The Japan Times - Serviços públicos na Venezuela: colapso e caótica 'privatização' informal

EUR -
AED 4.357291
AFN 76.514162
ALL 96.331585
AMD 448.25026
ANG 2.123867
AOA 1087.988809
ARS 1666.377464
AUD 1.66567
AWG 2.135637
AZN 2.01556
BAM 1.952986
BBD 2.395079
BDT 145.460381
BGN 1.992514
BHD 0.447336
BIF 3524.43588
BMD 1.186465
BND 1.501243
BOB 8.217089
BRL 6.169857
BSD 1.189111
BTN 107.766792
BWP 15.579549
BYN 3.410727
BYR 23254.718234
BZD 2.391554
CAD 1.611273
CDF 2639.885138
CHF 0.915186
CLF 0.02568
CLP 1014.000112
CNY 8.202331
CNH 8.186444
COP 4357.957926
CRC 588.157379
CUC 1.186465
CUP 31.441328
CVE 110.105402
CZK 24.260663
DJF 211.755737
DKK 7.471213
DOP 74.53322
DZD 153.808697
EGP 55.598252
ERN 17.796978
ETB 184.597337
FJD 2.594621
FKP 0.868344
GBP 0.871198
GEL 3.191848
GGP 0.868344
GHS 13.068058
GIP 0.868344
GMD 87.20793
GNF 10438.002056
GTQ 9.119781
GYD 248.779394
HKD 9.274154
HNL 31.423981
HRK 7.535231
HTG 155.847383
HUF 379.478832
IDR 19972.955447
ILS 3.641998
IMP 0.868344
INR 107.470553
IQD 1557.748605
IRR 49979.847412
ISK 145.211087
JEP 0.868344
JMD 186.052668
JOD 0.841232
JPY 181.603974
KES 153.398375
KGS 103.756239
KHR 4791.156163
KMF 492.383436
KPW 1067.817587
KRW 1707.851414
KWD 0.364221
KYD 0.990968
KZT 586.712032
LAK 25536.769162
LBP 106226.376008
LKR 367.828382
LRD 221.768546
LSL 18.883569
LTL 3.503323
LVL 0.717681
LYD 7.486243
MAD 10.837191
MDL 20.089711
MGA 5264.413591
MKD 61.625793
MMK 2491.47445
MNT 4233.534421
MOP 9.574262
MRU 47.220151
MUR 54.462165
MVR 18.342675
MWK 2061.945963
MXN 20.398006
MYR 4.635504
MZN 75.812612
NAD 18.883807
NGN 1606.485432
NIO 43.757127
NOK 11.243662
NPR 172.429969
NZD 1.962054
OMR 0.45621
PAB 1.189086
PEN 3.992514
PGK 5.103667
PHP 68.959136
PKR 333.729078
PLN 4.219361
PYG 7852.78284
QAR 4.335416
RON 5.091477
RSD 117.334316
RUB 91.473768
RWF 1736.10546
SAR 4.449557
SBD 9.549141
SCR 16.290261
SDG 713.663965
SEK 10.550731
SGD 1.497728
SHP 0.890156
SLE 28.771883
SLL 24879.581478
SOS 679.623476
SRD 44.82113
STD 24557.434508
STN 24.464847
SVC 10.404962
SYP 13121.800917
SZL 18.875878
THB 36.853948
TJS 11.165815
TMT 4.152628
TND 3.419344
TOP 2.856723
TRY 51.785407
TTD 8.064345
TWD 37.247061
TZS 3073.127588
UAH 51.163186
UGX 4203.906428
USD 1.186465
UYU 45.593912
UZS 14651.133606
VES 460.649302
VND 30806.569334
VUV 141.623909
WST 3.211824
XAF 655.018591
XAG 0.014153
XAU 0.000234
XCD 3.206482
XCG 2.143103
XDR 0.814626
XOF 655.015834
XPF 119.331742
YER 282.839661
ZAR 18.841596
ZMK 10679.611548
ZMW 22.623493
ZWL 382.041315
Serviços públicos na Venezuela: colapso e caótica 'privatização' informal
Serviços públicos na Venezuela: colapso e caótica 'privatização' informal / foto: Federico PARRA - AFP

Serviços públicos na Venezuela: colapso e caótica 'privatização' informal

Yusmary chegou a gastar com água metade do dinheiro que ganha na semana. Isora recorre ao mercado clandestino por botijões de gás para cozinhar. Rodrigo, entre apagões, comprou geradores elétricos para sua casa e seu negócio.

Tamanho do texto:

As falhas crônicas dos serviços públicos na Venezuela provocam uma "privatização" de fato, informal e caótica, com a população obrigada a cobrir com seus próprios recursos o vácuo deixado pela inoperância das redes estatais.

"As pessoas têm que resolver e seguir seu dia a dia", disse à AFP Jesús Vásquez, diretor da Monitor Ciudad, ONG que monitora água, luz e gás em Caracas e em quatro estados deste país de 30 milhões de habitantes.

Protestos sobre a situação são frequentes.

- Canos secos -

"A água chegou!", ouve-se em La Jota, na comunidade de La Vega, em Caracas. Todos correm para encher seus baldes e latões.

Yusmary Gómez, de 36 anos, mãe de um jovem de 18 e de uma menina de 4 anos, costuma receber água a cada 15 dias, mas a escassez pode ser pior: "No ano passado ficamos sem uma gota três meses e meio".

Ela tem um tanque de 800 litros doado por um político em campanha eleitoral. A água que chega é amarelada, então ela compra garrafões de 20 litros na loja onde trabalha, para beber e cozinhar. Se a seca se alonga, deve usá-los para outras necessidades.

Anota os itens em uma lista e, quando recebe o salário, o chefe desconta. Encher dois deles custa US$ 1 (R$ 4,99 na cotação atual).

"Ganho US$ 30 por semana e tive que pagar US$ 15" (R$ 149,70 e R$ 74,85, respectivamente), disse Yusmary à AFP.

A ONG Monitor Ciudad estima que os moradores de Caracas recebe água, em média, em 60 das 168 horas semanais.

Pagar US$ 70 dólares (R$ 349,30) por caminhões-tanque é comum entre a classe média. E, em áreas mais ricas, perfurações privadas de poços podem custar US$ 20.000 (R$ 99,8 mil), um serviço pago pelos moradores das ruas beneficiadas.

O salário médio no país, segundo estimativas privadas, é de US$ 150 mensais (R$ 748,50). O salário mínimo é inferior a US$ 5 (R$ 24,95).

O presidente Nicolás Maduro lançou o programa "1x10 do Bom Governo". O Estado recebe denúncias das comunidades, por meio de um aplicativo móvel, e envia brigadas para reinaugurar aquedutos, pavimentar estradas, ou recondicionar ambulatórios.

Maduro culpa as sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela pela crise, mas, entre desinvestimentos e denúncias de corrupção, o colapso dos serviços começou anos antes dessas medidas.

- Gás para medicamentos -

Água não é a única coisa que falta em La Jota.

Isora Bazán reclama da irregularidade na distribuição de botijões de gás doméstico. Quando há atrasos na entrega, ela recorre ao mercado clandestino.

"Deixo de comprar remédios para ir comprar gás", diz à AFP essa aposentada de 61 anos.

Em uma avenida, revendedores oferecem cilindros entre US$ 10 e US$ 20 (R$ 49,90 e R$ 99,80). Isora recebe uma pensão mensal de menos de US$ 5.

Apenas 17% da população tem gás encanado, segundo o Monitor Ciudad.

- Gerador elétrico -

Para Felicinda Mendoza, de 74 anos, moradora de La Vega, uma "queda de energia" danificou sua geladeira: "A luz falha muito. Vai e vem, vai e vem (...) Ontem tirei a carne, o frango, o pouco de comida que eu tinha. Tudo podre".

Os apagões são um pesadelo, especialmente na província, onde podem durar horas. O estado de Zulia (oeste) sofre com eles diariamente.

"Se a gente não procurar uma maneira de resolver essas coisas, a gente morre de infarto", disse Rodrigo Crespo, empresário de 35 anos que comprou dois pequenos geradores elétricos - um para sua casa, e outro, para seu negócio em Los Puertos de Altagracia, pequena localidade vizinha à capital de Zulia, Maracaibo.

Cada um custa US$ 350 (R$ 1.746,50). Mantê-los requer cerca de US$ 100 (R$ 499) por mês. Um funciona com gasolina, que está em falta, por isso Rodrigo depende de revendedores. O outro opera com gás.

- Educação pandêmica -

O colapso da educação e da saúde pública completa a equação.

A filha de Yusmary frequentemente perde aulas, devido à falta de água em uma pré-escola pública.

"Eles mandam uma mensagem (por telefone): não tem água e por isso não tem atividade", relata.

Tornou-se comum, desde a pandemia da covid-19, que os alunos da rede pública tenham aulas apenas dois ou três dias por semana, devido à saída dos professores por baixos salários.

Uma pequena escola particular é uma alternativa para Yusmary: "Eu adoraria!".

Seu filho mais velho, que começou a trabalhar em um "call center", prometeu ajudá-la a pagar a mensalidade de US$ 30 (R$ 149,70).

K.Hashimoto--JT