The Japan Times - E se a democracia fosse cotada na bolsa?

EUR -
AED 4.375994
AFN 77.441177
ALL 96.8038
AMD 450.312991
ANG 2.132699
AOA 1092.512228
ARS 1687.616776
AUD 1.679754
AWG 2.147497
AZN 2.02512
BAM 1.961932
BBD 2.398106
BDT 145.514839
BGN 2.0008
BHD 0.449184
BIF 3523.156764
BMD 1.191399
BND 1.510935
BOB 8.244875
BRL 6.202782
BSD 1.190627
BTN 107.940752
BWP 15.691244
BYN 3.431569
BYR 23351.420032
BZD 2.394615
CAD 1.615555
CDF 2621.077547
CHF 0.913731
CLF 0.025809
CLP 1019.075022
CNY 8.267058
CNH 8.239501
COP 4387.493544
CRC 590.252396
CUC 1.191399
CUP 31.572073
CVE 110.610738
CZK 24.23547
DJF 211.735312
DKK 7.470882
DOP 74.954602
DZD 154.292326
EGP 55.840631
ERN 17.870985
ETB 185.715654
FJD 2.609878
FKP 0.875878
GBP 0.871133
GEL 3.210809
GGP 0.875878
GHS 13.103122
GIP 0.875878
GMD 86.972094
GNF 10452.67214
GTQ 9.133549
GYD 249.101759
HKD 9.310443
HNL 31.45144
HRK 7.538575
HTG 156.140016
HUF 376.620878
IDR 20015.502885
ILS 3.672371
IMP 0.875878
INR 108.119994
IQD 1559.78199
IRR 50187.682272
ISK 145.004731
JEP 0.875878
JMD 186.23211
JOD 0.844698
JPY 185.7522
KES 153.630292
KGS 104.187734
KHR 4802.070393
KMF 499.196109
KPW 1072.251462
KRW 1735.760644
KWD 0.365605
KYD 0.992214
KZT 588.005344
LAK 25588.196346
LBP 106623.718451
LKR 368.513417
LRD 221.464094
LSL 19.08345
LTL 3.517892
LVL 0.720666
LYD 7.527561
MAD 10.889337
MDL 20.223468
MGA 5227.383219
MKD 61.670311
MMK 2501.55021
MNT 4248.871373
MOP 9.585683
MRU 47.279783
MUR 54.780222
MVR 18.40727
MWK 2064.579293
MXN 20.490764
MYR 4.687561
MZN 75.952171
NAD 19.08345
NGN 1617.705348
NIO 43.81696
NOK 11.407502
NPR 172.705002
NZD 1.967739
OMR 0.458087
PAB 1.190632
PEN 3.998799
PGK 5.180192
PHP 69.671855
PKR 332.935962
PLN 4.209171
PYG 7850.538596
QAR 4.340266
RON 5.091565
RSD 117.388886
RUB 91.737752
RWF 1738.355501
SAR 4.468309
SBD 9.60047
SCR 16.045255
SDG 716.629268
SEK 10.625551
SGD 1.50759
SHP 0.893858
SLE 29.129645
SLL 24983.040064
SOS 679.231641
SRD 45.239208
STD 24659.553486
STN 24.576924
SVC 10.418566
SYP 13176.366262
SZL 19.074863
THB 37.052651
TJS 11.150594
TMT 4.175853
TND 3.43935
TOP 2.868603
TRY 51.930097
TTD 8.066315
TWD 37.583854
TZS 3078.094776
UAH 51.325228
UGX 4238.247581
USD 1.191399
UYU 45.652698
UZS 14648.788029
VES 450.331093
VND 30869.147604
VUV 142.581796
WST 3.253377
XAF 658.022078
XAG 0.014446
XAU 0.000236
XCD 3.219816
XCG 2.145834
XDR 0.821894
XOF 658.013768
XPF 119.331742
YER 284.03217
ZAR 18.927518
ZMK 10724.019084
ZMW 22.509642
ZWL 383.629986
E se a democracia fosse cotada na bolsa?
E se a democracia fosse cotada na bolsa? / foto: ANGELA WEISS - AFP

E se a democracia fosse cotada na bolsa?

"Grande parte do dinheiro de Wall Street é investido em países autocráticos". É possível mudar isso? Sim, mediante indicadores de referência indexados à qualidade da democracia, mas a opinião pública deve pressionar como ocorreu com os bônus verdes, afirmam especialistas.

Tamanho do texto:

Para explicar este fenômeno basta um exemplo: os fundos de pensão, em sua maior parte, dão dinheiro a administradores de ativos que seguem uma série de pontos de referência para decidir onde alocam os ativos, mas não levam em consideração necessariamente o fator democracia na hora de investir.

"Os indicadores são a via principal pela qual, em geral, todos nós neste momento financiamos uma autocracia, embora não saibamos que o estamos fazendo", explica Marcos Buscaglia, fundador da Alberdi Partners e ex-analista de Wall Street, durante um debate esta semana em Washington, organizado pelo Diálogo Interamericano, um grupo de reflexão.

Philippe Bolopion, diretor-geral da TOBAM, uma companhia de gestão de ativos, admite que "grande parte do dinheiro de Wall Street é investido em países autocráticos".

"Seria possível dizer que os investidores ocidentais, os fundos de pensão nos Estados Unidos e na Europa estão injetando bilhões de dólares em países autocráticos e essencialmente ajudando os líderes autoritários destes países a sobreviver e prosperar em alguns casos", afirma.

Mas os mercados são um organismo vivo e como tal se adaptam à sociedade. Há 20 aos, não se falava em 'bônus verdes' e estes não surgiram porque Wall Street propôs, mas por pressão social, destacam os especialistas.

As coisas já estão mudando e existem alguns ativos cotados em bolsa (ETF, fundos indexados) que "são corretos para a democracia", afirma Buscaglia.

Mas, "o maior passo - diz - será quando os indicadores [parâmetros considerados no momento de investir] forem corrigidos a favor da democracia".

Nicolás Saldías, analista da unidade de inteligência da revista britânica The Economist, considera que é complicado intervir na oferta porque as instituições financeiras são empresas que geram lucro e devem prestar contas aos acionistas se perdem oportunidades.

A solução viria, ao contrário, do lado da demanda, por exemplo, para países que emitem bônus em variáveis de qualidade democrática.

Saldías é partidário da emissão de bônus e créditos indexados à democracia ou a objetivos concretos, como a redução da pobreza.

A companhia em que Bolopion trabalha tenta mudar o rumo, levando em conta "o fator de risco autocrático" na hora de investir.

"Sou o único especialista em direitos humanos, todos os demais são matemáticos e estatísticos e falam um idioma diferente do meu", afirma.

- "Risco autocrático" -

É importante que "os democratas considerem a autocracia como um fator de risco contra o qual deveriam tentar proteger sua carteira", acrescenta Bolopion, assegurando que a TOBAM não investe em empresas cotadas em países autocráticos.

Mas nem tudo é preto no branco.

Muitas empresas de países democráticos têm "grande parte de seu negócio na China ou em muitos provedores" de lá, adverte Bolopion.

Em sua opinião, o segredo está em "minimizar a exposição".

Romina Bandura, especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, é partidária, ainda, de elaborar um índice democrático nas agênias de classificação financeira e que o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) levem em consideração o fator democracia ao conceder empréstimos.

Buscaglia se diz "otimista". Ele se baseia em que "um a cada 2 dólares [cerca de R$ 10] administrados por investidores profissionais em (a zona do) euro é gerido através de algum mandato ESG, e um em cada 3 dólares [R$ 15] nos Estados Unidos".

Os critérios ESG avaliam se uma empresa é sustentável em nível ambiental, social e de governança, um bom exemplo de que é possível incluir pautas para se fazer um investimento.

- América Latina -

Se variáveis democráticas fossem aplicadas, a América Latina poderia se beneficiar por ser segura do ponto de vista geopolítico. O nível de homicídios na região é muito alto, sobretudo na América Central, e há muita desigualdade, pobreza e corrupção, mas não há guerras.

Segundo Saldías, países como Uruguai, Costa Rica e Chile sairiam ganhando porque "têm democracias fortes".

Mas como medir a democracia?

"Os indicadores são importantes, mas não suficientes" e "devemos ter muito cuidado para não punir um país de forma desproporcional", adverte Saldías.

Ele cita o caso do Equador, onde uma onda de violência provocada por narcocriminosos pôs o país em xeque. "Agora, é um regime híbrido", com "eleições livres e justas" mas "a qualidade da democracia é mais frágil".

Saldías joga uma ideia no ar: dar às democracias consolidadas "benefícios nos mercados globais".

T.Sasaki--JT