The Japan Times - Feministas e cientistas se unem aos aposentados argentinos em protesto contra Milei

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Feministas e cientistas se unem aos aposentados argentinos em protesto contra Milei
Feministas e cientistas se unem aos aposentados argentinos em protesto contra Milei / foto: Emiliano Lasalvia - AFP

Feministas e cientistas se unem aos aposentados argentinos em protesto contra Milei

Milhares de manifestantes, entre eles cientistas, feministas e pessoas com deficiência, juntaram-se nesta quarta-feira (4) ao protesto semanal dos aposentados em Buenos Aires contra as medidas de austeridade do governo do presidente argentino Javier Milei.

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Com palavras de ordem como "o ajuste e a crueldade não se enfrentam sozinhos" e "tirem a motosserra dos nossos direitos", os manifestantes se mobilizaram na tarde desta quarta diante de um Congresso cercado e com um amplo esquema de segurança.

Grupos de aposentados, acompanhados por grupos de esquerda, se manifestam todas as quartas-feiras em frente ao Parlamento para protestar contra os baixos níveis de suas aposentadorias, um dos setores mais afetados pelos cortes graças aos quais o presidente conseguiu conter a inflação e equilibrar as contas.

Desde sua posse em dezembro de 2023, o governo de Milei aplicou um programa de redução dos gastos públicos equivalente a 4,7% do PIB, com o qual reduziu pela metade o índice de inflação, que passou de 211% em 2023 para 118% em 2024.

"São os aposentados que estão sofrendo um terço do ajuste da motosserra que se tornou mundialmente conhecida, mas que está afetando muito as condições de vida da população", disse à AFP durante o protesto Luci Cavallero, militante feminista.

As manifestações, cuja repressão tem aumentado, já receberam o apoio de torcidas de futebol e da Igreja.

"O mais terrível de tudo é como somos reprimidos sem nenhum pudor. É muito triste para mim, nesta idade. Eu me manifesto desde os 17 anos e nunca pensei que teria que passar por isso novamente", declarou à AFP Cristina Rivada, aposentada de 74 anos que participa de todos os protestos de quarta-feira.

- "Não há outra opção" -

Enquanto o protesto se desenrolava em frente ao Congresso, os deputados debatiam iniciativas da oposição, como um aumento de 7,2% nas aposentadorias e uma declaração de emergência na área de deficiência, projetos que o governo rejeita devido ao seu custo fiscal.

Do lado de fora, Evangelina Caro, de 49 anos, levava em uma mão um cartaz que dizia "sou uma pessoa (não um gasto), com direitos (não privilégios)" e na outra, seu filho Benicio, de 14 anos, com autismo.

"Estão cada vez mais vulnerabilizando os direitos das pessoas com deficiência", lamentou.

Ao protesto também se somaram médicos residentes do Hospital Infantil Garrahan, referência nacional e internacional. Ao anoitecer, a imprensa local divulgou que os manifestantes decidiram suspender uma greve de vários dias após receberem advertências sobre possíveis sanções.

Atualmente, os médicos residentes recebem o equivalente a 660 dólares (3.741,40 reais) mensais. Apesar de o governo ter anunciado no domingo um aumento, os profissionais alegaram que se tratava apenas de um bônus e mantiveram o chamado à manifestação.

"Exigimos que cessem as ameaças de demissão aos trabalhadores e aumentem os salários", afirmou nesta quarta-feira, na rede X, Rodolfo Aguiar, dirigente do sindicato de funcionários públicos ATE, após uma audiência de negociação fracassada com o governo.

O ATE anunciou que manterá nesta quinta-feira uma "jornada nacional" de paralisações e mobilizações no setor da Saúde em apoio aos médicos do Garrahan e "em repúdio à crise sanitária que o governo está provocando com sua política de desfinanciamento".

"Vamos levar o conflito a todos os hospitais do país", advertiu Aguiar na rede X.

O porta-voz da Presidência, Manuel Adorni, advertiu na semana passada que "os médicos devem ganhar mais, mas por trás disso, sempre algum esperto quer manter um privilégio", acusando o hospital de ter mais funcionários administrativos do que médicos.

- Multissetorial -

Também participaram do protesto cientistas e pesquisadores em rejeição aos cortes no setor e à fuga de cérebros.

Uniram-se ainda universitários, familiares de pessoas com deficiência e coletivos feministas, que comemoram 10 anos do movimento contra a violência sexual "Ni una menos".

"Como feministas, não temos o que fazer se não abraçar essa luta e chamar todos os setores que estão sendo afetados para que se juntem", defendeu Cavallero.

Os protestos semanais de aposentados se tornaram o principal foco de resistência às políticas de Milei.

Os aposentados com renda mínima recebem o equivalente a 300 dólares (1.700,64 reais) mensais, justo no limite da pobreza.

K.Inoue--JT