The Japan Times - Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina

EUR -
AED 4.225536
AFN 74.787914
ALL 93.340449
AMD 421.450843
AOA 1055.089999
ARS 1718.9768
AUD 1.639962
AWG 2.073936
AZN 1.954509
BAM 1.956036
BBD 2.32096
BDT 142.297166
BHD 0.434547
BIF 3409.355741
BMD 1.150589
BND 1.477898
BOB 14.029692
BRL 5.855323
BSD 1.152339
BTN 109.809247
BWP 15.672754
BYN 3.368577
BYR 22551.540548
BZD 2.317659
CAD 1.618071
CDF 2602.63217
CHF 0.932512
CLF 0.026954
CLP 1064.306821
CNY 7.769468
CNH 7.771434
COP 3733.119891
CRC 523.456324
CUC 1.150589
CUP 30.490603
CVE 110.278304
CZK 24.205519
DJF 205.204755
DKK 7.475249
DOP 66.847193
DZD 153.027114
EGP 57.761807
ERN 17.258832
ETB 185.995213
FJD 2.550165
FKP 0.856466
GBP 0.857016
GEL 3.003167
GGP 0.856466
GHS 13.465624
GIP 0.856466
GMD 85.143351
GNF 10119.220751
GTQ 8.792061
GYD 241.46913
HKD 9.023786
HNL 30.887323
HRK 7.534283
HTG 150.670141
HUF 363.753472
IDR 20743.965538
ILS 3.499918
IMP 0.856466
INR 109.684828
IQD 1509.56899
IRR 1582347.251877
ISK 142.005874
JEP 0.856466
JMD 182.539641
JOD 0.815766
JPY 181.438069
KES 148.828915
KGS 100.619085
KHR 4656.622468
KMF 492.452069
KRW 1647.154159
KWD 0.356105
KYD 0.960308
KZT 546.631193
LAK 26063.144177
LBP 103197.3525
LKR 386.906675
LRD 208.005093
LSL 19.004993
LTL 3.397389
LVL 0.69598
LYD 7.344886
MAD 10.744696
MDL 20.120427
MGA 4908.528158
MKD 61.532423
MMK 2415.852808
MNT 4124.054667
MOP 9.308242
MRU 46.151966
MUR 54.123901
MVR 17.77659
MWK 1998.215008
MXN 19.912549
MYR 4.711637
MZN 73.520492
NAD 19.004828
NGN 1570.047266
NIO 42.405116
NOK 10.969426
NPR 175.692905
NZD 1.962001
OMR 0.442398
PAB 1.152339
PEN 3.89207
PGK 5.085547
PHP 70.409176
PKR 319.97992
PLN 4.312131
PYG 6873.829237
QAR 4.200907
RON 5.245763
RSD 117.368104
RUB 92.514144
RWF 1689.881831
SAR 4.307953
SBD 9.286582
SCR 16.93683
SDG 690.353503
SEK 11.003773
SGD 1.476504
SLE 28.131763
SOS 658.570862
SRD 43.499141
STD 23814.865202
STN 24.502636
SVC 10.083129
SZL 19.008128
THB 38.459009
TJS 10.642084
TMT 4.027061
TND 3.381508
TRY 54.716199
TTD 7.813875
TWD 37.2693
TZS 3043.888404
UAH 51.690362
UGX 4312.520249
USD 1.150589
UYU 46.345591
UZS 13816.546703
VES 860.469449
VND 30239.199638
VUV 137.085532
WST 3.143657
XAF 656.027589
XAG 0.01946
XAU 0.000283
XCD 3.109523
XCG 2.076832
XDR 0.815891
XOF 656.036142
XPF 119.331742
YER 274.273903
ZAR 18.996284
ZMK 10356.679715
ZMW 21.656424
ZWL 370.489125
Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina
Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina / foto: LUIS ROBAYO - AFP

Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina

A Europa quer ser referência mundial em transporte limpo, mas enfrenta um desafio: o lítio, um recurso-chave para fabricar baterias de carros elétricos, e cobiçado pela China na América Latina e na África.

Tamanho do texto:

A China produz mais de três quartos das baterias vendidas no mundo, refina 70% dessa matéria-prima e é o terceiro maior produtor mundial, atrás da Alemanha e do Chile, segundo dados de 2024 do serviço geológico dos Estados Unidos (USGS).

Para ganhar posição, a Europa desenvolveu uma ambiciosa arquitetura regulatória que enfatiza a proteção ambiental, a criação de empregos de qualidade e a cooperação com as comunidades locais.

Além disso, firmou acordos bilaterais com cerca de 15 países, entre eles Chile e Argentina, o quinto maior produtor mundial de lítio.

O problema é o dinheiro.

"Vejo muitos memorandos de entendimento, mas falta ação. Às vezes, no mesmo dia em que assinamos um acordo, os chineses compram uma mina naquele país", disse Julia Poliscanova, diretora da área de veículos elétricos no grupo de reflexão Transport and Environment (T&E), à AFP.

O desfasamento é óbvio: enquanto a China investiu 6,08 bilhões de dólares (aproximadamente 33,9 bilhões de reais) em projetos de lítio de 2020 a 2023, a Europa colocou na mesa apenas 1,06 bilhão de dólares (cerca de 5,9 bilhões de reais), segundo dados recolhidos pelo T&E.

A Agência Internacional de Energia o confirma claramente em seu recente relatório de 2025 sobre minerais críticos, no qual, aliás, destaca o aumento da demanda mundial de lítio no ano passado, em 30%.

"Para garantir o fornecimento de matérias-primas, a China está investindo ativamente nas minas fora do país, através de empresas estatais com apoio político do governo", aponta a AIE.

A China conta com a Iniciativa do Cinturão e Rota, na qual a mineração foi o segundo maior capítulo, com 21,4 bilhões de dólares (cerca de 119,3 bilhões de reais) de investimento em 2024, detalha a AIE.

A Europa "atrasa os níveis de investimento nestas áreas" e, "se não tiver clara sua posição sobre como desenvolver suas indústrias nacionais de baterias e até de mineração (...), vai deixar espaços que serão ocupados em outras partes do mundo", aponta de Santiago do Chile Sebastián Galarza, fundador do Centro de Mobilidade Sustentável.

O caso é especialmente marcante na África, onde a demanda chinesa elevou o Zimbábue à posição de quarto maior produtor mundial de lítio.

"Os chineses e outros atores nem sempre falam de padrões [de investimento], mas lá está o dinheiro deles. Os ideais e padrões da UE precisam vir acompanhados de dinheiro, em forma de investimentos reais em mineração", ressalta Theo Acheampong, do centro de reflexão ECFR.

- América Latina, parceiro imprescindível -

Para 2035, a UE tem o objetivo de que todos os novos carros destinados ao seu mercado produzam zero emissões. A porcentagem de vendas de veículos elétricos na UE foi de 21% em 2024, segundo a AIE.

A Europa planeja construir dezenas de fábricas de baterias, mas não encontra facilidade diante do apetite errático de seus próprios consumidores e da concorrência do Japão (Panasonic), Coreia do Sul (LG Energy Solution, Samsung) e sobretudo, da China (CATL, BYD).

Tanto o mercado como os analistas defendem, portanto, uma aproximação com o triângulo do lítio formado por Chile, Argentina e Bolívia (quase metade das reservas do precioso metal), sem esquecer a emergente produção brasileira. O objetivo: criar cadeias de valor e, que algum dia, as baterias de carros elétricos sejam fabricadas na América Latina também.

A proposta regulatória europeia permitiria à América Latina "compatibilizar o desenvolvimento local com a exportação dessas matérias-primas, e não cair em um ciclo puramente extrativista", expõe Juan Vázquez, chefe-adjunto para a América Latina e o Caribe no Centro de Desenvolvimento da OCDE.

"Atualmente, 4% do lítio do Chile vai para a Europa (...), mas a UE tem todas as possibilidades para aumentar a participação na indústria de baterias", destaca Stefan Debruyne, diretor de assuntos externos da mineradora chilena privada SQM.

- Uma eletrificação crescente -

Galarza levanta a questão fundamental, que vai além da extração do metal.

"Que interesse você tem como empresa em se instalar no Chile para produzir cátodos, baterias ou materiais mais elaborados, se não tem um mercado local ou regional para abastecer? Por que simplesmente não levar o lítio, refiná-lo e fazer tudo na China e nos mandar a bateria de volta?", pergunta.

Defendendo a tradição automotiva do México, Brasil e Argentina, o mesmo responde: "devemos avançar rapidamente para a eletrificação do transporte na região", para que "também sejamos parte dos benefícios dessa transição energética".

O caminho promete ser longo, mas os últimos dados são promissores, segundo a AIE, que elogiou recentemente as políticas públicas aplicadas, tais como incentivos fiscais e reduções das tarifas de registro.

No Brasil, o maior mercado regional, a participação nas vendas de carros elétricos dobrou em 2024 em relação ao ano anterior, alcançando 6,4%, sendo 85% deles importados da China.

A tendência também melhorou na Costa Rica e na Colômbia, com porcentagens de 15% e 7,4%, respectivamente. O México e o Chile cresceram e ficaram ligeiramente acima de 2%.

T.Ikeda--JT