The Japan Times - Economia alemã enfrenta uma persistente 'tempestade perfeita'

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Economia alemã enfrenta uma persistente 'tempestade perfeita'
Economia alemã enfrenta uma persistente 'tempestade perfeita' / foto: Tobias Schwarz - AFP/Arquivos

Economia alemã enfrenta uma persistente 'tempestade perfeita'

Exportações frágeis, preços elevados da energia, uma transição climática repleta de obstáculos... a economia da Alemanha não encontra uma saída para sua crise multifacetada, uma "tempestade perfeita" que provavelmente vai perdurar e ameaçará a coalizão de governo.

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A apresentação na quarta-feira das novas previsões do governo confirmará a estagnação da maior economia europeia. A imprensa informou que Berlim reduziu a projeção de crescimento econômico em 2024 para 0,2%, contra uma estimativa de 1,3% divulgada há alguns meses.

E, pior ainda, a Alemanha registrará um crescimento anêmico nos próximos anos, de 0,5% em média, caso não sejam adotadas medidas drásticas para corrigir a situação, segundo analistas.

Após uma contração de 0,3% do PIB no ano passado, a situação econômica provoca um debate intenso na coalizão de governo do chanceler Olaf Scholz.

- "Situação dramática" -

A crise é provocada por vários fatores que se acumulam e afetam o setor industrial alemão.

Este pilar da economia representa quase 20% do PIB, mas não consegue recuperar os níveis de produção anteriores à pandemia.

"É uma tempestade perfeita", resumiu recentemente o ministro da Economia, Robert Habeck, para líderes empresariais.

A indústria enfrenta desde o início da guerra na Ucrânia os custos de energia elevados devido ao fim do fornecimento de gás russo e as taxas de juros altas fixadas pelo Banco Central Europeu para evitar a inflação, o que reduz a demanda e os investimentos.

O comércio internacional, afetado pela desaceleração da China, não permite compensar a demanda interna frágil ou manter em um nível elevado as exportações, cruciais para a economia alemã.

Além disso, a transição climática é difícil para vários setores, que consideram não receber tantos subsídios quanto seus concorrentes, em particular os americanos.

Quase 60 grupos industriais europeus publicaram na segunda-feira uma carta para exigir medidas de apoio dos líderes da União Europeia.

Entre os signatários estão os gigantes químicos alemães BASF, Bayer e Covestro. O setor registrou no ano passado uma queda de 8% na produção e 12% no faturamento.

"Sem uma política industrial específica, a Europa corre o risco de ficar dependente de certos produtos básicos. A Europa não pode permitir isso", afirmaram os signatários.

A indústria automobilística, outro pilar da economia, enfrenta a desaceleração da venda de veículos elétricos após o fim dos subsídios públicos para a compra.

- "Um minuto para meia-noite" -

"Falta um minuto para meia-noite. O que está em jogo é nada menos do que a sobrevivência do 'Mittelstand' alemão", alertaram em uma carta aberta 18 organizações que representam as pequenas e médias empresas, coluna vertebral da economia alemã.

Mas os partidos da coalizão de governo, que inclui social-democratas, ecologistas e liberais, estão divididos sobre a resposta.

O líder dos liberais, o ministro das Finanças Christian Lindner, defende cortes de impostos e a redução da "burocracia".

"Se não fizermos nada, nosso país vai entrar em colapso e a Alemanha será mais pobre", afirmou.

Um texto que promete às empresas uma redução fiscal de 7 bilhões de euros por ano deve ser aprovado nesta quarta-feira, após vários meses de debate.

O ministro da Economia, o ecologista Robert Habeck, considera que não será suficiente. Ele pediu a flexibilização das normas orçamentárias para investir nos setores do futuro.

O "freio da dívida", consagrado na Constituição, limita o déficit público anual a 0,35% do PIB. Suprimir este símbolo da austeridade orçamentária alemã é uma linha vermelha para os liberais.

As tensões internas colocam em perigo o futuro da coalizão: os três partidos estão em queda nas pesquisas antes das eleições regionais deste ano.

O secretário-geral dos liberais, Bijan Djir-Sarai, já mencionou a possibilidade de retirar o partido da coalizão.

"A mudança econômica é necessária (...) e o ponto decisivo é saber se esta coalizão conseguirá iniciar a mudança nas próximas semanas e meses", disse.

Y.Ishikawa--JT