The Japan Times - Shady e a mudança climática: a última aventura da famosa arqueóloga

EUR -
AED 4.238505
AFN 75.605955
ALL 93.059976
AMD 422.303928
AOA 1059.48236
ARS 1723.637154
AUD 1.632008
AWG 2.080303
AZN 1.956019
BAM 1.956657
BBD 2.324219
BDT 142.113511
BHD 0.435194
BIF 3449.941799
BMD 1.154121
BND 1.476534
BOB 13.611083
BRL 5.986885
BSD 1.154006
BTN 109.951138
BWP 15.534673
BYN 3.446481
BYR 22620.767352
BZD 2.320937
CAD 1.606646
CDF 2625.624645
CHF 0.936644
CLF 0.026772
CLP 1053.504801
CNY 7.784893
CNH 7.784239
COP 3619.06887
CRC 524.229739
CUC 1.154121
CUP 30.584201
CVE 110.3143
CZK 24.236999
DJF 205.50184
DKK 7.476025
DOP 67.378944
DZD 153.379268
EGP 57.838791
ERN 17.311812
ETB 186.665822
FJD 2.551186
FKP 0.854105
GBP 0.854459
GEL 3.01798
GGP 0.854105
GHS 13.212905
GIP 0.854105
GMD 84.829873
GNF 10137.530521
GTQ 8.804782
GYD 241.477918
HKD 9.056819
HNL 30.931287
HRK 7.533526
HTG 150.944842
HUF 364.580973
IDR 20611.789304
ILS 3.438243
IMP 0.854105
INR 110.106759
IQD 1511.749412
IRR 1586569.840741
ISK 142.015164
JEP 0.854105
JMD 182.691646
JOD 0.818256
JPY 183.763152
KES 149.170362
KGS 100.928043
KHR 4673.007414
KMF 492.809227
KRW 1634.990935
KWD 0.356716
KYD 0.961713
KZT 537.32082
LAK 26037.63637
LBP 103340.983682
LKR 385.749051
LRD 209.453606
LSL 18.64611
LTL 3.407819
LVL 0.698116
LYD 7.360289
MAD 10.71909
MDL 20.004594
MGA 4966.219432
MKD 61.556977
MMK 2423.580719
MNT 4150.986256
MOP 9.327569
MRU 46.125614
MUR 54.324368
MVR 17.830915
MWK 2001.094301
MXN 19.688902
MYR 4.715046
MZN 73.172527
NAD 18.64611
NGN 1571.866375
NIO 42.46898
NOK 10.929697
NPR 175.91857
NZD 1.967216
OMR 0.44378
PAB 1.154016
PEN 3.900143
PGK 5.104281
PHP 70.693939
PKR 320.550478
PLN 4.306151
PYG 6886.077428
QAR 4.20728
RON 5.23879
RSD 117.322191
RUB 95.677011
RWF 1699.830207
SAR 4.328364
SBD 9.308031
SCR 16.013388
SDG 693.042857
SEK 11.011524
SGD 1.476599
SLE 28.278953
SOS 659.483299
SRD 43.47588
STD 23887.970053
STN 24.510742
SVC 10.097513
SZL 18.628002
THB 38.179427
TJS 10.674571
TMT 4.050964
TND 3.388485
TRY 55.118201
TTD 7.826498
TWD 37.218662
TZS 3058.417798
UAH 51.563751
UGX 4280.876056
USD 1.154121
UYU 46.450759
UZS 13799.166927
VES 877.437874
VND 30070.039947
VUV 136.697302
WST 3.150738
XAF 656.238905
XAG 0.017531
XAU 0.000261
XCD 3.119069
XCG 2.079811
XDR 0.815854
XOF 656.250282
XPF 119.331742
YER 273.760469
ZAR 18.627377
ZMK 10388.47156
ZMW 21.718706
ZWL 371.626421
Shady e a mudança climática: a última aventura da famosa arqueóloga
Shady e a mudança climática: a última aventura da famosa arqueóloga / foto: Cris BOURONCLE - AFP

Shady e a mudança climática: a última aventura da famosa arqueóloga

Como o Indiana Jones de Hollywood, Ruth Shady não se aposenta. Depois de revelar ao mundo a civilização mais antiga da América, a arqueóloga peruana de 76 anos vai atrás dos vestígios de uma catástrofe: a da mudança climática na antiguidade.

Tamanho do texto:

Sem o apoio estatal que desejava e com algumas ameaças de morte no caminho, Shady, uma das arqueólogas mais respeitadas do mundo, voltou a Vichama, Peru, depois de sobreviver à pandemia.

Lidera uma expedição que rastreia os estragos que abatem a humanidade diante da crise climática contemporânea.

A 156km ao norte de Lima, no distrito litorâneo de Végueta, o sítio arqueológico Vichama "é de relevância para o presente (...) Seus elementos arquitetônicos explicam com precisão todo o processo que a mudança climática significou para a humanidade", explica Shady.

Vichama é um dos 12 centros urbanos que formam o complexo arqueológico de 5.000 anos descoberto por ela no final do século passado.

A cientista rebatizou como Caral o que era conhecido como Chupacigarro, um platô com montes áridos, cercado por colinas e com um rio que o separa dos vales.

Levada pela curiosidade que lhe foi transmitida por seu pai, um professor checo que conseguiu fugir da Gestapo na Segunda Guerra Mundial, chegou a este local com seus estudantes em um fusca Volkswagen.

Com a ajuda da National Geographic, lançou-se em sua maior aventura. Sob toneladas de solo arenoso, encontrou pirâmides com topos achatados e uma surpreendente arquitetura antissísmica.

Caral terminou sendo reconhecida como a civilização mais remota da América e uma das mais antigas do mundo junto das da Mesopotâmia, Egito, China, Índia e Creta.

- Um colapso natural -

Shady, uma das 100 mulheres mais inspiradoras do mundo, segundo a rede britânica BBC, move-se a passos lentos pelas ruínas de Vichama rodeada por dois arqueólogos.

Esta área de 25 hectares, que os indígenas quechuas chamavam de Uichma (pescador), atesta o colapso de Caral pela seca e fome.

Das paredes, com suas gravuras de figuras humanas cadavéricas, ou com o estômago vazio, aos frisos e seus sapos antropomórficos, aqui tudo fala, susurram os arqueólogos.

Há 3.800 anos, os habitantes do que hoje se conhece como Peru enfrentaram um evento natural de grande magnitude, o qual, diferentemente da crise climática atual, não estava associado à atividade humana.

"Os vales foram convertidos em oásis, em desertos arenosos. Os rios desapareceram e, progressivamente, esse grande fenômeno natural ocorreu", explica Shady.

Entre as gravuras das paredes, pode-se observar a de um sapo com os braços estendidos e uma cabeça humana com os olhos fechados.

Segundo Shady, a imagem representaria o anúncio da chegada da água após uma devastadora seca. Na cosmovisão andina, o sapo é relacionada às chuvas e aos rios.

Um evento climático de "repercussão mundial" e de características cíclicas atingiu a humanidade há milhares de anos. Caral colapsa e dá lugar a Vichama, explica o arqueólogo Aldemar Crispín.

"Eles passaram por uma mudança climática muito forte que ficou representada nos muros", acrescenta.

- Guardiã, sob ameaça -

Shady passou mais de 25 anos escavando nos 66 hectares que formam as ruínas de Caral, uma civilização que se levantou sem muros nem armas e que desenvolveu uma arquitetura resistente em uma região de alta atividade sísmica.

Em 2009, a Unesco declarou Caral patrimônio da humanidade. As terras férteis ao redor da cidade sagrada se valorizaram e começaram as invasões estimuladas por traficantes de terra.

Apesar de, na teoria, serem terrenos do Estado, os invasores não foram despejados. A situação se agravou durante a pandemia. Shady foi intimidada por sua cruzada legal contra as ocupações que ameaçam o sítio arqueológico.

O advogado da guardiã de Caral foi ameaçado: "Se continuar protegendo essa mulher, vamos te enterrar junto dela cinco metros abaixo do chão", recorda a arqueóloga.

"Não temos o apoio do Ministério Público, nem da polícia", nem do Estado em geral, lamenta Shady.

M.Sugiyama--JT