The Japan Times - Israel bombardeia sul de Gaza em meio à pressão crescente para libertar reféns

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Israel bombardeia sul de Gaza em meio à pressão crescente para libertar reféns
Israel bombardeia sul de Gaza em meio à pressão crescente para libertar reféns / foto: - - AFP

Israel bombardeia sul de Gaza em meio à pressão crescente para libertar reféns

O Exército israelense bombardeou Khan Yunis, o novo epicentro da guerra em Gaza, nesta segunda-feira (22), depois que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, rejeitou as condições que, segundo ele, o Hamas exige para a libertação dos reféns.

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Testemunhas relataram ataques mortais durante a noite em Khan Yunis, a maior cidade do sul de Gaza, e fortes confrontos entre soldados israelenses e combatentes islamistas do Hamas.

"Os bombardeios de artilharia não param desde as 5h", disse Yunis Abdel Razek, de 52 anos, na Universidade Al Aqsa da cidade, onde se refugiou com a família.

Os combates se concentram no sul da Faixa, mas também continuam no norte, onde o Hamas reportou bombardeios na região da Cidade de Gaza.

Netanyahu prometeu "aniquilar" o Hamas, classificado como "organização terrorista" por Estados Unidos, União Europeia e Israel, em resposta ao seu ataque de 7 de outubro.

Naquele dia, os milicianos do Hamas mataram cerca de 1.140 pessoas em solo israelense, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados israelenses.

Os combatentes do Hamas também fizeram cerca de 250 reféns, dos quais 132 permanecem em Gaza, segundo as autoridades israelenses.

A implacável ofensiva israelense deixa ao menos 25.295 mortos em Gaza, a maioria mulheres e menores de idade, de acordo com o Hamas, que governa o território devastado e sitiado desde 2007.

- "Etapa necessária" -

Os bombardeios ocorrem depois de o Hamas ter divulgado, no domingo, seu primeiro relatório público sobre os fatos que desencadearam a guerra.

No documento de 16 páginas, o grupo palestino afirmou que a operação de 7 de outubro foi uma "etapa necessária" e uma forma de garantir a libertação dos presos palestinos.

Mas também admitiu que houve "alguns erros" de sua parte e pediu o fim da "agressão israelense" em Gaza, segundo o texto.

A campanha israelense matou "cerca de 20% a 30%" dos combatentes do Hamas e está longe de seu objetivo de destruir o movimento palestino, segundo cálculos da Inteligência dos Estados Unidos, divulgados por The Wall Street Journal.

A mesma fonte indicou que Estados Unidos, Catar e Egito, que negociaram uma trégua em novembro, tentaram convencer Israel e o Hamas a adotarem um plano para libertar os reféns em troca da retirada de Israel de Gaza.

Mas Netanyahu insiste em que Israel deve manter o controle da segurança após a guerra e rejeitou a possibilidade de uma "soberania palestina".

- "Qual a outra solução?" -

O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, insistiu nesta segunda-feira em uma solução baseada em dois Estados para o conflito.

"Paz e estabilidade não podem ser construídas apenas por meios militares. (...) Qual outra solução vocês consideram? Fazer todos os palestinos partirem? Matá-los?", questionou.

Mais de 80% dos 2,4 milhões de habitantes de Gaza foram deslocados pela guerra e enfrentam uma grave crise humanitária, segundo a ONU.

As declarações de Borrell ocorrem antes de duas reuniões em Bruxelas com os chanceleres israelense, Israel Katz, e palestino, Riyad al Maliki.

Netanyahu também enfrenta intensa pressão para garantir o retorno dos reféns e responder pelas falhas de segurança que permitiram o ataque de 7 de outubro.

"Pedimos ao nosso governo que ouça, que se sente para negociar e decida se aceita este ou outro acordo que convenha a Israel", disse Gilad Korenbloom, cujo filho é refém em Gaza.

Em um vídeo divulgado após o relatório do Hamas, Netanyahu afirmou que, em troca da libertação dos reféns israelenses, o Hamas exige o fim da guerra, a retirada das tropas israelenses de Gaza, a libertação dos prisioneiros palestinos e garantias de que o movimento islamista continue no poder.

"Se aceitarmos isso, nossos soldados terão caído em vão" e não haveria garantias de segurança, disse Netanyahu.

S.Yamamoto--JT