The Japan Times - Lidia Mayta, a líder aymara que usa artes marciais para combater a violência contra mulheres na Bolívia

EUR -
AED 4.246429
AFN 76.887634
ALL 93.189144
AMD 423.342651
AOA 1060.176801
ARS 1724.882575
AUD 1.635501
AWG 2.082489
AZN 1.97002
BAM 1.961391
BBD 2.328337
BDT 143.102254
BHD 0.435984
BIF 3453.955207
BMD 1.156136
BND 1.481323
BOB 13.739522
BRL 5.876989
BSD 1.155995
BTN 110.001186
BWP 15.603479
BYN 3.442212
BYR 22660.258427
BZD 2.324897
CAD 1.613446
CDF 2615.761404
CHF 0.934181
CLF 0.026749
CLP 1056.199727
CNY 7.801146
CNH 7.796152
COP 3650.105178
CRC 525.509359
CUC 1.156136
CUP 30.637594
CVE 110.646682
CZK 24.258158
DJF 205.46888
DKK 7.477932
DOP 67.345355
DZD 153.688625
EGP 57.293288
ERN 17.342035
ETB 184.982115
FJD 2.553384
FKP 0.8566
GBP 0.856968
GEL 3.017966
GGP 0.8566
GHS 13.596606
GIP 0.8566
GMD 84.980421
GNF 10145.090599
GTQ 8.820142
GYD 241.849406
HKD 9.067746
HNL 31.077375
HRK 7.536622
HTG 151.150865
HUF 363.096405
IDR 20580.370421
ILS 3.468234
IMP 0.8566
INR 109.992259
IQD 1515.115748
IRR 1590322.371805
ISK 142.598215
JEP 0.8566
JMD 183.583315
JOD 0.819746
JPY 182.445186
KES 148.887592
KGS 101.104505
KHR 4685.244046
KMF 492.514185
KRW 1627.712241
KWD 0.356853
KYD 0.963346
KZT 541.784389
LAK 26108.437325
LBP 103531.946431
LKR 387.745291
LRD 209.896866
LSL 18.648909
LTL 3.413768
LVL 0.699335
LYD 7.358849
MAD 10.757887
MDL 20.102303
MGA 4982.944983
MKD 61.70777
MMK 2427.596601
MNT 4159.0218
MOP 9.34149
MRU 46.349915
MUR 54.396619
MVR 17.862733
MWK 2008.207995
MXN 19.811776
MYR 4.728715
MZN 73.882892
NAD 18.78764
NGN 1577.963717
NIO 42.540713
NOK 10.99759
NPR 176.001898
NZD 1.961547
OMR 0.442559
PAB 1.15598
PEN 3.913564
PGK 5.112721
PHP 70.183258
PKR 321.178758
PLN 4.299905
PYG 6873.802279
QAR 4.213541
RON 5.244583
RSD 117.953626
RUB 94.679224
RWF 1693.738704
SAR 4.370455
SBD 9.325039
SCR 16.735107
SDG 694.263698
SEK 10.961095
SGD 1.477777
SLE 28.445176
SOS 694.263682
SRD 43.778814
STD 23929.673396
STN 24.712399
SVC 10.11514
SZL 18.781467
THB 38.210709
TJS 10.664099
TMT 4.058036
TND 3.366711
TRY 55.144784
TTD 7.835505
TWD 37.286072
TZS 3060.872603
UAH 51.775757
UGX 4306.406038
USD 1.156136
UYU 46.534057
UZS 13815.821213
VES 873.763846
VND 30295.956222
VUV 138.059733
WST 3.160483
XAF 657.83219
XAG 0.018216
XAU 0.000266
XCD 3.124515
XCG 2.083439
XDR 0.818768
XOF 656.685424
XPF 119.331742
YER 275.626884
ZAR 18.667336
ZMK 10406.612213
ZMW 21.818913
ZWL 372.275202
Lidia Mayta, a líder aymara que usa artes marciais para combater a violência contra mulheres na Bolívia
Lidia Mayta, a líder aymara que usa artes marciais para combater a violência contra mulheres na Bolívia / foto: Aizar RALDES - AFP

Lidia Mayta, a líder aymara que usa artes marciais para combater a violência contra mulheres na Bolívia

Um violento assalto em frente a sua casa há três anos transformou Lidia Mayta, uma indígena aymara, em treinadora de defesa pessoal com técnicas de taekwondo para mulheres na cidade de El Alto, na Bolívia.

Tamanho do texto:

Os agressores que tentaram roubá-la chegaram a colocar uma corda em seu pescoço, mas foram afastados pelos seus vizinhos. "Eu não sabia como me defender, agora tento fazer com que outras mulheres percam esse medo", diz Mayta à AFP.

Lidia, uma líder indígena de 56 anos, secretária de saúde de sua comunidade em Puerto Chaguaya, na fronteira com o Peru, comanda uma pequena loja de produtos básicos em sua atual casa em El Alto.

Ela participou inicialmente dos cursos do "Warmi Power" ("warmi" significa mulher em aymara), um empreendimento que ensina taekwondo para mulheres se defenderem da violência, do qual logo se tornou monitora.

A Bolívia registra quatro homicídios para cada cem mil habitantes, de acordo com o Observatório de Segurança Cidadã do Estado.

"Não somos o país mais perigoso da região, mas somos sim um país violento contra as mulheres", afirma a integrante da organização feminista Coordinadora de la Mujer, Lucía Vargas.

Oito em cada dez mulheres, meninas e adolescentes na Bolívia sofreram algum tipo de violência pelo menos uma vez em suas vidas, de acordo com dados do governo.

Mais de 51.000 mulheres denunciaram algum tipo de violência em 2023, sendo 39.000 relacionadas aos seus parceiros ou esposos como agressores.

- Faixa preta contra o machismo -

Lidia Mayta garante que o Warmi Power a faz se sentir "líder, ativista e com força para passar os aprendizados para outras mulheres".

O projeto Warmi Power, das professoras bolivianas de taekwondo Laura Roca, que também é psicóloga, e Kimberly Nosa, ambas faixas pretas, foi lançado em 2015.

Há três anos, Mayta foi convidada a fazer parte da equipe para facilitar a comunicação com as mulheres que falam aymara.

Em sessões que utilizam elementos da terapia em grupo, mulheres aprendem a arte marcial. São realizadas eventuais aulas específicas para indígenas, muitas delas migrantes que, além da violência de gênero, enfrentam a xenofobia ao chegar à cidade.

"A violência não se resolve com violência, mas aprender a se defender pode salvar nossas vidas", afirma Kimberly.

Roca e Nosa já capacitaram mais de 35.000 mulheres em diferentes partes da Bolívia.

- Chutes de saia -

Vestidas com suas típicas polleras - saias volumosas -, mantas de lã, chapéus bombin e duas tranças como penteado, as mulheres começam pelo aquecimento.

Muitas nunca deram um golpe em suas vidas, e a timidez toma conta de seus primeiros movimentos. As participantes aprendem a dar chutes, a gritar e a identificar os pontos fracos no corpo do agressor.

O grupo de mulheres indígenas do Warmi Power é composto por comerciantes que sustentam suas famílias com a venda de mantimentos, roupas, comida e outros suprimentos.

Marcelina Quispe, de 45 anos, vende queijos em uma área comercial da cidade altiplânica. A história de violência doméstica de uma amiga a levou a se inscrever nas aulas do Warmi Power.

As organizações feministas na Bolívia apontam que a violência se tornou normalizada.

"Há uma crueldade contra a vida das mulheres quando buscam sua independência", analisa a psicóloga Lucía Vargas, integrante da Coordinadora de la Mujer.

Desde 2013, a Bolívia possui uma lei específica para combater a violência contra as mulheres, e, desde então, foram registrados 1.085 feminicídios. No entanto, a principal crítica é a falta de orçamento.

Quispe prestou solidariedade à amiga ameaçada de morte pelo marido, "disse a ela para não ter medo, que não a deixaríamos sozinha, e foi assim que vim para essas aulas (de taekwondo), porque nunca se sabe quando a desgraça chega", contou Quispe.

Quando terminam os exercícios físicos no workshop, as participantes se alinham em duas fileiras, formando um túnel, e o atravessam uma a uma.

"Você é linda, é poderosa, é valiosa, é guerreira, você é forte", dizem entre sussurros e tapinhas nas costas ao final do percurso, que termina com um abraço coletivo.

M.Matsumoto--JT