The Japan Times - Menores transgênero e o desafio de crescer no Brasil, país que mais mata trans

EUR -
AED 4.358675
AFN 76.539015
ALL 96.168535
AMD 448.05318
ANG 2.124245
AOA 1088.182592
ARS 1657.786896
AUD 1.674063
AWG 2.138984
AZN 2.015543
BAM 1.953382
BBD 2.390641
BDT 145.170328
BGN 1.992869
BHD 0.447448
BIF 3506.628442
BMD 1.186676
BND 1.496548
BOB 8.202125
BRL 6.166446
BSD 1.186931
BTN 107.580384
BWP 15.563262
BYN 3.402788
BYR 23258.855315
BZD 2.387346
CAD 1.616514
CDF 2658.154663
CHF 0.913145
CLF 0.025758
CLP 1017.076371
CNY 8.188838
CNH 8.187799
COP 4356.870138
CRC 578.583907
CUC 1.186676
CUP 31.446922
CVE 112.585944
CZK 24.2524
DJF 210.895874
DKK 7.471925
DOP 74.31561
DZD 153.803318
EGP 55.59329
ERN 17.800144
ETB 183.994471
FJD 2.599056
FKP 0.869266
GBP 0.871442
GEL 3.192001
GGP 0.869266
GHS 13.059341
GIP 0.869266
GMD 87.222664
GNF 10419.017583
GTQ 9.103733
GYD 248.341008
HKD 9.275602
HNL 31.452857
HRK 7.535512
HTG 155.427633
HUF 379.032128
IDR 19955.919859
ILS 3.635887
IMP 0.869266
INR 107.497205
IQD 1555.13928
IRR 49988.738969
ISK 145.1893
JEP 0.869266
JMD 185.420511
JOD 0.84137
JPY 181.336408
KES 153.081003
KGS 103.77536
KHR 4782.305599
KMF 492.470631
KPW 1067.995386
KRW 1708.801692
KWD 0.363966
KYD 0.989209
KZT 587.317843
LAK 25448.27336
LBP 101520.156536
LKR 367.224782
LRD 221.374356
LSL 18.821296
LTL 3.503946
LVL 0.717809
LYD 7.475311
MAD 10.844738
MDL 20.113784
MGA 5256.975829
MKD 61.626498
MMK 2492.38186
MNT 4247.727033
MOP 9.558613
MRU 47.346026
MUR 54.469818
MVR 18.346035
MWK 2060.702321
MXN 20.448854
MYR 4.631004
MZN 75.840088
NAD 18.93967
NGN 1604.766003
NIO 43.568833
NOK 11.313552
NPR 172.126767
NZD 1.96634
OMR 0.456266
PAB 1.187071
PEN 3.981317
PGK 5.100926
PHP 68.936995
PKR 331.78856
PLN 4.21549
PYG 7815.327238
QAR 4.320985
RON 5.091437
RSD 117.349242
RUB 91.651927
RWF 1723.647314
SAR 4.45048
SBD 9.55084
SCR 15.963488
SDG 713.794354
SEK 10.592202
SGD 1.49857
SHP 0.890315
SLE 28.776668
SLL 24884.007626
SOS 678.18756
SRD 44.83146
STD 24561.803346
STN 24.860868
SVC 10.386145
SYP 13124.135322
SZL 18.820461
THB 36.88368
TJS 11.175645
TMT 4.153367
TND 3.364524
TOP 2.857231
TRY 51.795931
TTD 8.041048
TWD 37.312679
TZS 3085.358977
UAH 51.054711
UGX 4201.799577
USD 1.186676
UYU 45.513669
UZS 14596.11793
VES 460.731253
VND 30806.116529
VUV 141.641213
WST 3.217699
XAF 655.168205
XAG 0.015766
XAU 0.000241
XCD 3.207052
XCG 2.139252
XDR 0.814771
XOF 652.088658
XPF 119.331742
YER 282.905234
ZAR 18.943513
ZMK 10681.507456
ZMW 22.019489
ZWL 382.109282
Menores transgênero e o desafio de crescer no Brasil, país que mais mata trans
Menores transgênero e o desafio de crescer no Brasil, país que mais mata trans / foto: Nelson ALMEIDA - AFP

Menores transgênero e o desafio de crescer no Brasil, país que mais mata trans

"Mãe, eu posso morrer hoje para nascer menina amanhã?". Agatha tinha quase quatro anos quando disse a Thamirys Nunes que não queria ser menino.

Tamanho do texto:

Sua mãe, de 33 anos, soube então que teria pela frente um longo caminho de obstáculos no país com maior número de homicídios de pessoas trans no mundo e com poucos centros de assistência pública para menores inconformados com seu gênero de nascimento.

"Desde pequenininha, ela demonstrava um desconforto com o gênero masculino, atribuído no nascimento", queria brincar com bonecas e usar argolas, conta à AFP Thamirys, moradora de São Paulo.

"Os esforços para reforçar o masculino só ofendiam, magoavam. Por isso permitimos" que se identificasse socialmente como menina e mudasse de nome, acrescenta.

No Brasil, as cirurgias de mudança de sexo só são permitidas a partir dos 18 anos. É que a "incongruência ou disforia de gênero" entre menores é um tema delicado, que causa polêmica em muitos países por causa da tenra idade.

Hoje com oito anos, cabelos longos presos com prendedor rosa e vestido da mesma cor, Agatha aparece sorridente no fundo de tela do celular da mãe.

"Não era um sonho ter uma criança trans... Duvidei muito", admite Thamirys, que precisou enfrentar os próprios preconceitos, mas sobretudo, o medo do meio.

O Brasil é o país com mais mortes violentas de pessoas trans, com 118 em 2022 ou 29% do total mundial, segundo a Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil.

- "Contar com a sorte" -

A esta circunstância se soma uma progressão do conservadorismo no país durante o mandato do presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), defensor da família tradicional, reafirmada pela ampla maioria de direita eleita no ano passado para o Congresso.

"Toda vez que a minha filha passa pela porta, fico insegura, tenho medo que digam que ela é uma aberração, que a agridam ou excluam. E fico muito grata toda vez que ela volta porque sei que isso é um privilégio", diz a mãe, com a voz embargada.

Transformada em ativista dos direitos de crianças e adolescentes trans, ela fundou em 2022 a ONG Minha Criança Trans, que tem quase 600 membros.

"É um absurdo o Estado não ter nenhum mecanismo de proteção para nossos filhos e tantas crianças e adolescentes trans que estão na nossa sociedade, sendo violados, vitimizados. Nosso maior interesse é ter políticas públicas porque hoje uma criança ou adolescente trans no Brasil tem que contar com a sorte", diz.

Para Aline Melo, membro da organização, o Brasil "viveu um período de muito retrocesso nos últimos anos".

"Meu filho, Luiz Guilherme, um adolescente trans de 14 anos, tem orgulho de ser quem é, mas sabe que da porta pra fora nem sempre pode" se expor livremente, lamenta.

- Uma nova identidade –

Celeste Armbrust lembra ter chegado ao salão com a cabeça coberta e o olhar baixo. Depois do trabalho do cabeleireiro, recorda que seus olhos se iluminaram ao ver no espelho os cabelos castanhos com mechas vermelhas.

"Finalmente me senti como eu mesma, livre de fato", conta à AFP a jovem transgênero de 17 anos em seu quarto, onde carrinhos e acessórios femininos convivem lado a lado.

Celeste iniciou a terapia hormonal aos 16 anos, idade autorizada por uma norma do Conselho Federal de Medicina em 2020 e revelou sua nova identidade na escola, motivando outros a fazerem o mesmo.

Mas, admite que lhe falta essa "coragem" para sair desacompanhada.

"Ela evita estar sozinha por medo de ser apontada e sofrer alguma coisa", diz a mãe dela, Claudia Armbrust.

- Expulsos de casa -

No Brasil, com 214 milhões de habitantes, há apenas cinco centros públicos de atendimento a crianças e adolescentes para questões de identidade e gênero.

O do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo acompanha quase 400, cerca de uma centena entre os 4 e os 12 anos, e tem uma longa fila de espera.

Em casos de "incongruência de gênero", as crianças são acompanhadas em sua "transição social"; aqueles na puberdade podem "bloquear" o processo, ou seja, frear as mudanças como a menstruação nas meninas e a penugem facial nos meninos; e alguns maiores de 16 anos recebem tratamentos hormonais.

Agatha e Luiz Guilherme frequentam o centro na capital paulista, como Celeste fez no passado.

Ali, "sentem-se compreendidos e acompanhados nessa descoberta", explica Larissa Todorov, psicóloga no ambulatório paulistano.

Mas poucos têm acesso a esta assistência, que conta com poucos recursos.

Carolina Iara, de 30 anos, deputada estadual intersexo em São Paulo (PSOL-SP), destaca, apesar de tudo, alguns avanços em relação à sua geração.

No entanto, "a gente ainda tem essa dificuldade do básico. Esses adolescentes trans, principalmente essas adolescentes trans e travestis, são expulsas de casa com 13 ou 14 anos e vão parar na prostituição", adverte.

T.Ueda--JT