The Japan Times - Inflação ganha impulso nos EUA em plena campanha eleitoral

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Inflação ganha impulso nos EUA em plena campanha eleitoral
Inflação ganha impulso nos EUA em plena campanha eleitoral / foto: Frederic J. BROWN - AFP

Inflação ganha impulso nos EUA em plena campanha eleitoral

A inflação voltou a ganhar impulso nos Estados Unidos em dezembro, com um aumento de preços acima do esperado, atingindo 3,4% nos últimos 12 meses, representando um novo desafio para o presidente Joe Biden em plena campanha eleitoral.

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Os preços aumentaram acima dos 3,2% esperados pelo mercado, de acordo com a medição de 12 meses realizada em dezembro e divulgada nesta quinta-feira (11) pelo Departamento do Trabalho. Em novembro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou um aumento de 3,1% em relação ao ano anterior. De novembro a dezembro, o IPC aumentou 0,3%.

A inflação subjacente, que exclui os preços mais voláteis de energia e alimentos, caiu para 3,9% em 12 meses até dezembro.

- Habitação, causa principal -

Os preços da habitação "continuaram a aumentar em dezembro, contribuindo pela metade para o aumento mensal", afirmou o Departamento do Trabalho em seu comunicado.

Outras categorias, como mobiliário e serviços pessoais, diminuíram.

Joe Biden declarou em um comunicado que ainda "há muito a ser feito para reduzir os preços para as famílias e trabalhadores americanos".

"Os republicanos extremistas não têm nenhum projeto para diminuir o custo de vida", acrescentou o presidente democrata, que reconhece que os aumentos de preços e sua idade (81 anos) são as principais desafios de sua campanha para um segundo mandato, que ele buscará nas eleições deste ano.

- "Um passo atrás" -

O Partido Republicano inicia suas primárias na segunda-feira para escolher seu candidato para a eleição presidencial de novembro, com o ex-presidente Donald Trump (2017-2021) como grande favorito.

Os republicanos acusam regularmente Biden de ter alimentado o aumento de preços ao adotar medidas de aumento dos gastos públicos e investimentos em massa no contexto da crise da pandemia de coronavírus.

Este aumento inflacionário, embora leve, ocorre após vários meses de otimismo moderado.

"Dois passos para frente, um passo para trás nesta batalha contra a inflação. E dezembro é, evidentemente, um passo para trás", resumiu Robert Frick, economista da Navy Federal Credit Union.

Claro que a inflação subjacente, que representa o núcleo duro de preços, diminuiu de 4% para 3,9% em 12 meses e permaneceu estável no mês em 0,3%, um dado relevante.

"Além das variações mensais, os dados mostram, em conjunto, avanços contínuos, mas lentos, no controle da inflação em direção à meta de 2%" do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), destacou Rubeela Farooqi, economista da consultoria High Frequency Economics.

O aumento de preços atingiu 9,1% em 12 meses até junho de 2022, um nível inédito desde 1981.

Com esses dados, parece possível que a inflação continue diminuindo e não haja uma recessão ou um aumento do desemprego devido às altas taxas de juros.

Um "pouso suave" - como é conhecido esse cenário de moderação inflacionária sem recessão - é viável, enfatizou na terça-feira a secretária do Tesouro, Janet Yellen, durante uma viagem a Vienna, no estado da Virgínia.

O Fed, diante dos dados de uma inflação que tende a se moderar, manteve suas taxas de juros de referência entre 5,25% e 5,50% e antecipou várias reduções em 2024, ao final de sua última reunião de política monetária do ano de 2023, em dezembro.

As taxas de juros mais altas permitem ao Fed agir sobre o consumo e o investimento, que diminuem devido ao encarecimento do crédito. Isso reduz as pressões sobre os preços.

K.Nakajima--JT