda de peso significativa tende a acarretar uma recuperação do peso mais rápida", explica Sam West, principal autor do estudo, da Universidade de Oxford.

Segundo outra análise, o aumento de peso é "sistematicamente mais rápido após tomar medicamentos, independentemente do peso perdido no início", acrescenta.

Uma possível explicação é que as pessoas que se habituaram a comer de forma mais saudável e a fazer mais exercício continuam a fazê-lo mesmo quando recuperam peso.

Embora os medicamentos do tipo GLP-1 "sejam uma ferramenta valiosa no tratamento da obesidade, (...) é uma doença crônica e recorrente", assinala Susan Jebb. E cabe esperar que "estes tratamentos tenham de ser mantidos para o resto da vida, como os fármacos contra a hipertensão".

Isto influenciaria a forma como os sistemas nacionais de saúde determinam se tais medicamentos são rentáveis, alertam cientistas.

"Estes novos dados mostram claramente que são um ponto de partida, não uma cura", reage Garron Dodd, pesquisador em neurociência metabólica na Universidade de Melbourne, que não participou do estudo.

"Um tratamento sustentável provavelmente exigirá abordagens combinadas, estratégias mais a longo prazo e terapias que revisem a forma como o cérebro interpreta o equilíbrio energético, e não apenas a quantidade de alimentos ingeridos", afirma ao Science Media Centre.

Y.Hara--JT