The Japan Times - Mariam Ouedraogo, a jornalista que denuncia a violência sexual dos jihaditas em Burkina Faso

EUR -
AED 4.212777
AFN 72.835586
ALL 94.512843
AMD 422.248264
ANG 2.053494
AOA 1052.895931
ARS 1680.790338
AUD 1.635257
AWG 2.067368
AZN 1.95436
BAM 1.956354
BBD 2.309354
BDT 140.73988
BGN 1.939347
BHD 0.432422
BIF 3423.630825
BMD 1.146945
BND 1.480319
BOB 7.92328
BRL 5.90941
BSD 1.146625
BTN 108.087801
BWP 15.582008
BYN 3.185903
BYR 22480.122
BZD 2.305963
CAD 1.623185
CDF 2615.035015
CHF 0.925648
CLF 0.026299
CLP 1035.072439
CNY 7.764364
CNH 7.780559
COP 3960.034063
CRC 520.14739
CUC 1.146945
CUP 30.394043
CVE 110.569964
CZK 24.190336
DJF 203.835517
DKK 7.474072
DOP 66.986043
DZD 152.939427
EGP 57.331754
ERN 17.204175
ETB 181.647461
FJD 2.564
FKP 0.867567
GBP 0.866531
GEL 3.039852
GGP 0.867567
GHS 12.874504
GIP 0.867567
GMD 84.304874
GNF 10064.442782
GTQ 8.746478
GYD 239.84901
HKD 8.988436
HNL 30.606273
HRK 7.533254
HTG 149.77244
HUF 351.906109
IDR 20445.785654
ILS 3.394682
IMP 0.867567
INR 108.1919
IQD 1502.49795
IRR 1577049.375404
ISK 143.976448
JEP 0.867567
JMD 181.171337
JOD 0.813229
JPY 185.008009
KES 148.419043
KGS 100.300781
KHR 4599.249852
KMF 492.617229
KPW 1032.250901
KRW 1752.130969
KWD 0.353179
KYD 0.955446
KZT 559.543917
LAK 25295.872375
LBP 102708.92515
LKR 382.668433
LRD 208.916469
LSL 18.815678
LTL 3.386631
LVL 0.693776
LYD 7.311819
MAD 10.580612
MDL 20.248208
MGA 4817.169398
MKD 61.628611
MMK 2408.272435
MNT 4107.54883
MOP 9.256923
MRU 45.947051
MUR 54.881752
MVR 17.720734
MWK 1992.243861
MXN 19.872547
MYR 4.745948
MZN 73.301688
NAD 18.814173
NGN 1560.350288
NIO 41.990088
NOK 11.102662
NPR 172.945006
NZD 1.997675
OMR 0.441554
PAB 1.14663
PEN 3.881306
PGK 5.032508
PHP 69.638491
PKR 319.223511
PLN 4.259467
PYG 7041.056554
QAR 4.175458
RON 5.239364
RSD 117.183799
RUB 83.845404
RWF 1679.12748
SAR 4.299026
SBD 9.24601
SCR 15.693948
SDG 688.744688
SEK 10.98638
SGD 1.482316
SHP 0.85631
SLE 28.387314
SLL 24050.86738
SOS 655.483268
SRD 42.898615
STD 23739.445827
STN 24.544623
SVC 10.032843
SYP 126.774237
SZL 18.814083
THB 37.723444
TJS 10.63456
TMT 4.014308
TND 3.339618
TOP 2.761569
TRY 53.262066
TTD 7.775237
TWD 36.375404
TZS 3017.595134
UAH 51.508996
UGX 4173.182519
USD 1.146945
UYU 45.84299
UZS 13769.075108
VES 695.774297
VND 30176.12295
VUV 136.226685
WST 3.156058
XAF 656.142926
XAG 0.017685
XAU 0.000276
XCD 3.099677
XCG 2.066386
XDR 0.807102
XOF 648.024305
XPF 119.331742
YER 273.665193
ZAR 18.876464
ZMK 10323.885445
ZMW 20.552914
ZWL 369.315822
Mariam Ouedraogo, a jornalista que denuncia a violência sexual dos jihaditas em Burkina Faso
Mariam Ouedraogo, a jornalista que denuncia a violência sexual dos jihaditas em Burkina Faso / foto: WIKUS DE WET - AFP

Mariam Ouedraogo, a jornalista que denuncia a violência sexual dos jihaditas em Burkina Faso

Os estupros "às vezes são coletivos ou mesmo públicos, diante de esposos e filhos. Estas histórias deixam marcas insuperáveis", afirma a jornalista Mariam Ouedraogo, que documenta incansavelmente a violência jihadista que assola seu país, Burkina Faso, desde 2015.

Tamanho do texto:

Ouedraogo, de 42 anos, se tornou no ano passado a primeira mulher africana a ganhar o prestigioso prêmio Bayeux para correspondentes de guerra. Trabalha constantemente para tornar público este flagelo.

"É minha cruz", disse esta muçulmana, que trabalha para o jornal estatal Sidwaya, durante uma conferência sobre jornalismo investigativo em Joanesburgo.

Burkina Faso, como seus vizinhos Mali e Níger, está consumido por uma espiral de violência perpetrada por grupos jihadistas afiliados ao Estado Islâmico e Al-Qaeda. Mais de 17.000 pessoas morreram e mais de dois milhões foram obrigadas a se deslocar dentro do país.

Há quatro anos Mariam Ouedraogo escreve sobre "as violências sexuais vinculadas ao terrorismo, principalmente os estupros". Algo difícil de abordar porque, como explica, "em Burkina Faso, tudo que se refere à sexualidade é tabu". Os estupros ainda mais.

As vítimas não gostam de falar sobre isso "porque fere sua intimidade e dignidade", explica.

Mariam, mãe de uma menina de sete anos, conseguiu construir uma relação forte com muitas vítimas. Além de escutar seus depoimentos, mantém contato com elas para contar o "depois": a rejeição de suas famílias, as gestações não desejadas e os nascimentos de bebês frutos de estupros.

Mariam ficou tão comovida ao ouvir tantas "atrocidades" que não conseguiu manter distância. Sofre há algum tempo com sintomas de estresse pós-traumático, insônia, ansiedade e depressão.

"Cada vez que me contavam seus estupros, me sentia violentada em seu lugar", disse.

"Hoje, quando ficam mal, me ligam. Infelizmente, não posso fazer nada", o que provoca nela "um conflito interno" que a "persegue" constantemente.

- Outro tipo de trauma -

Antes de tudo isto, Mariam Ouedraogo já mostrava interesse por afetados pela vida em geral. O legado foi deixado por sua excepcional avó materna, uma "senhora de bom coração" que alimentava e acolhia a todos os necessitados de seu bairro.

"Nosso quintal era como um refúgio para todos os que atravessam dificuldades, os marginais, as viúvas e os órfãos", recorda.

Se saía e deixava uma par de sapatos, quando voltava a avó já havia dado de presente. "Pensava que minhas irmãs e eu tínhamos o suficiente, que não os necessitávamos".

Quando começaram os atentados jihadistas em seu país, a jornalista se interessou inicialmente pelas mulheres que participavam de grupos de autodefesa. Logo percebeu que "as mulheres não era mortas sistematicamente durante os massacres e se perguntou o porquê".

Saiu em busca de respostas. "Foi então que me dei conta: as traumatizavam de outra maneira. Soube que as estupravam, as sequestravam e as mantinham em cativeiro".

À sua maneira, sua avó restabelecia a justiça social. Mariam segue seus passos através do jornalismo.

"Sou sensível ao sofrimento humano (...) Capto tudo o que é doloroso", disse.

E não pensa em parar. "Vou continuar com a questão dos estupros. Estas mulheres precisam de mim", conclui.

Mesmo que isso signifique perder o sono para sempre. Todas as noites tem o mesmo pesadelo: "estou em uma encruzilhada, entre o Exército e os terroristas. Grito para as pessoas 'fujam, estão vindo, já estão aqui'. Acordo cansada todas as manhãs", confessa.

M.Sugiyama--JT